EXPOSIÇÃO EM SÃO PAULO MOSTRA ‘DESERTO’ DE RELAÇÕES SOCIAIS COM PORTADORES DO HIV

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20/3/2007 – 16h45

A doença como ponto de vista sobre a vida e a arte como estratégia de resistência. Este é o fio condutor de “CORPOCOBAIA e a Delicadeza Grave da Vida”, a exposição do artista plástico Paulo Lima Buenoz que a Caixa Cultural promove a partir desta quarta, 21, em sua Galeria da Paulista. A mostra é composta de uma instalação multimídia, exibição de DVD, 35 imagens fotográficas em preto e branco, sete imagens fotográficas suspensas, impressas em tecido voil, além de outras imagens fotográficas plotadas em vinil transparente nas vidraças da galeria. O tema é o temor pelo contágio do HIV na sociedade.

“Meu trabalho não é político, apenas procurei uma forma da arte de contribuir com o assunto. Acho que está tudo quieto demais, as pessoas acham que é só tomar 3 remédios e está tudo bem. Elas se esquecem que elas sofrem com efeitos colaterais, não é mesma coisa que uma aspirina”, explica o artista plástico.

Trata-se de um trabalho que tem como ponto de partida o deserto que se coloca entre as pessoas em suas relações com o outro, quando estes temem o contágio pelo HIV, como fica demonstrado cientificamente em processos de aprovação de novos medicamentos. Essa exposição busca reabrir, através da arte, a possibilidade de fabricação de uma consistência subjetiva, em pleno vácuo, devolvendo à situação de pesquisa médica seu caráter de experiência viva, uma experiência de relação com o outro, seja este outro alguém que se expõe às contaminações ou alguém que as evita através de estratégias defensivas.

Segundo Paulo Buenoz, é por isso que as imagens são “vazias”, para demonstrar o deserto entre portadores do HIV.

“O que acontece em torno da AIDS, nesse sentido, pode ser considerado como um analisador paradigmático da resistência da nossa cultura a toda espécie de contaminação, ou seja, resistência a uma efetiva exposição ao outro. Uma ambigüidade que mistura e confunde contaminação por afetos, valores, sentidos, etc, com contaminação pelo vírus. O medo de uma instabilidade subjetiva por identificação com o contaminado, misturado ao medo de uma instabilidade orgânica trazida pelo contágio que pode levar à morte, é o que passa a justificar o evitamento de toda e qualquer relação efetiva com os portadores do HIV”, explica o artista.

Paulo Lima Buenoz vem participando de diversas exposições individuais e coletivas, no Brasil e exterior, incluindo museus e instituições culturais em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza, Brasília e também na Suécia, Argentina e Estados Unidos. Atualmente reside e trabalha em Uberlândia, MG.

A exposição “CORPOCOBAIA e a Delicadeza Grave da Vida” ficará em cartaz de 21 de março a 29 de abril, na Caixa Cultural, Galeria da Paulista (Av. Paulista, 2083), em novo horário: de terça a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos, das 10h às 21h. A entrada é franca. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3321-4400 ou pelo e-mail remaisp@caixa.gov.br.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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