Exame informa: Por que o HPV está por trás de mais casos de câncer de garganta em homens?

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Infecções persistentes podem permanecer no organismo por décadas, enquanto a falta de rastreamento dificulta a identificação precoce

O HPV, vírus associado a diferentes tipos de câncer, está por trás de uma mudança no perfil dos tumores de garganta. Enquanto a vacinação contribui para reduzir o câncer do colo do útero, os cânceres da orofaringe relacionados ao vírus aumentam, principalmente entre homens.

Os tumores atingem a parte posterior da garganta, incluindo as amígdalas e a base da língua. Um estudo publicado no Journal of Clinical Oncology mostrou aumento de 225% na incidência de câncer orofaríngeo relacionado ao HPV nos Estados Unidos entre 1988 e 2004. No mesmo período, a incidência dos tumores sem HPV caiu 50%.

Outro estudo, publicado no European Journal of Cancer, analisou 2.169 casos registrados no leste da Dinamarca entre 2000 e 2017. A incidência dos tumores relacionados ao HPV triplicou no período.

Qual é a relação entre HPV e câncer de garganta?
O papilomavírus humano, conhecido como HPV, reúne diferentes tipos de vírus. Alguns são considerados de alto risco porque podem provocar alterações nas células e contribuir para o desenvolvimento de câncer.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato sexual, incluindo o sexo oral. Na maioria das pessoas, o sistema imunológico elimina a infecção em um ou dois anos. Em alguns casos, porém, o vírus permanece no organismo. Os tipos de HPV de alto risco estão associados a cânceres do colo do útero, ânus, pênis, vagina, vulva e orofaringe.

Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam cerca de 13.600 casos anuais de câncer orofaríngeo provavelmente relacionados ao HPV entre homens. Entre as mulheres, são aproximadamente 2.400 casos.

Um estudo realizado em Baltimore também encontrou diferenças na permanência da infecção oral pelo HPV. Após 12 meses, 70,4% dos homens haviam eliminado a infecção, contra 89,6% das mulheres.

Por que os casos de câncer aumentaram?
Pesquisadores analisaram casos de câncer orofaríngeo e identificou aumento da presença do HPV nos tumores ao longo dos períodos avaliados. A prevalência do vírus passou de 16,3% entre 1984 e 1989 para 71,7% entre 2000 e 2004. A incidência dos tumores HPV-positivos aumentou 225% entre 1988 e 2004.

Na Dinamarca, a pesquisa também encontrou uma triplicação da incidência dos tumores orofaríngeos relacionados ao HPV entre 2000 e 2017. Os dois trabalhos mostram o crescimento dos casos associados ao vírus em períodos e populações diferentes.

Por que o risco aparece em pessoas mais velhas?
Cerca de 40% dos casos de câncer orofaríngeo ocorrem em pessoas com mais de 65 anos, segundo dados citados pela Live Science. Muitos desses adultos iniciaram a vida sexual antes da primeira vacina contra o HPV, disponível em 2006.

Em entrevista ao Live Science, a epidemiologista Electra Paskett, afirmou que o envelhecimento pode dificultar o controle do vírus pelo sistema imunológico.

Como o câncer de garganta é detectado?
O câncer orofaríngeo relacionado ao HPV não possui um exame de rastreamento equivalente ao Papanicolau usado para o câncer do colo do útero.

Na garganta, a coleta de células é mais difícil. Por isso, muitos casos são identificados depois do surgimento de sintomas, como um nódulo na garganta ou no pescoço.

A vacina contra o HPV é conhecida principalmente pela prevenção do câncer do colo do útero, mas também pode reduzir outros tumores relacionados ao vírus.

Segundo os pesquisadores, a expectativa é que a imunização de homens e mulheres reduza esses tumores ao longo do tempo. A proteção da vacina ocorre antes da infecção pelo HPV. Por isso, a vacinação é uma estratégia de prevenção contra o vírus.

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