Estudante do ensino médio desenvolve novo teste de HIV em desafio de ciências, no Canadá

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18/05/2014 – 09h40

Um novo teste de HIV deu a uma adolescente o primeiro lugar num desafio de ciências no Canadá, o British Columbia 2014 Regional Sanofi BioGENEius, uma competição de estudantes do ensino médio para a produção de projetos de biotecnologia. Nicole Ticea, da York House School, uma escola para garotas em Vancouver, no Canadá, desenvolveu um método que permite aos usuários colocarem uma gota de sangue num chip e receber, quase imediatamente, o resultado.

O trabalho da garota surpreendeu, especialmente por ter sido avaliado como um processo tão fácil quanto um teste de gravidez e barato, o que pode contribuir para a ampliação do acesso às testagens. Mas ainda há um caminho longo a ser percorrido antes que sua confiabilidade seja comprovada e ele possa ser apresentado a possíveis parceiros comerciais,

Para desenvolver o teste, Nicole utilizou a amplificação isotérmica de ácidos nucléicos. Ela aplicou pela primeira vez ao HIV técnicas que foram bem-sucedidos na identificação de outras infecções virais. Em vez de vasculhar anticorpos, amplificou o próprio vírus, o que, segundo os avaliadores do trabalho, remove a janela imunológica durante a qual pessoas infectadas aparecem como negativas em testes de anticorpos porque o sistema imunológico ainda não construiu a sua resposta. Testes existentes de amplificação viral para o HIV são caros e demorados.

Os inscritos nesse desafio são julgados de acordo com uma combinação de originalidade e mérito científico (30%), execução (30%) e capacidade de comunicar o seu trabalho (40%). Estudantes com ideias aprovadas são reunidos com a equipe e alunos da Simon Fraser University. No caso de Nicole, o professor associado Mark Brockman e o estudante de pós-graduação Gursev Anmole a aconselham e a ajudam a aperfeiçoar seu trabalho.

Anmole disse que a colaboração foi uma via de mão dupla. "O que Nicole realizou me deu um cenário maior sobre o meu próprio trabalho, que envolve a análise de receptores de células T que controlam a imunidade para ver como elas podem ser usados no desenvolvimento de uma vacina contra o HIV."

"Estar no laboratório realmente reforçou o que eu já sabia", declarou Nicole. "Essa pesquisa científica envolve dedicação, determinação, longas horas e um amor profundamente enraizado pelo assunto, o que faz sacrifícios valerem a pena."

Nicole vai para a final nacional na próxima semana, de onde sairão dois vencedores que irão para a final mundial em San Diego, em junho.

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