Especial_COPA DO MUNDO: Prevalência de HIV/aids em Portugal é de 0,5%. Nos Estados Unidos, HSH e afro-americanos são os mais afetados pela epidemia

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__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong

22/06/2014 – 11h – atualizado às 21h

Estados Unidos e Portugal encerraram a segunda rodada de jogos da Copa do Mundo com um empate por 2 a 2, nesse domingo (22), na Arena da Amazônia, em Manaus. Com o resultado, o grupo fica indefinido e será decidido apenas na última rodada, na próxima quinta-feira, quando Portugal encara Gana, em Brasília, e os Estados Unidos decidem diante da Alemanha, no Recife. As duas partidas acontecerão simultaneamente, às 13h. Veja, agora, como é o cenário do HIV/aids nesses dois países:

Estados Unidos

Mais de 1,1 milhão de pessoas vivem com HIV/aids nos Estados Unidos e quase uma em cinco (15,8%) não conhecem seu estado sorológico. Há uma década, o número de novas infecções na população geral está praticamente estagnado em 50 mil casos anuais.

Dentro dessas estimativas, alguns grupos são mais afetados. Os homens que fazem sexo com homens (HSH), por exemplo, continuam se infectando mais e, entre as etnias, os afro-americanos são os mais afetados. Os dados são do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Segundo o CDC, a população de gays, bissexuais e outros HSH, particularmente jovens afro-americanos, são os mais afetados pelo HIV no país.

Em 2010, o número estimado de novas infecções entre HSH foi de 29,8 mil, um aumento significativo de 12% em relação a 2008.

Embora os HSH representem cerca de 4% da população masculina nos EUA, em 2010 eles representaram 78% das novas infecções entre os homens e 63% entre todas as novas infecções. Os HSH brancos continuam a responder pelo maior número de novas infecções (11,2 mil), seguidos pelos HSH negros (10,6 mil).

Usuários de drogas injetávies (UDI) também estão entre as populações mais afetadas, representando 8% das novas infecções em 2010 e 16% do total desde o início da epidemia. Aproximadamente 182 mil UDI com diagnóstico de aids morreram no país.

Pílula para prevenir

Em maio de 2014, o CDC dos Estados Unidos recomendou que americanos saudáveis com alto risco de contrair HIV tomem diariamente o medicamento antirretroviral Truvada. A recomendação é uma tentativa de reduzir o contágio de HIV.

As diretrizes consideram grupo de risco pessoas com parceiros infectados pelo HIV; homens gays que fazem sexo sem preservativo; heterossexuais com parceiros UDI ou bissexuais; e qualquer pessoa que compartilhe drogas injetáveis.

Uma pesquisa divulgada pelo CDC em novembro de 2013 mostrou que o número de homens gays que admite ter feito sexo sem proteção recentemente aumentou 20% entre 2005 e 2011.

Mais números

• população: 314 milhões de habitantes

Sobre o país

Estados Unidos da América, ou simplesmente Estados Unidos, tem sua maior parte localizada na região central da América do Norte, formada por 48 estados e Washington, D.C., o distrito federal da capital. O presidente Barack Obama comanda o país pela segunda vez e seu grande desfio é conciliar manutenção das políticas sociais e economia.

Os primeiros casos registrados de aids foram reconhecidos no país, em pacientes homossexuais masculinos provenientes de grandes cidades norte-americanas, como Nova York, Los Angeles e São Francisco. O país tem uma história forte de militância contra a doença e deve a ela muitas de suas conquistas.

Os Estados Unidos são o terceiro país mais visitado do mundo, atrás de França e Espanha. Nova York é uma das maiores e mais influentes cidades do planeta, com alguns dos principais símbolos e pontos turísticos do país, como a Estátua da Liberdade, o Empire State Building, o Central Park, a Times Square, a Ponte do Brooklyn, Manhattan e a Quinta Avenida.

Portugal

Com uma população estimada em 11,04 milhões de pessoas, o PIB girando em torno de US$ 210,6 bilhões, Portugal, segundo o Centro Europeu para Prevenção e Controle das Doenças, é o terceiro maior país que registra novos casos de HIV por ano.

Pesquisa feita pelo Centro, ligado à Organização Mundial de Saúde, registra também 7 casos por 100 mil habitantes. O primeiro caso por infecção pelo HIV foi registrado em Portugal em 1983. O Unaids informa que atualmente o país tem em média 42.580 infecções, uma prevalência nacional para o HIV de 0.5%.

Desde o início da epidemia, 75% dos casos notificados situam-se entre os 20 e os 44 anos. Desde 2004, a transmissão entre os homossexuais e bissexuais tem diminuído. Nas regiões Lisboa e Vale do Tejo e Norte verifica-se um número maior de casos notificados. O crescimento do número de infecções em imigrantes, acima de 23% nos últimos anos, tem preocupado as autoridades de saúde.

Portugal, há 30 anos, tornou-se um destino de imigrantes. Começou por ser procurado por moradores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa e, nos últimos anos, da Europa do leste. Segundo dados oficiais, cerca de 500 mil estrangeiros vivem em Portugal, mas estes números refletem apenas os vistos de residência e autorizações de permanência.

SOS Imigrante

Com o objetivo de diminuir a vulnerabilidade dos estrangeiros perante a aids, o governo português criou o SOS Imigrante. Numa sala pequena dentro de um enorme prédio em Lisboa, a capital do país, funciona este serviço. Por telefone, os interessados podem tirar dúvidas sobre os processos de legalização, contratos de trabalho ou acesso a cuidados de saúde, incluindo para o tratamento da aids.

Segundo o presidente da Direção do Grupo Português de Ativistas sobre o Tratamento da Aids, Luís Mendão, o país tem progredido na distribuição de antirretrovirais, mas ainda é difícil o acesso para quem não tem situação legalizada. A legislação portuguesa determina que imigrantes sem documentação no país, com doenças de risco, como a aids, e que dispõem de tratamento no próprio país podem permanecer por um ano para cuidados médicos. Depois disso, são obrigados a deixar Portugal. Caso não haja o tratamento no país de origem, o imigrante pode ficar mais tempo.

O problema é que a maior parte dos imigrantes “não só desconhece os mecanismos legais, como não sabe que há instituições em Portugal que podem ajudar a vencer a burocracia que os rodeia”, finaliza a ativista Flora Silva.

Estrangeiros com aids no Brasil

O sistema público de saúde no Brasil atende por tempo ilimitado qualquer cidadão, independentemente da sua origem. Em 2009, 800 estrangeiros receberam medicamentos antirretrovirais no país, segundo o Ministério da Saúde.

O Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids do Estado de São Paulo tem registrado 171 pacientes estrangeiros com HIV. Destes, 28 são de Angola, 23 de Portugal e 15 do Chile.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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