Expansão do acesso, redução de casos de HIV e desenvolvimento científico: Saúde da capital compartilha estratégias e políticas públicas no Congresso de DST, no Rio de Janeiro

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Entre os dias 3 e 6 de junho, o Rio de Janeiro recebeu especialistas, gestores e pesquisadores em saúde pública de todo o país para o 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Um dos destaques do evento foi a participação da Secretaria Municipal da Saúde da cidade de São Paulo, que apresentou cerca de 60 trabalhos científicos por meio da Coordenadoria de IST/Aids e da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa).

Além de marcar presença em diversas mesas e sessões temáticas, a capital paulista foi premiada com o primeiro lugar em duas categorias da mostra de pôsteres: “PrEP na cidade de São Paulo: 24 horas por dia, 7 dias na semana” (Apresentação Oral) e “Perfil de PrEP na cidade de São Paulo: em busca da ampliação do acesso às populações vulnerabilizadas” (Pôster comentado).

Equidade e inovação como eixos estratégicos

Logo no segundo dia do congresso, a apresentação do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) São Miguel destacou ações extramuros voltadas a mulheres cisgênero trabalhadoras do sexo. Segundo Alessandra Pereira, psicóloga da unidade, a estratégia resultou em aumento de 93% nas ações, 463% no início da PrEP e 560% na continuidade do uso da profilaxia. “Estamos indo onde as pessoas estão, para garantir o acesso e a permanência”, explicou.

Na mesma linha, Monique Evelyn, da Coordenadoria de IST/Aids, apresentou os impactos da política municipal que hoje permite iniciar a terapia antirretroviral (Tarv) no mesmo dia do diagnóstico, em contraste com os até 180 dias de espera observados há oito anos. Isso tem contribuído para a redução da cadeia de transmissão e para uma década de queda nos casos de aids.

Testagem e diagnóstico como pilares de resposta

Carolina Marta de Matos, da área de diagnóstico da Coordenadoria, apresentou o estudo piloto sobre testes rápidos treponêmicos e não treponêmicos para sífilis. “O diagnóstico precoce muda o curso da epidemia”, afirmou. Ela também abordou a ampliação da testagem em ações extramuros, destacando que cerca de 60% das pessoas atendidas pelo CTA itinerante são pretas ou pardas, majoritariamente jovens.

Outros destaques incluíram o trabalho de Giselle Garcia Okada sobre a qualificação do banco de dados do Sinan para sífilis em gestantes e congênita, reforçando o papel da vigilância epidemiológica no aprimoramento das políticas públicas.

Tecnologia, diálogo e acessibilidade

As inovações tecnológicas e estratégias de comunicação também foram ponto alto. Trabalhos como o canal direto com usuários via WhatsApp, o aplicativo SPrEP (com teleatendimento todos os dias das 18h às 22h) e as máquinas automáticas de entrega de PrEP, PEP e autotestes mostraram como São Paulo tem adaptado seus serviços às realidades contemporâneas. “Modelos do passado muitas vezes não atendem às demandas atuais”, afirmou Cristina Abbate, coordenadora de IST/Aids do município.

Abbate participou da mesa “Saúde e equidade: acesso universal e inclusivo”, onde destacou que o papel da gestão não é tutelar vidas, mas oferecer recursos que garantam autonomia e bem-estar. “É preciso escutar, oferecer ferramentas e respeitar os caminhos individuais.”

Territórios e vulnerabilidades no centro da política pública

Adriano Queiroz, coordenador do setor de Prevenção, ressaltou que o acesso à saúde também está atravessado por contextos sociais e afetivos. “Há pessoas que sequer têm um espaço privativo para viver sua sexualidade”, observou, defendendo políticas moldadas por marcadores sociais, como raça, classe, identidade de gênero e territorialidade.

Na prática, essa abordagem tem resultado em iniciativas como o “PrEP na Rua”, o “Estação Prevenção”, o CTA da Cidade e as ações de testagem nos bairros centrais, conforme relatado por Cecília de Andrade, gerente do CTA Henfil.

Reconhecimento nacional

A força dessas estratégias foi consolidada com o reconhecimento oficial do congresso. A premiação de dois trabalhos da Coordenadoria de IST/Aids reforça a posição de São Paulo como referência na resposta à epidemia de HIV e outras ISTs no Brasil. Ambas as iniciativas vencedoras exemplificam como políticas públicas baseadas em evidências, inovação e equidade podem transformar realidades e salvar vidas.

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