Especial_COPA DO MUNDO: Preconceito é grande desafio no Equador. Na França, imigrantes estão entre os mais vulneráveis

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25/06/2014 – 10h15
 
A seleção do Equador empatou nessa quarta-feira (25) com a França, em zero a zero, na disputa das 17h no estádio do Maracanã, Rio de Janeiro. Com o resultado, o Equador foi eliminado e a França ficou na liderança do Grupo E. Conheça o cenário da aids nos dois países.

Equador

Estima-se em 37 mil o número de pessoas vivendo com HIV/aids no Equador, que tem uma população de cerca de 15 milhões de pessoas. Em 2009, o país emitiu uma licença compulsória para o antirretroviral clopinavir/ritonavir e, com a versão genérica do medicamento, conseguiu uma economia de 30%, o que permitiu ao governo oferecer o tratamento a mais pacientes que dele necessitassem.

O país passou a ter avanços importantes na luta contra a aids em 2007, com a implementação de políticas de atenção, tratamento abrangente e prevenção, com ênfase na transmissão vertical (de mãe para filho). O Brasil sempre foi parceiro do Equador nessas questões.

Assim como em outros países da América Latina, depois de mais de 30 anos de epidemia, a grande luta no Equador ainda é contra o preconceito. O estigma e a discriminação fazem com que muitos equatorianos enfrentem a doença às escondidas por medo de sofrerem rejeição sócia. Segundo uma enquete de 2010, 75% dos cidadãos da capital, Quito, não morariam com moradores infectados pelo HIV.

Mais números

• Em 2011 estimava-se em 9 mil o número de pessoas em tratamento
• Em 1984 foram registrados os primeiros casos de HIV
• Até 2009 foram registrados cerca de 16 mil casos

Sobre o país

O pequeno Equador tem paisagens belíssimas e um dos destinos obrigatórios para quem gosta de conhecer belezas naturais é o arquipélago de Galápagos. A população tem fama de ser simpática e hospitaleira.

Quito, a capital, a 2.800 metros de altitude, tem como principal destaque um centro histórico reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1978. Outro patrimônio listado é a bela cidade colonial de Cuenca, com suas igrejas e edifícios coloniais e ruas calçadas de pedras e uma deliciosa atmosfera da América hispânica.

A capital do Equador também é conhecida por abrigar o ponto turístico que marca o ponto em que a linha do Equador divide os hemisférios norte e sul do globo.

O Equador tem 22 vulcões em seu território. Três deles, ainda ativos, estão próximos a Quito, motivo pelo qual o município vive em estado de alerta.

França

Cerca de 6.400 foram diagnosticadas portadores do HIV em 2012 na França, um número que segue estável desde 2007. Pessoas com menos de 25 anos representam 12% dos novos diagnósticos em 2012 e os com 50 anos ou mais, 18%.

De todos os diagnósticos em 2012, cerca de 2.650 foram em Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH), o que representa 42% dos casos neste ano. Os dados são do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids).

Ainda segundo o órgão das Nações Unidas, na população heterossexual, cerca de 3.500 pessoas receberam o resultado positivo para o HIV, o que representa 56% das descobertas. Ainda na população heterossexual, do total de infecções, 2.400 são em estrangeiros, basicamente em pessoas nascidas na África Subsaariana (77%) e mulheres (60%). Dos casos em franceses, 59% são em homens.

Em 2012, 5% dos diagnósticos foram descobertos num estágio inicial da infecção primária, 65%, na fase assintomática, 14% em fase inicial de aids e 16% numa fase mais evoluída.

Com relação aos usuários de drogas, o número é baixo: 80 casos, ou seja, 1% de todos os diagnósticos em 2012. A maioria deles em homens (90%).

Em 2013, o presidente da organização não governamental francesa Aides, Jean-Marie Le Gall, apresentou resultados preliminares de estudo que testou 20 mil pessoas para o HIV, na França. Entre os HSH brancos, 1,73% dos resultados foram positivos.

Já na população de gays que vivem em comunidades de imigrantes, a prevalência foi quase o dobro: 3,47%. Entre os imigrantes heterossexuais, a proporção de casos positivos encontrados foi de 0,8%, sendo 1,01% em mulheres e 0,73% entre homens.

Para Le Galll, o resultado comprovou que os imigrantes estão mais vulneráveis ao vírus da aids. “São pessoas que sofrem maior estigma e, consequentemente, têm menos acesso aos serviços de saúde e à testagem.”

Mais números

Habitantes: 66 milhões
Pessoas vivendo com HIV/aids: cerca de 160 mil
Taxa de prevalência em adultos maiores de 15 anos: 0,3% – 0,4%
Mulheres maiores de 15 vivendo com HIV: de 38 a 59 mil

Sobre o país

A França está entre os países mais ricos e desenvolvidos do mundo. Na Europa, ocupa o terceiro lugar entre as economias do continente, superada somente pela Alemanha e pelo Reino Unido. A população francesa tem uma boa qualidade de vida, apresenta bons indicadores sociais. Além disso, a renda per capita é uma das melhores do mundo. A constituição francesa concede o direito de culto no país, onde as religiões são divididas entre: catolicismo (maioria), agnosticismo, ateísmo, islamismo, protestantismo e judaísmo.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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