11/05/2014 – 11h20
Vivendo com HIV desde o nascimento e em tratamento há 15 anos, Suellen Chavez, de 26, nunca pensou em ser mãe. Ela tinha muito medo de infectar seu filho. Também acreditava que, mesmo que quisesse, não engravidaria porque, além do HIV, tem câncer de colo de útero. Mas, aos 24 anos, ela se descobriu grávida de Giovanna, hoje com um ano, e sua vida mudou.
integrante da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV em São Gonçalo, no Rio de janeiro, Suellen diz que a filha é seu maior presente na vida. "Claro que eu tinha vontade de ser mãe um dia, mas o medo me dominava. Não queria correr o risco de ver um filho crescer com este vírus, assim com eu. Não é fácil viver com HIV", desabafa.
Suellen não teve uma infância fácil. Ela tem um irmão que também foi diagnosticado soropositivo ainda bebê. A mãe não sabia que tinha o vírus e não pôde evitar a transmissão vertical (TV). A militante perdeu seus pais e seus avós maternos no mesmo ano, em 1994, quando ainda era criança e passou a morar provisoriamente com uma tia. Com a família paterna nunca teve contato.
Aos seis anos, Suellen ficou muito doente, com água no pulmão. "Eu dizia que meu coração estava andando. Fui internada e descobriram que estava com água na pleura. No hospital, acabei tendo duas paradas cardíacas. Nessa época, meu irmão foi levado para a casa de apoio Sociedade Viva Cazuza. Quando saí do hospital, também fui para lá. Nossa tia sempre ia nos visitar e, oito anos depois, passamos a morar com ela de nova e com nossa prima", diz ativista.
Suellen e o irmão passaram a levar a vida normalmente, apesar do HIV. Iam para as baladas, festas, para a escola. Ela concluiu o ensino médio, fez diversos cursos na área de informática, namorou bastante. Com 22 anos, conheceu o amor de sua vida, com quem está até hoje. "Ele, além de bom pai, é muito companheiro", declara.
Durante a gravidez
A gestação, no geral, não foi complicada. Suellen recebeu muito apoio da família e do marido, engordou 26 quilos ao longo dos nove meses e sua filha nasceu sem o HIV. Nesse primeiro ano de vida, fez três exames, todos com resultados negativo. Filho de mãe soropositivo é notificado sem HIV pelo Ministério da Saúde quando faz o último teste, com um ano e seis meses, o que, para Giovanna, vai acontecer em outubro.
"Quando descobri que estava grávida, fiquei assustada. Muitos médicos disseram que seria difícil acontecer, pois também enfrento, há três anos, um câncer de colo de útero", continua Suellen.
Para gerar a filha, ela teve de parar com o tratamento do câncer. Atualmente, aguarda por uma vaga no Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer a cirurgia de retirada do útero.
O pré-natal de Suellen também foi bem tranquilo. "A única coisa que tive na gestação foi uma infecção de urina, muito comum nas gestantes, segundo meu médico. Meu parto foi cesariana por decisão minha, até por causa do câncer. Também fiz diferentes testes para outras DSTs como sífilis, hepatites. E até exame de tuberculose. Acredito que fui bem cuidada."
Ela deu à luz no Hospital do Servidor Público no Rio de Janeiro e diz que, durante o parto, os médicos seguiram todos os procedimentos. "Tomei AZT na veia, minha filha também fez uso do xarope de AZT por seis meses. Fui aconselhada a não amamentar a Giovanna e o próximo passo é esperar minha filha completar um ano e meio para ter o resultado definitivo."
Sua dica para as mulheres soropositivas que desejam ser mães é que se cuidem o máximo possível. “Assim como eu, todas elas sabem que não é fácil viver com HIV."
A vida com Giovanna
Hoje, Suellen, mora com o marido e a filha. Recentemente o casal comemorou o primeiro ano de Giovanna com uma linda festa da galinha pintadinha. Seu marido é funcionário público.
"Ser mãe não é uma tarefa fácil, todos os dias aprendo algo diferente. Hoje dedico meu tempo exclusivamente para a minha Giovanna. Com ela, eu cresci, aprendi o que é ter responsabilidades. As tarefas nunca se esgotam, tenho de pensar na alimentação, nas vacinas. Ela já está andando, então, geralmente, tropeça em alguma coisa, preciso ficar atenta a cada movimento. Meu irmão também está muito feliz com essa nova função de tio"
Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)
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