Especial_COPA DO MUNDO: No Brasil, governo oferece tratamento gratuito contra aids desde 1996. Em Camarões, 56% das grávidas com HIV não têm acesso a tratamento

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__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong

23/06/2014 – 12h10
atualizado às 19h

A seleção brasileira derrotou Camarões por 4 a 1, com dois gols de Neymar, um de Fred e outro de Fernandinho, nesta segunda-feira(23), em Brasília, e se classificou para enfrentar o Chile nas oitavas de final da Copa do Mundo. Com o resultado, o Brasil terminou a primeira fase na liderança do Grupo A, com sete pontos. O outro classificado da chave é o México, que venceu a Croácia por 3 x 1. Veja como é o cenário da aids nesses dois países:

Brasil

O Brasil é conhecido por ter um dos melhores programas de aids do mundo e é referência, contando com excelentes centros de tratamento, que sempre recebem equipes de médicos de outros países, para capacitá-los. Desde 1996, o acesso gratuito a tratamento para todas as pessoas infectadas é garantido por lei e está àdisposição nos serviços públicos.

Esse ano o Brasil adotou algumas medidas inovadoras para combater a aids. Uma delas é o teste por meio da saliva, que está sendo feito por ONgs e alguns serviços públicos, com resultados prontos em poucos minutos. A intenção é disponibilizar os testes nas farmácias, o que causa polêmica junto a alguns médicos e ativistas. Muitos temem que a medida desconsidere o impacto do diagnóstico positivo em quem o recebe. O certo é que a notícia de um resultado HIV positivo seja dado por profissionais treinados em fazer o acolhimento e o encaminhamento do paciente.

Outra medida é o tratamento antecipado, já adotado. Consiste em dar os antirretrovirais ao paciente assim que ele tem o diagnóstico positivo, independentemente de sua taxa de CD4 (células de defesa do organismo). Antes, os remédios só eram receitados quando o CD4 ficava abaixo de 500.

O Brasil é o terceiro país no mundo a adotar o tratamento antecipado, depois de Estados Unidos e França. Com ele, o governo espera diminuir a circulação do vírus – o medicamento diminui e até zera a carga viral. Ativistas e alguns médicos temem que haja, também, uma antecipação dos efeitos colaterais, como a lipodistrofia, que é a perda ou acúmulo de gordura corporal nas pessoas em tratamento. A lipodistrofia é, hoje, um dos enormes problemas da aids no Brasil (leia mais aqui).

Atualmente, no Brasil, há 718 mil pessoas vivendo com HIV/aids, segundo o último boletim epidemiológico do Minsitério da Saúde. Desses, 340 mil estão em tratamento e 150 mil desconhecem que têm o vírus. A população geral do Brasil está estimada em 200 milhões de habitantes e estima-se que, em 2013, 11 mil morreram em decorrência de complicações causdas pela aids.

Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2012, nosso país registrou 656.701 casos de aids, condição mais avançada da doença. Em 2011, foram notificados 38.776 casos e a taxa de incidência foi de 20,2 casos por 100 mil habitantes.

Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998.

Também em relação aos jovens, os dados apontam que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, há tendência de crescimento do HIV.

Quanto à forma de transmissão, entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV.

Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical, segundo os dados do boletim.

A epidemia no país é concentrada em grupos populacionais com comportamentos que os expõem a um risco maior de infecção, como homossexuais, prostitutas e usuários de drogas.

Em números absolutos, houve redução de casos em menores de cinco anos: passou de 846 casos, em 2001, para 745, em 2011, graças à política de redução da transmissão vertical (TV, da mãe para o bebê na gravidez, no parto ou na amamentação). Quando todas as medidas preventivas são adotadas, a chance de TV cai para menos de 1%.

O levantamento feito entre jovens, realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos de idade, indica que, em cinco anos, a prevalência do HIV nessa população aumentou de 0,09% para 0,12%. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade, maior o percentual de infectados.

Mais números do Brasil

• Mortes por aids entre homens até 2012: 190.215
• Mortes por aids entre mulheres até 2012: 75.371
• Faixa etária com maior incidência: 25 a 49 anos de idade
• Em 2002, a taxa de mortalidade era 6,3 por 100 mil habitantes
• Em 2011, a taxa de mortalidade foi de 5,6 em 100 mil habitantes
• Em 2012, o Brasil registrou 12 mil mortes por HIV/Aids
• 30% das mortes em 2012 se deram pela coinfecção por tuberculose

Camarões

Segundo informações do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids), em Camarões, os primeiros casos de HIV/aids foram notificados em 1986. Por meio de apoio financeiro internacional, o tratamento para a doença é fornecido gratuitamente desde 2007 e inclui medicamentos de primeira e segunda linhas e, também, para infecções oportunistas.

Camarões elaborou um plano batizado de Plano Estratégico Nacional de Luta contra a Aids com o objetivo de garantir, entre outras questões, acesso aos tratamentos e cuidados para as crianças e os adultos portadores do HIV.

Com população de 20,1 milhões, o país tem uma prevalência do HIV de 4,5%. As mulheres jovens, entre 19 e 24 anos, são as mais atingidas, somando 75% das infecções. O número de novas infecções por mulheres de 15 a 49 anos está estabilizado em torno de 21 mil.

Estudos indicam que a principal forma de infecção se dá por via sexual, seguida da transfusão de sangue e da transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho, por meio do parto ou da amamentação.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids) , a cobertura do tratamento antirretroviral aumentou de 21% para 64%, mas a transmissão vertical diminuiu apenas de 28% para 21% desde 2009. Mais da metade das mulheres grávidas, 56%, não tem acesso ao tratamento antirretroviral e 10% das mortes por gravidez são atribuídas ao HIV.

Camarões triplicou a cobertura da profilaxia antirretroviral nos últimos anos, diminuindo em 30% as novas infecções entre crianças, de 8,2 para 5,8 mil de 2009 a 2012. Mesmo assim, segundo relatório do Unaids, entre as crianças que necessitam dos medicamentos, apenas 15% têm acesso a eles.

Mais números

• Número de pessoas vivendo com HIV: 600 mil
• Índice de prevalência entre adultos – 15 a 49 anos: 4.5%
• Adultos com 15 anos ou mais vivendo com HIV: 540 mil
• Mulheres com 15 anos ou mais vivendo com HIV: 310 mil
• Crianças de 0 a 14 anos vivendo com HIV: 59 mil
• Número de crianças que necessitam de tratamento: 33 mil
• Mortes por aids: 35 mil
• Órfãos por aids de 0 a 17 anos: 330 mil

Sobre o país

Camarões localiza-se na África Subsaariana e tem o petróleo e a agricultura como pontos fortes da economia. Cerca de 30% da população não tem emprego e quase 50% vive abaixo da linha de pobreza. O país ocupa o 150º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que reúne 182 países.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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