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Aconteceu na noite de sexta-feira (21), na Faculdade Casper Líbero, em São Paulo, um debate sobre os erros e acertos da mídia em relação à aids. A jornalista e editora executiva dessa agência, Roseli Tardelli, e a ativista do Movimento Nacional da Cidadãs PositHIVas, Silvia Almeida, contaram aos estudantes um pouco sobre o trabalho que fazem para disseminar informações corretas sobre a doença.
Roseli contou que descobriu o vírus HIV em sua vida na década de 1990, quando seu único irmão, o tradutor Sérgio Tardelli, adoeceu em consequência do HIV. A família teve de brigar na Justiça para fazer o plano de saúde cobrir o tratamento – foi a primeira a questionar publicamente a atuação de um convênio médico.
O irmão de Roseli morreu em 1994, dois anos antes do surgimento do coquetel anti-aids. “Quando meu irmão partiu vi que não tinha sentido ser só jornalista, por isso, decidi organizar as informações sobre aids e criei em 2003 a Agência Aids (www.agenciaaids.com.br), especializada em divulgar notícias sobre a síndrome e orientar o trabalho da imprensa."
Assim como Roseli, Silvia Almeida também está craque em falar sobre aids para um público mais jovem. “Não nasci com o HIV, mas me infectei vivendo e amando. Hoje, portadora do vírus da aids, continuo vivendo minha vida e aprendendo com meus erros,” disse Silvia.
A militante contou aos estudantes como foi superar a infecção pelo HIV. Ela casou-se aos 18 anos com o primeiro namorado. Aos 30, descobriu que ele tinha aids e ela também tinha se infectado. Em um casamento estável de 12 anos, com dois filhos e uma vida tranquila, ela jamais pensava que poderia ter essa doença.
Em 1996, quando o marido de Silvia morreu, ela, então com 32 anos, só tinha uma certeza: precisava se manter viva para cuidar dos filhos. "Minha reação foi aprender a viver com o HIV.”
Hoje, além de integrante do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas, Sílvia é ativista pelo Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e trabalha em São Paulo no setor de responsabilidade social da mineradora Anglo American, empresa que sempre lhe deu suporte para viver bem com o HIV.
Debate
As especialistas foram bombardeadas por perguntas. Muitos estudantes de jornalismo quiseram saber mais detalhes sobre o dia a dia na Agência Aids. Além disso, eles também perguntaram a Silvia como ela age em relação aos namorados. Se ela conta ou não que é portadora do HIV. Perguntas sobre a segurança do preservativo e a falta de incentivo para o uso da camisinha feminina também completaram o debate.
Talita Martins


