Especial_DIA DAS MÃES: “Não desistam de seus sonhos”

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10/05/2014 – 15h30

Dando continuidade às matérias sobre transmissão vertical (TV), em homenagem ao Dia das Mães, publicamos a história de Ingrid Félix da Silva. Vivendo com HIV desde o nascimento, ela tem duas filhas e nenhuma delas apresenta o vírus. Saiba aqui, o que é a TV e como é possível dar à luz, mesmo vivendo com HIV, sem transmitir a doença para o bebê. E conheça Ingrid a seguir:

Aos dois meses, Ingrid Félix, hoje com 23 anos, foi adotada pelos avós paternos, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Foi nesta época que a família descobriu que ela tinha o vírus HIV. "Meus pais biológicos não tinham como cuidar de mim”, conta Ingrid. “Minha mãe era alcoólatra e não sabia que era soropositivo. Eu não convivi com ela. Só sei que ela morreu há três anos." Sobre o pai, ela diz que a única informação que tem é que ele se casou novamente, tem outros seis filhos e está preso.

Aos 4 anos, Ingrid, hoje mãe de Maria Clara (2 anos) e Ana Caroline (9 meses) deixou a casa dos avós para viver na Sociedade Viva Cazuza. "Meu avô achou que lá era o melhor lugar para eu fazer o tratamento contra o HIV."

Ingrid retornou ao lar dos avós aos 9 anos e continuou o tratamento com antirretrovirais. Também teve de assumir sua sorologia na vizinhança. "Eu estava brincando na rua com outras crianças e elas começaram com esse papo de que eu tinha aids e tal."

Na adolescência, assim como outros jovens, Ingrid brincou muito, namorou, estudou e também teve dificuldades de aderir corretamente ao tratamento. "Não sabia da importância de tomar o coquetel no horário certo, tinha dias que tomava, ai ficava uma semana sem remédio. Também esquecia muito os horários, era uma confusão só"…

Aos 17 anos, a jovem começou a frequentar os bailes funk do Rio de Janeiro e foi num deles que conheceu o pai de suas duas filhas. Ela não chegou a se casar e ficou com o rapaz até engravidar da filha mais nova. "Mas também nunca tive o apoio dele para cuidar das garotas. Hoje, namoro outra pessoa.”

Ingrid conta que seu porto seguro sempre foi a avó, quem ela chama de mãe. "Mas ela morreu há menos de um ano e desde então sigo a vida sozinha", revela.

Sem a avó e com muitas dificuldades financeiras, Ingrid conta que teve de entregar a filha caçula, Ana Caroline, para uma tia criar. "Minha tia mora perto da minha casa, tenho contato com a minha filha, mas não tenho condições de sustentá-la. A avó era quem me ajudava."

Ingrid, que estudou apenas até a quinta série do ensino fundamental, diz que sobrevive com o auxilio do LOAS – benefício criado pela Lei Orgânica da Assistência Social para suprir as necessidades básicas de uma família de baixa renda. "Com esse dinheiro consegui alugar uma casa pequena. Moramos eu e minha filha Maria Clara."

Apesar de todos os problemas financeiros e familiares, o pré-natal de Ingrid foi um sucesso, tanto na gravidez de Maria Clara quanto na de Ana Caroline. "Assim que descobri minha primeira gravidez segui tudo certinho. Fiz todos os acompanhamentos, não faltei em nenhuma consulta, e Maria Clara negativou para o HIV. Com a Ana também tomei os cuidados devidos e tenho certeza de que ela também vai negativar."

Os dois partos foram cesarianos por orientação médica. "Os médicos disseram que esse método era o mais indicado e aceitei. Na segunda gestação tive algumas complicações no útero e minha médica decidiu me operar, na hora do parto, para eu não ter mais filho."

Hoje Ingrid faz o uso correto de todas as medicações contra o HIV e sonha em se casar. "Ainda sonho com uma história de amor verdadeira". Além disso, ela revela que gostaria de ser aeromoça. "Não sei se vou conseguir, mas é um sonho".

Ela deixa uma mensagem para as outras mulheres HIV positivas que querem ser mães, mas têm medo. “Não desistam do seu sonho. É possível ter um filho e ele nascer livre dessa doença."

Talita Martins
(talita@agenciaaids.com.br)

Dica de Entrevista

Email: Ingrid_2010angelina@hotmail.com

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