__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong
14/06/2014 – 10h50
Atualizado em 14/06/2014 15h30
A Agência de Notícias da Aids segue publicando uma série de matérias que pretende traçar o cenário da aids no país de cada uma das seleções que vieram disputar a Copa do Mundo. Ausente nos últimos três Mundiais, a Colômbia retornou ao torneio com vitória e muita festa na tarde desse sábado (14). Com o Mineirão todo a seu favor, a Colômbia venceu a Grécia por 3 a 0 na abertura do Grupo C do Mundial. Conheça a situação da aids nestes países:
Colômbia
O Unaids estima que 150 mil pessoas vivem com HIV/aids na Colômbia, país que entra em campo nesse sábado (14), contra a Grécia, depois de 16 anos sem participar de uma Copa do Mundo. Desse total de infectados, 42 mil são mulheres — no país, vivem 48 milhões de pessoas.
Na capital, Bogotá, os casos da doença aumentaram 23% em 2013, quase 300 casos a mais que em 2012. Segundo matéria do “Colombia Reports”, de abril desse ano, na cidade se concentram 40% dos casos.
Em entrevista ao jornal “El Espectador” , o secretário de Saúde de Bogotá, Aldo Enrique Cadena, disse que seu maior desafio é romper as barreiras do teste de HIV, pois ele ainda não é disponibilizado a toda a população, embora o governo tenha assumido, em 2005, o compromisso de oferecer tratamento a toda a população.
Cadena está certo de que a dificuldade da população em acessar os testes é fator determinante para o aumento da infecção. Se a situação é assim na capital, imagine no interior. O secretário citou, na matéria, duas cidades com maiores dificuldades no enfrentamento da aids: Barranquilla e Cartagena, destino turístico de belas praias.
Diante dos números assustadores, o Fundo Global de HIV promete investir cerca US$ 25 milhões, nos próximos três anos, no combate à epidemia em comunidades vulneráveis da Colômbia. O projeto vai priorizar as populações de homens que fazem sexo com homens (HSH), moradores de rua, transexuais, profissionais do sexo e mulheres.
Mais números
• Número de casos registrados em Bogotá em 2013: 1651
• Número de mortes por aids em Bogotá em 2013: 325
• Número de mortes por aids no país em 2012: 6.500
• Incidência na faixa entre 15 e 35 anos: 60%
• Proporção de infectados por gênero na década de 80: 55 homens para cada mulher
• Proporção de infectados por gênero na década de 90: 7 homens para cada mulher
• Proporção de infectados por gênero nos anos 2000: 2 homens para cada mulher
Sobre o país
Terceira economia sul-americana, a Colômbia é, ao lado do Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de café do mundo. Também é famosa pelo litoral de praias belíssimas, onde se concentram os maiores centros urbanos e a maioria de sua população. Sua economia está dividida em 13,9% para agricultura, 55,8% para serviços e 30,3% para indústria.
Com um rico patrimônio histórico, a Colômbia tem a segunda maior população da América do Sul, constituída a partir da mistura entre índios, africanos e europeus, sobretudo, espanhóis.
País do escritor Gabriel García Márquez, é palco de interminávies guerrilhas, tendo dois grandes grupos atuantes: as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).
Grécia
O aumento de 200% nos casos de HIV/aids na Grécia desde 2011 colocou o país no centro de uma imensa polêmica, no ano passado. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que metade das novas infecções era adquirida de propósito, com a população se autoinjetando para poder receber o seguro saúde do governo, de 700 euros (cerca de R$ 2.100). O mundo se indignou e a OMS pediu desculpas. Atribuiu a informação a um erro de edição e disse que apenas uns poucos gregos se autoinfectavam visando o benefício.
Vivendo uma grave crise econômica desde 2010, a Grécia enfrenta vários problemas e a área da saúde é uma das mais afetadas. Estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, de 2011, mostrou que o uso de drogas injetáveis é responsável por metade das infecções. A outra metade, indicou o estudo, estava ligada ao sexo inseguro e ao aumento da prostituição.
A política de enfrentamento da aidsda Grécia passa bem longe de ser a recomendada.Também no ano passado, o Programa das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids) teve de interceder junto às autoridades, exigindo delas o respeito aos direitos humanos. Segundo denúncias, elas obrigavam as profissionais do sexo a fazerem o teste de HIV e as que apresentavam resultado positivo tinham o nome, a foto e o status sorológico revelados, como ficha criminal, na página da polícia na internet.
Mais números
•Habitantes: 11 milhões
•Taxa de infecção por HIV em 2003: 3,9 para 100 mil pessoas
•Taxa de infecção por HIV em 2012: 10,9 para 100 mil pessoas
Sobre o país
País dos grandes pensadores, grandes filósofos e grandes templos, a Grécia também tem praias belíssimas e é um dos destinos turísticos mais disputados do mundo.
Redação da Agência de Notícias da Aids


