30/06/2014 – 13h45
Atualizado às 19h30
No último jogo da Copa do Mundo em Porto Alegre (RS), no estádio Beira-Rio, a Alemanha venceu a Argélia por 2 a 1. Essas seleções disputaram uma partida num Mundial em 1982, com vitória para os africanos. Nesse reencontro, o placar se inverteu e, com a vitória da Alemanha, a Argélia foi desclassificada. A Agência de Notícias da Aids segue com a série de matérias sobre como os governos dos países dos times que entram em campo tratam a aids. Conheça a situação na Alemanha e na Argélia.
Alemanha
O Índice de Desenvolvimento Humano ( IDH) da Alemanha é de 0,920, considerado alto para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. (Pnud). Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids ( Unaids), a prevalência do HIV entre os adultos é de 0,1%. A maior parte das infecções é entre os homens que fazem sexo com homens (HSH). Estudo do instituto Robert Koch, publicado em novembro de 2011, informa que 52 mil pessoas estão em tratamento na Alemanha.
Um outro estudo, divulgado em 2007 pelo mesmo instituto sobre a evolução da epidemia na Alemanha, mostrou que a infecção pelo vírus HIV aumentou 12% entre homossexuais e 7,5% entre heterossexuais, em comparação ao ano anterior.
Os homossexuais representaram nesse estudo cerca de 65% dos novos casos da doença, ou seja, 2.285 dos 2.752 registrados.
O instituto alemão detectou uma diminuição no número de infecções entre os usuários de drogas e estrangeiros oriundos de países com alta prevalência do HIV.
De acordo com Escritório Federal Alemão de Pesquisa Sanitária, a distribuição de preservativos é insuficiente no país e os homossexuais não os usam em todas as relações. Em outros grupos da população sexualmente ativa, principalmente na faixa de idade de 16 a 44 anos, o uso de preservativos aumentou de 69% para 77% entre os anos de 2006 e 2007.
País criminaliza transmissão “proposital” do HIV
Na Alemanha, a transmissão do vírus HIV é considerada crime se um portador do vírus está ciente da infecção e, mesmo assim, mantém relações sexuais sem proteção. A questão é polêmica, levando em conta a difícil definição do que é proposital, especialmente considerando que, numa relação, as duas pessoas são responsáveis pela proteção.
Segundo a Deutsche Aids-Hilfe (DAF), desde os anos de 1990, aumentaram as condenações relacionadas à transmissão do HIV no país. JörgLitwinschuh, porta-voz dessa organização que reúne mais de cem associações regionais de prevenção ao HIV e aids na Alemanha, disse ser contra esta lei. "É um sinal de mais uma política restritiva perante os soropositivos", criticou.
Por outro lado, a secretária da Juventude da Baviera, Christine Hadertbauer, concorda com a criminalização. "Quando se tratar de um caso claro de lesão corporal intencional, o agressor precisa ser punido", defende a política do partido conservador União Social Cristã (CSU).
Argélia
A Argélia tem número insuficiente de médicos (um para 1000 pessoas) e de leitos hospitalares (2,1 para 1000 pessoas). É de difícil acesso para a água para 87% da população e para saneamento (92%).
Segundo o Banco Mundial, a Argélia está fazendo progressos em direção a sua meta de reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso sustentável à água potável e ao saneamento básico até 2015. Em consonância com essa política, o governo mantém um programa de imunização. No entanto, a falta de saneamento e água suja ainda causam tuberculose, hepatite, sarampo, febre tifóide, cólera e disenteria.
Em 2013, cerca de 0,10% da população com idades entre os 15 e 49 anos estava vivendo com HIV/aids. No entanto, os baixos números muitas vezes ocultam problemas, como o elevado nível de contaminação em determinados grupos sociais.
No sul da Argélia, estudos locais indicam que por volta de 1% das mulheres grávidas que recorrem aos pré-natais estão infectadas pelo HIV.
Mais números
• Taxa de mortalidade infantil: 31,1 por mil
• Expectativa de vida: 72 anos
• População: 33 milhões de pessoas
Sobre o país
Os pobres geralmente recebem cuidados de saúde gratuitos na Argélia, enquanto os ricos pagam para os cuidados de acordo com uma escala móvel. O acesso aos cuidados de saúde é reforçado pela exigência de que os médicos e dentistas trabalhem na saúde pública, pelo menos, cinco anos. No entanto, os médicos são mais facilmente encontrados nas cidades do norte do que no sul, a região do deserto.
Na ponta norte do mapa da África e livre do status de colônia francesa desde 1962, a Argélia é um país montanhoso e seco, com parte sujeita a terremotos, onde sopra um vento quente e carregado de pó e areia, especialmente comum no verão, chamado siroco.
A Argélia obteve a independência do governo francês em 1962. Desde então, o principal partido político do país, a Frente Nacional de Libertação (FLN), dominou a política apesar de alguma dissidência. Isso levou à intensa guerra civil, de 1992 a 1998. Em 1999, Abdelaziz Bouteflika se tornou presidente e foi reeleito em 2004 e continua até os dias atuais.
Dos milhões de colonos franceses que viviam na Argélia antes da independência, há agora 576 mil. A adição de todos os europeus e seus descendentes é estimada por formar 18% da população da Argélia.
Em muitos lares argelinos, há pelo menos duas televisões, uma para mulheres e menores (com canais que transmitem a sua produção em árabe), e um para os homens adultos (com canais em francês). A língua dentro do governo argelino e na política é o árabe. A maioria que usa a linguagem para o comércio e a cultura usa o francês.
Agência de Notícias da Aids



