Especial_COPA DO MUNDO: Rússia e Coreia do Sul são conhecidas por esconderem seus dados sobe HIV/aids

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__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong

17/06/2014 – 11h30

Os times da Rússia e da Coreia do Sul se enfrentam hoje no gramado do estádio Arena Pantanal (MS). Com um elenco formado apenas por jogadores que atuam no país, a Rússia é a única seleção 100% caseira desta Copa. Ela volta a um Mundial após 12 anos já se preparando para ser sede do próximo, em 2018. Já a Coreia do Sul faz sua oitava participação consecutiva numa Copa. Saiba como os dois países tratam a aids em seus territórios.

Rússia

O primeiro caso documentado oficialmente de HIV na Rússia (então União Soviética) é de março de 1987. Antes disso, a União Soviética negou que tenha existido quaisquer infecções pelo vírus dentro de seu território. Os médicos foram pressionados a diagnosticar os casos como outras doenças e o governo não tomou medidas para proteger ou alertar o público sobre o que era a aids e como evitar a sua propagação.

A política de negação e repressão de diagnósticos de HIV não só inibiu uma resposta do governo à epidemia, mas também não permitiu estatísticas precisas. Faltam dados precisos sobre as pessoas infectadas no país.

Em 1988, a incidência de uso de drogas injetáveis foi considerada extremamente baixa, mas, em 1990, o número oficial registrado de usuários de drogas injetávies (UDI) foi de 30 mil. No entanto, esse número foi considerado baixo e fictício. A polícia soviética estimou que o número real era cerca de dez vezes maior.

Somente em 2002, o governo russo colaborou com o Banco Mundial para formar um projeto conjunto para combater o aumento de HIV/aids no país – o projeto era financiado em parte por um empréstimo do banco e em parte pela tesouro russo.

O número oficial de pessoas infectadas pelo HIV registrados em 2012 era de pouco mais de 703 mil. Na região que engloba a Europa Oriental e a Ásia Central, houve aumento de 250% no número de pessoas vivendo com HIV entre 2001 e 2010, de acordo com o último relatório global do Programa das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids), sendo que a Rússia e a Ucrânia respondem por 90% da epidemia na área.

Em 2010, o registro de novos casos da infecção foi de 50 mil; no ano passado, subiu para 70 mil (média de quase 10% ao ano). Hoje há 1,3 milhão de soropositivos na Rússia. Desse total, somente 15%, segundo o Unaids, ou 30%, de acordo com o governo russo, estão em tratamento com antirretrovirais.

Atualmente o país esta desenvolvendo uma vacina contra a aids, cujo protótipo é esperado para o fim deste ano e, logo em seguida, começarão testes clínicos do medicamento, segundo o Ministério da Saúde russo.

Sobre o país

A Rússia tem mais médicos, hospitais e profissionais de saúde per capita do que quase qualquer outro país. A constituição russa garante assistência médica universal e gratuita para todos os seus cidadãos. Na prática, porém, os serviços são parcialmente limitados e, desde a dissolução da União Soviética, a qualidade da saúde da população diminuiu consideravelmente, como resultado de mudanças sociais, econômicas e do estilo de vida.

A homossexualidade foi descriminalizada na Rússia em 1993, mas apenas 20 anos depois o tema começou a ser debatido pela sociedade. Uma lei proíbe a “propaganda” de relações sexuais “não-tradicionais” entre os menores de idade e traz à tona a problemática da homofobia no país. A distribuição de informação sobre homossexualidade a menores de idade pode ser punida com multas que variam entre 4 mil rublos (R$ 290), para indivíduos, e 1 milhão de rublos (R$ 72,7 mil), para organizações.

Coreia do Sul

Numa das raras vezes em que uma notícia sobre aids ultrapassou a fronteira da região da República Democrática Popular da Coreia, a agência de notícias sul-coreana Yonhap divulgou uma entrevista com o diretor do Centro de Higiene e Combate às Epidemias da Coreia do Norte, Han Kyong Ho. “Havia 27 estrangeiros com análise positiva em seus exames e eles foram enviados a seus países”, afirmou Han.

De acordo com Han, a Coreia do Sul aplicou, de 1989 a 2005, o teste de HIV em mais de 400 mil pessoas, mas apenas esses estrangeiros receberam resultados positivos.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), a Coreia do Sul tem aproximadamente 13 mil pessoas infectadas, o que dá uma média de 0.1%. Dados de 2007 mostram, entretanto, que a cobertura do tratamento antirretroviral e da prevenção da transmissão vertical do HIV (da mãe para o bebê) estava em pouco mais de 30%. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde do país, 98,4% das infecções são por contato sexual.

País socialista e unipartidário, a República Democrática Popular da Coreia, cuja capital é Pyongyang, vive numa severa ditadura. Há quase cinco anos, Choe Ung-Jun, funcionário do Ministério da Saúde, disse ao “Korea Today”, publicação em inglês na internet, que não havia soropositivos na região.

“Porém, pratica-se a prevenção e a vigilância com o objetivo de impedir seu infiltramento”, argumentou Choe. Ele disse também que o país começava uma campanha de informação e outra de formação de especialistas em aids.

Sobre o país

A história recente do país tem sido sofrida. A Coreia foi dividida em dois países logo após a 2ª Guerra Mundial como uma consequência da Guerra Fria. Antes disso, porém, o país foi ocupado pelo Japão entre 1910 e 1945.

Em junho de 1950, tropas norte-coreanas invadiram a Coreia do Sul numa tentativa de unificação do regime comunista. O conflito armado durou três anos e culminou com a vitória sul-coreana.

A zona desmilitarizada entre os dois países continua sendo uma das áreas mais fortificadas e impenetráveis do mundo. A guerra quase irrompeu novamente no fim da década de 90, mas foi evitada graças a esforços diplomáticos. Não obstante, ainda há uma grande tensão entre as duas Coreias.

Na Coreia do Sul, capitalista e cuja capital é Seoul, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2007 mostrou ser elevado ( 0.93) e a população atual chega a quase 50 milhões de habitantes

A Coreia do Norte tem uma população estimada em 24 milhões de pessoas. O IDH feito pelas Nações Unidas em 1998 colocou o País num patamar médio, de 0.76.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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