Especial_COPA DO MUNDO: Cerca de 20 mil pessoas vivem com HIV/aids na Bélgica. Na Rússia, há 1,3 milhão de soropositivos

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__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong

22/06/2014 – 09h30

atualizada às 16h30

Em um jogo fraco, a Bélgica derrotou a Rússia ficaram por 1 a 0 em partida válida pela segunda rodada do Grupo H da Copa do Mundo 2014. Com o resultado, a seleção belga chega aos 6 pontos, e garante classificação para as oitavas de final da competição. Já os russos, precisam torcer por uma combinação de resultados, além de vencer a Argélia no próximo confronto válido no Mundial de Futebol. Saiba como os dois países tratam a aids em seus territórios.

Bélgica

Na Bélgica, a presença de casos de HIV/aids entre adultos, de 15 a 49 anos, é de 0,2%, ou seja, em torno de 20 mil belgas vivem com a doença no pais. A taxa entre homens que fazem sexo com homens (HSH) é de 40% dos casos novos.

Recentemente, a Bélgica deu um passo à frente na sua resposta à aids com o lançamento de seu primeiro Plano Estratégico Nacional para o HIV. A própria Rainha Matilde acompanhou sua formulação e o lançamento. O planejamento 2014-2019 tem três pilares centrais: prevenção do HIV, testes e tratamento e cuidado e apoio. O plano aborda um contexto no qual mais de mil novas infecções por HIV estão sendo relatados a cada ano. E prioriza as populações mais afetadas, incluindo homens que fazem sexo com homens (HSH) e trabalhadores migrantes. Apesar de o número de pessoas que vivem com HIV na Bélgica ser considerado baixo, a taxa de novas infecções não tem diminuído nos últimos anos.

Como membro do Conselho de Coordenação do Programa das Nações Unidas Para o HIV/Aids (Unaids), no início desse ano a Bélgica renovou seu compromisso financeiro para apoiar os esforços no sentido de ajudar os países a atingir suas metas de HIV. Essa contribuição, de 14,52 milhões de euros, colocou a Bélgica no top 10 doadores do Unaids.

Mais números

• População: 10,7 milhões de habitantes.
• 17,20% da população têm 65 anos ou mais
• 80% das pessoas com mais de 65 anos têm uma doença crônica
• 85% daqueles com mais de 75 anos sofrem de três doenças crônicas.

Sobre o país

Nos pouco mais de 30 mil quilômetros quadrados do reino da Bélgica vivem mais de 10 milhões de súditos de sua majestade o Rei Philipe. Conhecido pela alta qualidade de vida e por teu um dos melhores sistemas de saúde do mundo, o pais possui expectativa de vida de 80 anos. O setor dos cuidados em saúde representava 10,9% do PIB. Desse total, 70% são pagos pelo poder público e 30%, por contribuição direta do usuário.

Cerca de 5% a 10% da população consome 50% a 65% do total do orçamento, sendo que grande parte dessa quantia se dá em função do tratamento de doenças crônicas.

O país também tem uma política liberal em relação a costumes e a direitos humanos. Foi o segundo no mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2003, e a adoção de tais casamentos em 2006. Desde 2001, o governo da Bélgica decidiu descriminalizar o consumo pessoal e a posse de pequena quantidade de maconha e a legislação em relação ao aborto permite a interrupção voluntária da gravidez até 12 semanas de gestação.

A Bélgica fica na Europa Ocidental e hospeda em seu território a sede da União Europeia . As duas maiores regiões da Bélgica são a de língua holandesa, na região dos Flandes ao norte, onde vivem 59% da população e a Frances, ao sul, habitada por 31% dos belgas. A região de Bruxelas é oficialmente bilíngüe.

Rússia

O primeiro caso documentado oficialmente de HIV na Rússia (então União Soviética) é de março de 1987. Antes disso, a União Soviética negou que tenha existido quaisquer infecções pelo vírus dentro de seu território. Os médicos foram pressionados a diagnosticar os casos como outras doenças e o governo não tomou medidas para proteger ou alertar o público sobre o que era a aids e como evitar a sua propagação.

A política de negação e repressão de diagnósticos de HIV não só inibiu uma resposta do governo à epidemia, mas também não permitiu estatísticas precisas. Faltam dados precisos sobre as pessoas infectadas no país.

Em 1988, a incidência de uso de drogas injetáveis foi considerada extremamente baixa, mas, em 1990, o número oficial registrado de usuários de drogas injetávies (UDI) foi de 30 mil. No entanto, esse número foi considerado baixo e fictício. A polícia soviética estimou que o número real era cerca de dez vezes maior.

Somente em 2002, o governo russo colaborou com o Banco Mundial para formar um projeto conjunto para combater o aumento de HIV/aids no país – o projeto era financiado em parte por um empréstimo do banco e em parte pela tesouro russo.

O número oficial de pessoas infectadas pelo HIV registrados em 2012 era de pouco mais de 703 mil. Na região que engloba a Europa Oriental e a Ásia Central, houve aumento de 250% no número de pessoas vivendo com HIV entre 2001 e 2010, de acordo com o último relatório global do Programa das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids), sendo que a Rússia e a Ucrânia respondem por 90% da epidemia na área.

Em 2010, o registro de novos casos da infecção foi de 50 mil; no ano passado, subiu para 70 mil (média de quase 10% ao ano). Hoje há 1,3 milhão de soropositivos na Rússia. Desse total, somente 15%, segundo o Unaids, ou 30%, de acordo com o governo russo, estão em tratamento com antirretrovirais.

Atualmente o país esta desenvolvendo uma vacina contra a aids, cujo protótipo é esperado para o fim deste ano e, logo em seguida, começarão testes clínicos do medicamento, segundo o Ministério da Saúde russo.

Sobre o país

A Rússia tem mais médicos, hospitais e profissionais de saúde per capita do que quase qualquer outro país. A constituição russa garante assistência médica universal e gratuita para todos os seus cidadãos. Na prática, porém, os serviços são parcialmente limitados e, desde a dissolução da União Soviética, a qualidade da saúde da população diminuiu consideravelmente, como resultado de mudanças sociais, econômicas e do estilo de vida.

A homossexualidade foi descriminalizada na Rússia em 1993, mas apenas 20 anos depois o tema começou a ser debatido pela sociedade. Uma lei proíbe a “propaganda” de relações sexuais “não-tradicionais” entre os menores de idade e traz à tona a problemática da homofobia no país. A distribuição de informação sobre homossexualidade a menores de idade pode ser punida com multas que variam entre 4 mil rublos (R$ 290), para indivíduos, e 1 milhão de rublos (R$ 72,7 mil), para organizações.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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