Especial_COPA DO MUNDO: Prevalência do HIV no Brasil é de 0,3%. Na Holanda, é de 0,2%

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12/07/2014 – 16h30

Na reta final da Copa 2014, Brasil e Holanda se enfrentaram nesse sábado (12) às 17 h no estádio Mané Garrinha disputando o terceiro lugar do campeonato, que ficou para a Holanda — foram três gols deles e zero nosso. Desde o início do Mundial, a Agência de Notícias da Aids vem publicando matérias sobre o cenário da aids em todos os países que entram em campo. Relembre como é a situação na Holanda e no Brasil


Brasil

O Brasil é conhecido por ter um dos melhores programas de aids do mundo e é referência, contando com excelentes centros de tratamento, que sempre recebem equipes de médicos de outros países, para capacitá-los. Desde 1996, o acesso gratuito a tratamento para todas as pessoas infectadas é garantido por lei e está à disposição nos serviços públicos.

Esse ano o Brasil adotou algumas medidas inovadoras para combater a aids. Uma delas é o teste por meio da saliva, que está sendo feito por ONgs e alguns serviços públicos, inclusive nas Fans Fest, com resultados prontos em poucos minutos.

A intenção do governo é disponibilizar os testes nas farmácias, o que vem causando polêmica junto a alguns médicos e ativistas. Muitos temem que a medida desconsidere o impacto do diagnóstico positivo em quem o recebe. O certo é que a notícia de um resultado HIV positivo seja dado por profissionais treinados em fazer o acolhimento e o encaminhamento do paciente.

Outra medida é o tratamento antecipado, já adotado. Consiste em dar os antirretrovirais ao paciente assim que ele tem o diagnóstico positivo, independentemente de sua taxa de CD4 (células de defesa do organismo). Antes, os remédios só eram receitados quando o CD4 ficava abaixo de 500.

O Brasil é o terceiro país no mundo a adotar o tratamento antecipado, depois de Estados Unidos e França. Com ele, o governo espera diminuir a circulação do vírus – o medicamento diminui e até zera a carga viral. Ativistas e alguns médicos temem que haja, também, uma antecipação dos efeitos colaterais, como a lipodistrofia, que é a perda ou acúmulo de gordura corporal nas pessoas em tratamento. A lipodistrofia é, hoje, um dos enormes problemas da aids no Brasil (leia mais aqui https://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=22192).

Atualmente, no Brasil, há 718 mil pessoas vivendo com HIV/aids, segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Desses, 340 mil estão em tratamento e 150 mil desconhecem que têm o vírus. A população geral do Brasil está estimada em 200 milhões de habitantes e estima-se que, em 2013, 11 mil morreram em decorrência de complicações causadas pela aids.

Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2012, nosso país registrou 656.701 casos de aids, condição mais avançada da doença. Em 2011, foram notificados 38.776 casos e a taxa de incidência foi de 20,2 casos por 100 mil habitantes.

Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998.

Também em relação aos jovens, os dados apontam que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, há tendência de crescimento do HIV.

Quanto à forma de transmissão, entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV.

Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical, segundo os dados do boletim.

A epidemia no país é concentrada em grupos populacionais com comportamentos que os expõem a um risco maior de infecção, como homossexuais, prostitutas e usuários de drogas.

Em números absolutos, houve redução de casos em menores de cinco anos: passou de 846 casos, em 2001, para 745, em 2011, graças à política de redução da transmissão vertical (TV, da mãe para o bebê na gravidez, no parto ou na amamentação). Quando todas as medidas preventivas são adotadas, a chance de TV cai para menos de 1%.

O levantamento feito entre jovens, realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos de idade, indica que, em cinco anos, a prevalência do HIV nessa população aumentou de 0,09% para 0,12%. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade, maior o percentual de infectados.

Mais números do Brasil

• Mortes por aids entre homens até 2012: 190.215
• Mortes por aids entre mulheres até 2012: 75.371
• Faixa etária com maior incidência: 25 a 49 anos de idade
• Em 2002, a taxa de mortalidade era 6,3 por 100 mil habitantes
• Em 2011, a taxa de mortalidade foi de 5,6 em 100 mil habitantes
• Em 2012, o Brasil registrou 12 mil mortes por HIV/Aids
• 30% das mortes em 2012 se deram pela coinfecção por tuberculose

Holanda

Levando em conta infecções não diagnosticadas, o relatório mais recente do Unaids e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimaram que há 25 mil pessoas vivendo com o HIV na Holanda e menos de 200 morreram em decorrência de causas relacionadas à aids em 2011. A prevalência do vírus no país é de 0,2%.

Um relatório mais recente, do Stichting HIV Monitoring, fundação criada em 2011 para registrar e monitorar casos de HIV, revelou que, até dezembro de 2013, o país reportou ter um total cumulativo de 22.231 infectados, sendo 378 crianças ou adolescentes, o que significa um total de 1.214 novas infecções em relação ao ano anterior.

A porcentagem de homens é de 80% e de mulheres, 20%. Desde o início da epidemia, 5.732 (26%) pessoas desenvolveram a doença e 2.225 (10%) morreram. Cerca de 88% dos infectados estão em tratamento antirretroviral.

A forma mais comum de transmissão do HIV é via sexo. Entre os homens infectados, 72% são homossexuais. Na população heterossexual atingida, 88% são mulheres. Entre as crianças infectadas, a transmissão vertical é responsável por 69%. No entanto, o relatório destaca que apenas 33% dessas crianças nasceram na Holanda e 56% na África subsaariana.

Dados na Holanda indicam que a testagem para o HIV está crescendo. Isso graças ao esforço na comunicação sobre a doença e na manutenção do acesso fácil aos tratamentos, em especial para as populações mais vulneráveis. Os testes são realizados sistematicamente entre doadores de sangue, usuários de drogas injetáveis (UDI), pacientes de doenças sexualmente transmissíveis e candidatos a serem pais adotivos.

Maconha para doentes de aids

A Holanda tornou-se há dez anos o primeiro país do mundo a legalizar a venda de maconha em farmácias para doentes de aids, câncer e esclerose múltipla.
Os médicos passaram a receitar a erva, cujo uso já era permitido em locais determinados no país, para aliviar a dor, a náusea e a perda de apetite em portadores do HIV.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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