Exposição “Aids, apenas negócios?” resgata a força do ativismo visual para denunciar estigma e mercantilização da resposta ao HIV na AIDS 2026

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Em um momento em que a ciência vive uma de suas fases mais promissoras no enfrentamento ao HIV, com medicamentos de longa duração e novas estratégias de prevenção, artistas e ativistas chamam atenção para uma pergunta incômoda: de que adianta a inovação quando ela não chega a quem mais precisa?

Essa é a provocação da exposição “Aids, apenas negócios? O legado insurgente do ativismo visual de HIV/aids”, apresentada durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), no Rio de Janeiro. Criada pela artista visual Julie Lobo e pela cineasta e poeta Marina Vergueiro, a mostra revisita a tradição do ativismo visual que marcou a resposta à epidemia nos anos 1980 para denunciar o estigma, questionar a desigualdade no acesso às tecnologias e criticar a crescente mercantilização da saúde.

Inspirada na comunicação de guerrilha de artistas como Keith Haring e do coletivo Gran Fury, a exposição combina a estética da literatura de cordel brasileira com colagens digitais contemporâneas para recriar o impacto dos cartazes e manifestos que ajudaram a mobilizar a sociedade nos primeiros anos da epidemia.

Os pôsteres, produzidos com textos de Marina Vergueiro e arte de Julie Lobo, denunciam o estigma, defendem a prevenção e o tratamento e lançam um olhar crítico sobre os elevados preços das novas tecnologias voltadas ao HIV. Mais do que uma exposição artística, a mostra propõe uma reflexão política sobre quem controla a narrativa da epidemia e quem continua excluído dos avanços científicos.

Segundo a apresentação da mostra, a resposta global ao HIV tornou-se um mercado altamente lucrativo, no qual prevenção, diagnóstico e tratamento permanecem distribuídos de maneira profundamente desigual. A exposição convida o público a refletir sobre quem lucra com a invisibilidade das populações mais vulnerabilizadas e de que forma a cultura visual pode voltar a exercer seu papel histórico de denúncia, mobilização e pressão política.

O projeto nasce em um contexto de preocupação crescente entre movimentos sociais e organizações internacionais. Apesar dos avanços científicos sem precedentes, as artistas destacam o recrudescimento do estigma, impulsionado pela ascensão de governos de extrema direita, pelo fortalecimento do conservadorismo religioso, pelos cortes em programas históricos de financiamento da resposta ao HIV e pelo enfraquecimento da cooperação internacional. Na avaliação delas, esse cenário ameaça conquistas construídas ao longo de mais de quatro décadas de enfrentamento à epidemia.

Para Marina Vergueiro, recuperar a dimensão política da arte tornou-se uma necessidade diante do momento vivido pela resposta global ao HIV.

“Os primeiros ativistas enfrentaram o silêncio institucional ocupando as ruas, apropriando-se da linguagem da publicidade e transformando a arte em ferramenta de sobrevivência. Hoje, quando a ciência avança mais rápido do que o acesso às tecnologias, acreditamos que é hora de recuperar esse legado insurgente para lembrar que saúde é um direito, não uma mercadoria.”

A exposição dialoga diretamente com um dos temas centrais da AIDS 2026: garantir que os avanços científicos não se limitem aos laboratórios, mas alcancem efetivamente as pessoas mais vulneráveis. Em um cenário de tecnologias revolucionárias e recursos cada vez mais concentrados, a mostra lembra que a história da resposta ao HIV sempre foi construída pela combinação entre ciência, mobilização social e luta por justiça.

Serviço

Aids, apenas negócios? O legado insurgente do ativismo visual de HIV/aids
Artistas: Marina Vergueiro e Julie Lobo
Data: 26 a 31 de julho de 2026
Local: Global Village – AIDS 2026 – Riocentro, Rio de Janeiro
Entrada gratuita.

Redação da Agência de Notícias da Aids

* A equipe da Agência de Notícias da Aids cobre a AIDS 2026 com o apoio do Senac São Paulo e da Coordenadoria de IST/Aids da cidade de São Paulo.

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