Especial_COPA DO MUNDO: Na Rússia, há 1,3 milhão de soropositivos. Cenário de pobreza pode ocultar dados sobre aids na Argélia

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

26/06/2014 – 13h45

A Argélia está pela primeira vez na segunda fase de uma Copa do Mundo. Nesta quinta-feira, a seleção africana precisou superar o susto por sair atrás no placar logo no início e foi buscar um suado empate diante da Rússia por 1 a 1, na Arena da Baixada, em Curitiba. Exatamente o resultado que precisava para seguir no Mundial e fazer história. O resultado levou a Argélia a quatro pontos, na segunda colocação do Grupo H, atrás apenas da Bélgica. Com isso, os desacreditados africanos, que chegaram ao Brasil apontados por muitos como principais candidatos a ficarem com a lanterna da chave, foram às oitavas. Passar às quartas de final, no entanto, parece um sonho distante, já que o adversário será a Alemanha, nesta segunda, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.Veja como é o cenário da aids nesses dois países:

Argélia

A Argélia tem número insuficiente de médicos (um para 1000 pessoas) e de leitos hospitalares (2,1 para 1000 pessoas). É de difícil acesso para a água para 87% da população e para saneamento (92%).

Segundo o Banco Mundial, a Argélia está fazendo progressos em direção a sua meta de reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso sustentável à água potável e ao saneamento básico até 2015. Em consonância com essa política, o governo mantém um programa de imunização. No entanto, a falta de saneamento e água suja ainda causam tuberculose, hepatite, sarampo, febre tifóide, cólera e disenteria.

Em 2013, cerca de 0,10% da população com idades entre os 15 e 49 anos estava vivendo com HIV/aids. No entanto, os baixos números muitas vezes ocultam problemas, como o elevado nível de contaminação em determinados grupos sociais.

No sul da Argélia, estudos locais indicam que por volta de 1% das mulheres grávidas que recorrem aos pré-natais estão infectadas pelo HIV.

Mais números

• Taxa de mortalidade infantil: 31,1 por mil
• Expectativa de vida: 72 anos
• População: 33 milhões de pessoas

Sobre o país

Os pobres geralmente recebem cuidados de saúde gratuitos na Argélia, enquanto os ricos pagam para os cuidados de acordo com uma escala móvel. O acesso aos cuidados de saúde é reforçado pela exigência de que os médicos e dentistas trabalhem na saúde pública, pelo menos, cinco anos. No entanto, os médicos são mais facilmente encontrados nas cidades do norte do que no sul, a região do deserto.

Na ponta norte do mapa da África e livre do status de colônia francesa desde 1962, a Argélia é um país montanhoso e seco, com parte sujeita a terremotos, onde sopra um vento quente e carregado de pó e areia, especialmente comum no verão, chamado siroco.

A Argélia obteve a independência do governo francês em 1962. Desde então, o principal partido político do país, a Frente Nacional de Libertação (FLN), dominou a política apesar de alguma dissidência. Isso levou à intensa guerra civil, de 1992 a 1998. Em 1999, Abdelaziz Bouteflika se tornou presidente e foi reeleito em 2004 e continua até os dias atuais.

Dos milhões de colonos franceses que viviam na Argélia antes da independência, há agora 576 mil. A adição de todos os europeus e seus descendentes é estimada por formar 18% da população da Argélia.

Em muitos lares argelinos, há pelo menos duas televisões, uma para mulheres e menores (com canais que transmitem a sua produção em árabe), e um para os homens adultos (com canais em francês). A língua dentro do governo argelino e na política é o árabe. A maioria que usa a linguagem para o comércio e a cultura usa o francês.

Rússia

O primeiro caso documentado oficialmente de HIV na Rússia (então União Soviética) é de março de 1987. Antes disso, a União Soviética negou que tenha existido quaisquer infecções pelo vírus dentro de seu território. Os médicos foram pressionados a diagnosticar os casos como outras doenças e o governo não tomou medidas para proteger ou alertar o público sobre o que era a aids e como evitar a sua propagação.

A política de negação e repressão de diagnósticos de HIV não só inibiu uma resposta do governo à epidemia, mas também não permitiu estatísticas precisas. Faltam dados precisos sobre as pessoas infectadas no país.

Em 1988, a incidência de uso de drogas injetáveis foi considerada extremamente baixa, mas, em 1990, o número oficial registrado de usuários de drogas injetávies (UDI) foi de 30 mil. No entanto, esse número foi considerado baixo e fictício. A polícia soviética estimou que o número real era cerca de dez vezes maior.

Somente em 2002, o governo russo colaborou com o Banco Mundial para formar um projeto conjunto para combater o aumento de HIV/aids no país – o projeto era financiado em parte por um empréstimo do banco e em parte pela tesouro russo.

O número oficial de pessoas infectadas pelo HIV registrados em 2012 era de pouco mais de 703 mil. Na região que engloba a Europa Oriental e a Ásia Central, houve aumento de 250% no número de pessoas vivendo com HIV entre 2001 e 2010, de acordo com o último relatório global do Programa das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids), sendo que a Rússia e a Ucrânia respondem por 90% da epidemia na área.

Em 2010, o registro de novos casos da infecção foi de 50 mil; no ano passado, subiu para 70 mil (média de quase 10% ao ano). Hoje há 1,3 milhão de soropositivos na Rússia. Desse total, somente 15%, segundo o Unaids, ou 30%, de acordo com o governo russo, estão em tratamento com antirretrovirais.

Atualmente o país esta desenvolvendo uma vacina contra a aids, cujo protótipo é esperado para o fim deste ano e, logo em seguida, começarão testes clínicos do medicamento, segundo o Ministério da Saúde russo.

Sobre o país

A Rússia tem mais médicos, hospitais e profissionais de saúde per capita do que quase qualquer outro país. A constituição russa garante assistência médica universal e gratuita para todos os seus cidadãos. Na prática, porém, os serviços são parcialmente limitados e, desde a dissolução da União Soviética, a qualidade da saúde da população diminuiu consideravelmente, como resultado de mudanças sociais, econômicas e do estilo de vida.

A homossexualidade foi descriminalizada na Rússia em 1993, mas apenas 20 anos depois o tema começou a ser debatido pela sociedade. Uma lei proíbe a “propaganda” de relações sexuais “não-tradicionais” entre os menores de idade e traz à tona a problemática da homofobia no país. A distribuição de informação sobre homossexualidade a menores de idade pode ser punida com multas que variam entre 4 mil rublos (R$ 290), para indivíduos, e 1 milhão de rublos (R$ 72,7 mil), para organizações.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Apoios