Especial_COPA DO MUNDO: Estrangeiros têm dificuldades de acessar tratamento de HIV/aids em Portugal. Em Gana, 240 mil vivem com o vírus

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26/06/2014 – 9h

atualizado às 15h30

Ter o melhor jogador do mundo apenas não basta – ainda mais longe de sua melhor forma. É preciso qualidade e um elenco competitivo para ir longe na Copa do Mundo. Tudo o que faltou a Portugal em 2014. Em mais uma atuação recheada de erros individuais, a seleção de Cristiano Ronaldo apenas confirmou o que já estava desenhado após as duas primeiras rodadas. Até venceu Gana por 2 a 1 na tarde desta quinta-feira, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, mas foi eliminada ainda na fase de grupos do Mundial. A seleção africana também deu adeus à competição com o resultado. Conheça o cenário da aids nos dois países.

Portugal

Com uma população estimada em 11,04 milhões de pessoas, o PIB girando em torno de US$ 210,6 bilhões, Portugal, segundo o Centro Europeu para Prevenção e Controle das Doenças, é o terceiro maior país que registra novos casos de HIV por ano.

Pesquisa feita pelo Centro, ligado à Organização Mundial de Saúde, registra também 7 casos por 100 mil habitantes. O primeiro caso por infecção pelo HIV foi registrado em Portugal em 1983. O Unaids informa que atualmente o país tem em média 42.580 infecções, uma prevalência nacional para o HIV de 0.5%.

Desde o início da epidemia, 75% dos casos notificados situam-se entre os 20 e os 44 anos. Desde 2004, a transmissão entre os homossexuais e bissexuais tem diminuído. Nas regiões Lisboa e Vale do Tejo e Norte verifica-se um número maior de casos notificados. O crescimento do número de infecções em imigrantes, acima de 23% nos últimos anos, tem preocupado as autoridades de saúde.

Portugal, há 30 anos, tornou-se um destino de imigrantes. Começou por ser procurado por moradores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa e, nos últimos anos, da Europa do leste. Segundo dados oficiais, cerca de 500 mil estrangeiros vivem em Portugal, mas estes números refletem apenas os vistos de residência e autorizações de permanência.

SOS Imigrante

Com o objetivo de diminuir a vulnerabilidade dos estrangeiros perante a aids, o governo português criou o SOS Imigrante. Numa sala pequena dentro de um enorme prédio em Lisboa, a capital do país, funciona este serviço. Por telefone, os interessados podem tirar dúvidas sobre os processos de legalização, contratos de trabalho ou acesso a cuidados de saúde, incluindo para o tratamento da aids.

Segundo o presidente da Direção do Grupo Português de Ativistas sobre o Tratamento da Aids, Luís Mendão, o país tem progredido na distribuição de antirretrovirais, mas ainda é difícil o acesso para quem não tem situação legalizada. A legislação portuguesa determina que imigrantes sem documentação no país, com doenças de risco, como a aids, e que dispõem de tratamento no próprio país podem permanecer por um ano para cuidados médicos. Depois disso, são obrigados a deixar Portugal. Caso não haja o tratamento no país de origem, o imigrante pode ficar mais tempo.

O problema é que a maior parte dos imigrantes “não só desconhece os mecanismos legais, como não sabe que há instituições em Portugal que podem ajudar a vencer a burocracia que os rodeia”, finaliza a ativista Flora Silva.

Estrangeiros com aids no Brasil

O sistema público de saúde no Brasil atende por tempo ilimitado qualquer cidadão, independentemente da sua origem. Em 2009, 800 estrangeiros receberam medicamentos antirretrovirais no país, segundo o Ministério da Saúde.

O Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids do Estado de São Paulo tem registrado 171 pacientes estrangeiros com HIV. Destes, 28 são de Angola, 23 de Portugal e 15 do Chile.

Gana

Com uma população de cerca de 25 milhões de habitantes, Gana tem cerca de 240 mil vivendo com HIV/aids. Lá, a prevalência em relação à população é de 1,4%, segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas Sobre o HIV/Aids (Unaids) de 2012. 

Cerca de 3.800 mulheres e mais de 800 crianças se infectaram em 2012. A cobertura da transmissão vertical (TV) aumentou de 32% para 95% desde 2009, mas 1 em 4 mulheres grávidas ainda não recebem tratamento.

Os números da aids em Gana têm variações gritantes, de acordo com áreas geográficas, sexo, idade e residência. Em 2009, por exemplo, em 40 locais pesquisados, variaram de 0,7% no distrito de North Tongu para 5,8% em Agomanya e Koforidua.

Os índices sobem em grupos vulneráveis em relação à população geral. A prevalência do HIV entre profissionais do sexo, por exemplo, foi de 25,1%, em 2009. Entre os jovens, de 2,1%, superior a 2008 (1,9%).

O primeiro caso de aids foi registrado em 1986. Desde então, a prevalência fica acima de 1% — segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia é generalizada.

Mais números

• 120 mil crianças de 0 a 14 anos vivem com HIV/aids em Gana
• 28 mil já morreram em decorrência da aids
• 12 mil é o número de órfãos da aids no país
• Em 2003, a cobertura de antirretrovirais era de 0,3%
• Em 2009, a cobertura de antirretrovirais era de 40%

Redação da Agência de Notícias da Aids

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