Especial_COPA DO MUNDO: Brasil e México têm batalhas em comum no campo da aids, mas Brasil é mais adiantado no tratamento

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__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong

17/06/2014 – 11h

O Brasil empatou com o México, nesta terça-feira, por 0 a 0 em partida disputada na Arena Castelão (em Fortaleza). Com público superior a 60 mil pagantes, a seleção brasileira ficou presa na marcação mexicana e até passou alguns sustos nos contra-ataques. O destaque da partida foi o goleiro mexicano Ochoa que fez pelo menos quatro defesas difíceis. Na próxima rodada, na terça-feira (dia 23), a seleção vai a Brasília para jogar contra Camarões, enquanto o México fecha sua participação na primeira fase contra Croácia, no Recife. Conheça agora os números desses países em relação ao enfrentamento da aids:

México

No México, cerca de 170 mil pessoas vivem com HIV numa população estimada em 120,8 milhões de pessoas. Segundo estimativas do Programa Conjunto das Nações Unidas Para o HIV/Aids (Unaids), desse total, 82% são do sexo masculino — para cada mulher há 4,6 homens vivendo com o vírus, no país.

A epidemia do HIV é classificada como concentrada, uma vez que não avançou na população em geral, mas se mantém em populações específicas, como nos homens que fazem sexo com homens (HSH), usuários de drogas injetáveis (UDI), homens profissionais do sexo e, em menor escala, mulheres profissionais do sexo e população carcerária.

A forma de transmissão em 90% dos casos é por via sexual, principalmente entre os homens com mais de 15 anos. Nos primeiros anos da epidemia, os homens homossexuais e bissexuais representavam mais de 90% do total de casos registrados. Segundo o relatório, eles hoje são, aproximadamente, 50% do total. A transmissão vertical (TV, infecção da mãe para o filho na gravidez, no parto ou na amamentação) apresenta uma porcentagem baixíssima.

A prevalência do vírus na população adulta (entre 15 e 49 anos) é de 0,24%, sendo superior a 5% entre HSH, UDI e homens profissionais do sexo. Em relação à idade, o grupo de 30 a 34 anos tem a maior porcentagem de casos diagnosticados (19,8%), seguido do grupo de 25 a 29 anos (18,2%) e do grupo de 35 a 39 anos (16,4%).

Os primeiros casos de aids no México foram registrados em 1983, ano em que pouco se conhecia da infecção e não existiam manuais padronizados para confirmar a identificação dos casos. Só a partir de 2003, os mexicanos passaram a ter acesso universal ao tratamento antirretroviral.

Nos últimos anos, o esforço do país em relação à oferta de remédios e à atenção integral, combinado com estratégias preventivas e de combate ao estigma, à discriminação e à homofobia, começou a render frutos. A mortalidade associada à aids caiu de 4,9 mortes a cada cem mil pessoas para 4,5.

Em relação à prevenção, as primeiras ações foram dirigidas ao controle da transmissão por transfusão de sangue e à prevenção junto às mulheres profissionais do sexo. Paulatinamente e, diante das evidências da concentração da transmissão entre os HSH, assim como o importante crescimento da epidemia em UDI, a estratégia foi reformulada para alcançar também esses grupos.

Sobre o país

O México tem uma população estimada de 120,8 milhões de pessoas. É um país predominantemente católico e uma das maiores economias do mundo, sendo uma potência regional. Desde 1994, é o primeiro país latino-americano membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Tem renda média alta consolidada, ocupando o 61º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que reúne 182 países.

O país ainda ocupa o quinta posição no mundo e a primeira das Américas em número de Patrimônios Mundiais da Unesco, com 31 lugares que receberam esse título e, em 2007, foi o 10º mais visitado do mundo, com 21,4 milhões de turistas internacionais.

Brasil

O Brasil é conhecido por ter um dos melhores programas de aids do mundo e é referência, contando com excelentes centros de tratamento, que sempre recebem equipes de médicos de outros países, para capacitá-los. Desde 1996, o acesso gratuito a tratamento para todas as pessoas infectadas é garantido por lei e está àdisposição nos serviços públicos.

Esse ano o Brasil adotou algumas medidas inovadoras para combater a aids. Uma delas é o teste por meio da saliva, que está sendo feito por ONgs e alguns serviços públicos, com resultados prontos em poucos minutos. A intenção é disponibilizar os testes nas farmácias, o que causa polêmica junto a alguns médicos e ativistas. Muitos temem que a medida desconsidere o impacto do diagnóstico positivo em quem o recebe. O certo é que a notícia de um resultado HIV positivo seja dado por profissionais treinados em fazer o acolhimento e o encaminhamento do paciente.

Outra medida é o tratamento antecipado, já adotado. Consiste em dar os antirretrovirais ao paciente assim que ele tem o diagnóstico positivo, independentemente de sua taxa de CD4 (células de defesa do organismo). Antes, os remédios só eram receitados quando o CD4 ficava abaixo de 500.

O Brasil é o terceiro país no mundo a adotar o tratamento antecipado, depois de Estados Unidos e França. Com ele, o governo espera diminuir a circulação do vírus – o medicamento diminui e até zera a carga viral. Ativistas e alguns médicos temem que haja, também, uma antecipação dos efeitos colaterais, como a lipodistrofia, que é a perda ou acúmulo de gordura corporal nas pessoas em tratamento. A lipodistrofia é, hoje, um dos enormes problemas da aids no Brasil (leia mais aqui).

Atualmente, no Brasil, há 718 mil pessoas vivendo com HIV/aids, segundo o último boletim epidemiológico do Minsitério da Saúde. Desses, 340 mil estão em tratamento e 150 mil desconhecem que têm o vírus. A população geral do Brasil está estimada em 200 milhões de habitantes e estima-se que, em 2013, 11 mil morreram em decorrência de complicações causdas pela aids.

Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2012, nosso país registrou 656.701 casos de aids, condição mais avançada da doença. Em 2011, foram notificados 38.776 casos e a taxa de incidência foi de 20,2 casos por 100 mil habitantes.

Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998.

Também em relação aos jovens, os dados apontam que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, há tendência de crescimento do HIV.

Quanto à forma de transmissão, entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV.

Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical, segundo os dados do boletim.

A epidemia no país é concentrada em grupos populacionais com comportamentos que os expõem a um risco maior de infecção, como homossexuais, prostitutas e usuários de drogas.

Em números absolutos, houve redução de casos em menores de cinco anos: passou de 846 casos, em 2001, para 745, em 2011, graças à política de redução da transmissão vertical (TV, da mãe para o bebê na gravidez, no parto ou na amamentação). Quando todas as medidas preventivas são adotadas, a chance de TV cai para menos de 1%.

O levantamento feito entre jovens, realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos de idade, indica que, em cinco anos, a prevalência do HIV nessa população aumentou de 0,09% para 0,12%. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade, maior o percentual de infectados.

Mais números do Brasil

• Mortes por aids entre homens até 2012: 190.215
• Mortes por aids entre mulheres até 2012: 75.371
• Faixa etária com maior incidência: 25 a 49 anos de idade
• Em 2002, a taxa de mortalidade era 6,3 por 100 mil habitantes
• Em 2011, a taxa de mortalidade foi de 5,6 em 100 mil habitantes
•Em 2012, o Brasil registrou 12 mil mortes por HIV/Aids
• 30% das mortes em 2012 se deram pela coinfecção por tuberculose

Redação da Agência de Notícias da Aids

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