02/03/2014 – 16h45
O engenheiro-chefe do exército egípcio, Taher Abdullah, afirmou que o Egito possui tecnologia capaz de diagnosticar aids, hepatite C e outras doenças sem retirar o sangue do paciente, além de poder curar tais doenças.
Acompanhado de outras autoridades egípcias, Taher fez uma demonstração da nova tecnologia, transmitida por canais de televisão locais.
O candidato à presidência, general Abdel Fatah el-Sisi (na foto à esquerda), assistiu ã demonstração.
Segundo o engenheiro, as doenças seriam detectadas e curadas por tecnologias chamadas C-Fast e I-Fast, que funcionariam à base de eletromagnetismo.
A comunidade científica mundial ficou chocada com a “revelação” do exército egípcio e, para alguns cientistas, o vídeo teria colocado a reputação do país em risco, devido à falta de explicação científica sobre a afirmação de diagnóstico e cura.
O professor Massimo Pinzani, diretor do Instituto para o Fígado e Saúde Digestiva da University College London, confirmou ter assistido à demonstração durante uma visita ao Egito, mas "não foi dada uma explicação convincente sobre a tecnologia". Ele afirma ainda que não teria sido autorizado a estudá-la mais a fundo. Segundo Massimo, a experiência não tem qualquer base técnica e científica convincente e por isso deve ser considerada como uma "potencial fraude".
O tumulto aumentou quando um conselheiro científico do governo egípcio, Mansour de Adly, afirmou que a descoberta não tem nenhuma base científica comprovada. "O que foi dito e publicado pelas forças armadas prejudica a imagem dos cientistas do Egito", atestou Mansour.
Essam Heggy, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Califórnia, disse o jornal El Watan que "todos os cientistas, dentro e fora do Egito, estão em estado de choque."Ele acrescentou que ambos, Mansour e Sisi, ficaram surpresos e que sua presença na plateia durante o experimento não indica aprovação.
Apesar do ceticismo, o porta-voz do Ministério da Saúde egípcio, Mohammed Fathallah, disse que o ministério reconhece os dispositivos como legítimos.
Gamal Shiha, chefe de uma das associações mais importantes da medicina no Egito (Association for Liver Patients Care), enviou um comunicado dizendo estar “muito irritado” com os militares, pois também teria trabalhado em estudos desta nova tecnologia e que o anúncio teria sido "precipitado".
Shiha confirmou que apenas um dos dispositivos, o "C-Fast", passou nos testes.
Segundo o jornal "The Guardian", o médico revelou que as frequências electromagnéticas seriam semelhantes às usadas em detectores de bombas e radares, e que teriam sido aplicadas em mais de 2 mil pacientes com uma elevada taxa de sucesso. "A tecnologia de C-Fast é eficaz, sem dúvida", disse Shiha.
Redação Agência de Notícias da Aids



