ESTERILIZAÇÃO EM MASSA DE MULHERES É CRITICADA NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

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22/1/2007 – 10h20

Representante do Sri Lanka faz manifestação contra a esterilização de mulheres no sistema público de seu país, caso denunciado em oficina do 7º Fórum Social Mundial, Nairóbi (Quênia).

O padre Leo Marga Ashram se levanta para pregar. Não fala de religião, mas sobre a importância do uso de pílulas anticoncepcionais e preservativos. Conta que em seu país, o Sri Lanka, os médicos do sistema público de saúde incentivam a esterilização das mulheres. Ashram defende, em vez da ligação de trompas, o incentivo ao uso de métodos contraceptivos.

Sentada na arquibancada do Moi International Sport Center, complexo esportivo onde se realiza o 7º Fórum Social Mundial, a platéia acompanha atenta o difícil inglês com sotaque do Sri Lanka gritado por Ashram. Uma das presentes é a freira Yohana Temba, da Tanzânia. Integrante da entidade católica Instituto da Vocação Juvenil, a irmã Yohana veio ao país vizinho para “apreender o espírito do Fórum Social e abrir nossas cabeças”.

A freira africana fica impressionada com o relato de seu companheiro de fé sobre a esterilização em massa na Ásia. Mas não concorda com a proposta de incentivo aos anticoncepcionais: “Tudo isso acontece porque não fazemos como nossos ancestrais, que aplicavam a disciplina e o auto-controle”.

Diferente na devoção espiritual, o muçulmano Mohammed Mahuruf concorda com o padre Ashram, seu conterrâneo do Sri Lanka. “Em vez da esterilização, os médicos devem incentivar o planejamento familiar, mostrando as opções como pílula e camisinha”, afirma Mahuruf, da Cordaid, organização não-governamental ligada à Caritas International.

“O problema da religião é que as pessoas não praticam o que lêem na Bíblia”, reclama a ginecologista católica Catherine Lalobo Lore, que fechou sua clínica após 20 anos de trabalho, para se dedicar à educação sexual de mulheres. “Temos uma cultura, na África, em que a mulher é monogâmica e o homem, poligâmico. As mulheres não usam preservativos e acabam infectadas em sua própria cama”, afirma Lore.

Longe da cultura africana, a argentina Lourdes Bagur vive a mesma situação em Córdoba, onde trabalha como assistente social no governo da província. “O mais interessante desses encontros é a troca de experiência para saber o que, apesar de tantas diferenças culturais, temos de comum em nosso dia-a-dia”.

No Brasil, desde a década de 70, movimentos feministas revindicam mais atenção à saúde sexual e reprodutiva das mulheres. Na época, diversas organizações denunciaram a prática excessiva de laqueaduras. Planejamento familiar passou a fazer parte de programa e plano do Ministério da SAúde.

Fonte: Agência Brasil

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