Desde o início até a final da Copa 2014, a Agência de Notícias da Aids publicou matérias mostrando como é o cenário da aids nos países que entraram em campo. Campeã do mundo, a Alemanha venceu a grande final contra a Argentina por um a zero. O jogo aconteceu na tarde desse domingo (13) no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. De bola, ambos provaram que são bons. Relembre, agora, como os países dessas seleções jogam quando a partida é contra a aids.
Alemanha
Ativistas da Alemanha lutam por uma lei que criminalize a discriminação às pessoas vivendo com HIV/aids. No Brasil, lei nesse sentido, reivindicação antiga do movimento social, foi sancionada no início de junho pela presidenta Dilma Rousseff.
Na Alemanha, embora grandes empresas façam campanha contra a discriminação de pessoas com HIV no ambiente de trabalho, a legislação não trata da punição ao preconceito. Ativistas reivindicam que a lei proibindo a discriminação de homossexuais e pessoas com deficiência, por exemplo, inclua os que vivem com HIV e outros doentes crônicos.
“A lei daria uma proteção importante na vida profissional dessas pessoas”, disse ao site DW Manuel Izdebski, diretor na Deutsche Aids-Hilfe, associação de apoio a portadores de HIV. Ele ressalta que os soropositivos podem ter vida normal há tempos, mas não têm por causa do estigma.
O Índice de Desenvolvimento Humano ( IDH) da Alemanha é de 0,920, considerado alto para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids ( Unaids), a prevalência do HIV entre os adultos é de 0,1%. A maior parte das infecções é entre os homens que fazem sexo com homens (HSH). Estudo do instituto Robert Koch, de novembro de 2011, informa que 52 mil pessoas estão em tratamento na Alemanha.
Um outro estudo, divulgado em 2007 pelo mesmo instituto sobre a evolução da aids na Alemanha, mostrou que a infecção pelo vírus HIV aumentou 12% entre homossexuais e 7,5% entre heterossexuais, em comparação ao ano anterior.
Os homossexuais representaram nesse estudo cerca de 65% dos novos casos da doença, ou seja, 2.285 dos 2.752 registrados.
O instituto alemão detectou uma diminuição no número de infecções entre os usuários de drogas e estrangeiros oriundos de países com alta prevalência do HIV.
De acordo com Escritório Federal Alemão de Pesquisa Sanitária, a distribuição de preservativos é insuficiente no país e os homossexuais não os usam em todas as relações. Em outros grupos da população sexualmente ativa, principalmente na faixa de idade de 16 a 44 anos, o uso de preservativos aumentou de 69% para 77% entre os anos de 2006 e 2007.
País criminaliza transmissão “proposital” do HIV
Na Alemanha, a transmissão do HIV é considerada crime se um portador do vírus está ciente da infecção e, mesmo assim, mantém relações sexuais sem proteção. A questão é polêmica.
Segundo a Deutsche Aids-Hilfe (DAF), desde os anos de 1990, aumentaram as condenações relacionadas à transmissão do HIV no país. Jörg Litwinschuh, porta-voz dessa organização que reúne mais de cem associações regionais de prevenção ao HIV/ aids na Alemanha, disse ser contra esta lei. "É um sinal de mais uma política restritiva perante os soropositivos", criticou.
Por outro lado, a secretária da Juventude da Baviera, Christine Hadertbauer, concorda com a criminalização. "Quando se tratar de um caso claro de lesão corporal intencional, o agressor precisa ser punido", defende a política do partido conservador União Social Cristã (CSU).
Argentina
Para uma população de aproximadamente 41 milhões de habitantes, a Argentina tem uma prevalência do HIV de 0,4% entre os adultos (de 15 a 49 anos) e cerca de 98 mil pessoas vivendo com o vírus, segundo dados do mais recente relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas Sobre HIV/Aids (Unaids), de 2012. O principal meio de transmissão é a relação sexual.
A porcentagem de pessoas em tratamento na Argentina é de 81%. Apesar da terapia antirretroviral estar acessível nas grandes cidades e ser garantida por lei no país, existe um problema de logística devido ao fato de a maioria das áreas mais pobres serem isoladas ou se situarem na zona rural. Além disso, o estigma dificulta o acesso, porque muitas pessoas hesitam em se tratar em suas comunidades – temendo o estigma após a revelação do diagnóstico, acabam optando por não procurarem os serviços de saúde.
Entre as mulheres, 32 mil vivem com o vírus. Um recente estudo realizado no país revelou que, nos últimos dois anos, a maior parte delas se infectou em relações com seus parceiros estáveis.
Um relatório do Ministério da Saúde afirma que a prevalência do HIV é de 34% entre travestis e transexuais, de 12% entre homossexuais e homens que fazem sexo com homens (HSH). A lipodistrofia (perda ou acúmulo de gordura que causam alterações físicas no corpo das pessoas em tratamento) é um dos grandes problemas que a Argentina enfrenta atualmente no combate à aids.
Redação da Agência de Notícias da Aids



