EUA retomam compromisso da era Biden e vão levar antirretroviral semestral a milhões para prevenção do HIV; Unaids celebra decisão

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Após cortes no governo Trump, o Departamento de Estado dos EUA anunciou que apoiará o uso do lenacapavir, medicamento semestral que pode transformar a prevenção do HIV em países de baixa renda. A decisão retoma um compromisso firmado antes da posse de Donald Trump, ameaçado pelos cortes em programas globais de saúde, incluindo o PEPFAR (Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da Aids).

O lenacapavir é considerado um divisor de águas na prevenção do HIV. Diferente das profilaxias tradicionais, que exigem comprimidos diários, ele é aplicado apenas duas vezes ao ano, com alta eficácia comprovada. Pesquisadores acreditam que sua adoção pode reduzir significativamente as 1,3 milhão de novas infecções anuais no mundo.

Em dezembro de 2024, o PEPFAR anunciou parceria com o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária para fornecer lenacapavir a pelo menos 2 milhões de pessoas em três anos. Agora, o Departamento de Estado negocia a distribuição em até 12 países, ainda não divulgados. “Estamos animados em apoiar este medicamento”, disse Jeremy Lewin, porta-voz do órgão.

Especialistas lembram que muitas tentativas anteriores de expandir a PrEP fracassaram devido à dificuldade de adesão diária, principalmente entre mulheres e meninas jovens na África Subsaariana. Com a versão semestral, as perspectivas mudam. O medicamento foi escolhido pela revista Science como “Revelação do Ano” em 2024 e já recebeu aprovação nos EUA e na Europa.

Para Jirair Ratevosian, ex-chefe de gabinete do PEPFAR e pesquisador da Universidade Duke, o acesso simultâneo em países ricos e pobres é um avanço raro. “Isso merece reconhecimento. Mas a meta de 2 milhões em três anos é tímida e, sozinha, dificilmente terá grande impacto na epidemia global.”

A fabricante Gilead Sciences fornecerá o lenacapavir sem fins lucrativos e firmou acordos com seis farmacêuticas de genéricos para ampliar a produção em países de baixa e média renda, com disponibilidade estimada em dois anos.

Enquanto isso, os EUA reforçam a recomendação de priorizar gestantes e lactantes, mas não haverá restrição formal. “Outras pessoas também poderão ser incluídas no programa apoiado pelo PEPFAR”, afirmou Lewin.

Unaids celebra avanço e pede maior ambição global

O Unaids saudou a iniciativa e destacou que o lenacapavir, com duas injeções por ano, pode salvar milhares de vidas, alcançando jovens, mulheres, trabalhadores do sexo, pessoas que usam drogas injetáveis e homens que fazem sexo com homens em regiões de maior risco.

“Este acordo oferece esperança de que muito mais pessoas terão acesso a este medicamento revolucionário. Será necessário mais esforço global para ampliar a escala, mas o apoio dos EUA envia uma mensagem clara: investindo na prevenção, podemos deter novas infecções”, afirmou Winnie Byanyima, diretora-executiva do Unaids.

A agência alerta que 20 milhões de pessoas precisarão de prevenção baseada em antirretrovirais até 2030. Cada US$ 1 investido em prevenção pode gerar economia de US$ 7 em tratamento futuro. O custo de produção do lenacapavir é estimado em US$ 40 por pessoa ao ano, podendo cair para US$ 25 com escala suficiente, enquanto o preço em países como EUA e França ultrapassava US$ 28 mil.

O Unaids reforça que o engajamento das comunidades será essencial para garantir que as pessoas em maior risco tenham acesso ao medicamento, mantendo o foco na erradicação da aids como ameaça à saúde pública até 2030.

Redação da Agência Aids com informações

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