__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong
16/06/2014 – 12h50
Em um dos jogos mais esperados da Copa, a Alemanha venceu com muita facilidade a seleção de Portugal, com um placar de 4 a 0. A partida foi disputada, nesta segunda-feira (16), na Arena Fonte Nova, em Salvador. País da Comunidade Econômica Europeia com o maior número de habitantes, 82 milhões de pessoas , a Alemanha tem o PIB de US$ 2,951 trilhões. Com uma população estimada em 11milhões de pessoas, Portugal, também da Comunidade Econômica Europeia, tem PIB em torno de US$ 210,6 bilhões. Conheça como eles enfrentam a aids dentro de suas fronteiras.
Alemanha
O Índice de Desenvolvimento Humano ( IDH) da Alemanha é de 0,920, considerado alto para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. (Pnud). Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids ( Unaids), a prevalência do HIV entre os adultos é de 0,1%. A maior parte das infecções ocorre entre os homens que fazem sexo com homens (HSH). Do instituto Robert Koch, estudo publicado em novembro de 2011 informa que 52 mil pessoas estão em tratamento na Alemanha.
Um outro estudo, divulgado em 2007 pelo mesmo instituto sobre a evolução da epidemia na Alemanha, mostrou que a infecção pelo vírus HIV aumentou 12% entre homossexuais e 7,5% entre heterossexuais, em comparação ao ano anterior.
Os homossexuais representaram neste estudo cerca de 65% dos novos casos da doença, ou seja, 2.285 dos 2.752 registrados.
O instituto alemão detectou uma diminuição no número de infecções entre os usuários de drogas e estrangeiros oriundos de países com alta prevalência do HIV.
De acordo com Escritório Federal Alemão de Pesquisa Sanitária, a distribuição de preservativos é insuficiente no país e os homossexuais não os usam em todas as relações. Em outros grupos da população sexualmente ativa, principalmente na faixa de idade de 16 a 44 anos, o uso de preservativos aumentou de 69% para 77% entre os anos de 2006 e 2007.
País criminaliza transmissão proposital do HIV
Na Alemanha, a transmissão do vírus HIV é considerada crime se um portador do vírus está ciente da infecção e, mesmo assim, mantém relações sexuais sem proteção.Segundo a Deutsche Aids-Hilfe (DAF), desde os anos de 1990, aumentaram as condenações relacionadas à transmissão do HIV no país. Jörg Litwinschuh, porta-voz dessa organização que reúne mais de cem associações regionais de prevenção ao HIV e aids na Alemanha, disse ser contra esta lei. "É um sinal de mais uma política restritiva perante os soropositivos", criticou.
Por outro lado, a secretária da Juventude da Baviera, Christine Hadertbauer, concorda com a criminalização. "Quando se tratar de um caso claro de lesão corporal intencional, o agressor precisa ser punido", defende a política do partido conservador União Social Cristã (CSU).
Portugal
Com uma população estimada em 11,04 milhões de pessoas, o PIB girando em torno de US$ 210,6 bilhões, Portugal, segundo o Centro Europeu para Prevenção e Controle das Doenças, é o terceiro maior país que registra novos casos de HIV por ano.
Pesquisa feita pelo Centro, ligado à Organização Mundial de Saúde, registra também 7 casos por 100 mil habitantes. O primeiro caso por infecção pelo HIV foi registrado em Portugal em 1983. O Unaids informa que atualmente o país tem em média 42.580 infecções, uma prevalência nacional para o HIV de 0.5%.
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Desde o início da epidemia, 75% dos casos notificados situam-se entre os 20 e os 44 anos. Desde 2004, a transmissão entre os homossexuais e bissexuais tem diminuído. Nas regiões Lisboa e Vale do Tejo e Norte verifica-se um número maior de casos notificados. O crescimento do número de infecções em imigrantes, acima de 23% nos últimos anos, tem preocupado as autoridades de saúde.
Portugal, há 30 anos, tornou-se um destino de imigrantes. Começou por ser procurado por moradores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa e, nos últimos anos, da Europa do leste. Segundo dados oficiais, cerca de 500 mil estrangeiros vivem em Portugal, mas estes números refletem apenas os vistos de residência e autorizações de permanência.
SOS Imigrante
Com o objetivo de diminuir a vulnerabilidade dos estrangeiros perante a aids, o governo português criou o SOS Imigrante. Numa sala pequena dentro de um enorme prédio em Lisboa, a capital do país, funciona este serviço. Por telefone, os interessados podem tirar dúvidas sobre os processos de legalização, contratos de trabalho ou acesso a cuidados de saúde, incluindo para o tratamento da aids.
Segundo o presidente da Direção do Grupo Português de Ativistas sobre o Tratamento da Aids, Luís Mendão, o país tem progredido na distribuição de antirretrovirais, mas ainda é difícil o acesso para quem não tem situação legalizada. A legislação portuguesa determina que imigrantes sem documentação no país, com doenças de risco, como a aids, e que dispõem de tratamento no próprio país podem permanecer por um ano para cuidados médicos. Depois disso, são obrigados a deixar Portugal. Caso não haja o tratamento no país de origem, o imigrante pode ficar mais tempo.
O problema é que a maior parte dos imigrantes “não só desconhece os mecanismos legais, como não sabe que há instituições em Portugal que podem ajudar a vencer a burocracia que os rodeia”, finaliza a ativista Flora Silva.
Estrangeiros com aids no Brasil
O sistema público de saúde no Brasil atende por tempo ilimitado qualquer cidadão, independentemente da sua origem. Em 2009, 800 estrangeiros receberam medicamentos antirretrovirais no país, segundo o Ministério da Saúde.
O Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids do Estado de São Paulo tem registrado 171 pacientes estrangeiros com HIV. Destes, 28 são de Angola, 23 de Portugal e 15 do Chile.
Redação da Agência de Notícias da Aids



