Especial_COPA DO MUNDO: 13 mil pessoas vivem com HIV na Coreia do Sul. Na Argélia, cenário de pobreza pode ocultar dados

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__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong

22/06/2014 – 10h30

atualizado às 18h30

Definitivamente, não há jogo morno em Porto Alegre nesta Copa do Mundo. Argélia e Coreia do Sul encantaram o público superior a 42 mil torcedores na tarde deste domingo, no Beira-Rio. Com a inesperada goleada por 4 a 2, os argelinos renasceram na disputa e decidem a vaga nas oitavas de final contra a Rússia. Sua última vitória havia sido na Copa de 1982. Saiba como os dois países tratam a aids em seus territórios.

Coreia do Sul

Numa das raras vezes em que uma notícia sobre aids ultrapassou a fronteira da região da República Democrática Popular da Coreia, a agência de notícias sul-coreana Yonhap divulgou uma entrevista com o diretor do Centro de Higiene e Combate às Epidemias da Coreia do Norte, Han Kyong Ho. “Havia 27 estrangeiros com análise positiva em seus exames e eles foram enviados a seus países”, afirmou Han.

De acordo com Han, a Coreia do Sul aplicou, de 1989 a 2005, o teste de HIV em mais de 400 mil pessoas, mas apenas esses estrangeiros receberam resultados positivos.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), a Coreia do Sul tem aproximadamente 13 mil pessoas infectadas, o que dá uma média de 0.1%. Dados de 2007 mostram, entretanto, que a cobertura do tratamento antirretroviral e da prevenção da transmissão vertical do HIV (da mãe para o bebê) estava em pouco mais de 30%. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde do país, 98,4% das infecções são por contato sexual.

País socialista e unipartidário, a República Democrática Popular da Coreia, cuja capital é Pyongyang, vive numa severa ditadura. Há quase cinco anos, Choe Ung-Jun, funcionário do Ministério da Saúde, disse ao “Korea Today”, publicação em inglês na internet, que não havia soropositivos na região.

“Porém, pratica-se a prevenção e a vigilância com o objetivo de impedir seu infiltramento”, argumentou Choe. Ele disse também que o país começava uma campanha de informação e outra de formação de especialistas em aids.

Sobre o país

A história recente do país tem sido sofrida. A Coreia foi dividida em dois países logo após a 2ª Guerra Mundial como uma consequência da Guerra Fria. Antes disso, porém, o país foi ocupado pelo Japão entre 1910 e 1945.

Em junho de 1950, tropas norte-coreanas invadiram a Coreia do Sul numa tentativa de unificação do regime comunista. O conflito armado durou três anos e culminou com a vitória sul-coreana.

A zona desmilitarizada entre os dois países continua sendo uma das áreas mais fortificadas e impenetráveis do mundo. A guerra quase irrompeu novamente no fim da década de 90, mas foi evitada graças a esforços diplomáticos. Não obstante, ainda há uma grande tensão entre as duas Coreias.

Na Coreia do Sul, capitalista e cuja capital é Seoul, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2007 mostrou ser elevado ( 0.93) e a população atual chega a quase 50 milhões de habitantes

A Coreia do Norte tem uma população estimada em 24 milhões de pessoas. O IDH feito pelas Nações Unidas em 1998 colocou o País num patamar médio, de 0.76.

Argélia

A Argélia tem número insuficiente de médicos (um para 1000 pessoas) e de leitos hospitalares (2,1 para 1000 pessoas). É de difícil acesso para a água para 87% da população e para saneamento (92%).

Segundo o Banco Mundial, a Argélia está fazendo progressos em direção a sua meta de reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso sustentável à água potável e ao saneamento básico até 2015. Em consonância com essa política, o governo mantém um programa de imunização. No entanto, a falta de saneamento e água suja ainda causam tuberculose, hepatite, sarampo, febre tifóide, cólera e disenteria.

Em 2013, cerca de 0,10% da população com idades entre os 15 e 49 anos estava vivendo com HIV/aids. No entanto, os baixos números muitas vezes ocultam problemas, como o elevado nível de contaminação em determinados grupos sociais.

No sul da Argélia, estudos locais indicam que por volta de 1% das mulheres grávidas que recorrem aos pré-natais estão infectadas pelo HIV.

Mais números

• Taxa de mortalidade infantil: 31,1 por mil
• Expectativa de vida: 72 anos
• População: 33 milhões de pessoas

Sobre o país

Os pobres geralmente recebem cuidados de saúde gratuitos na Argélia, enquanto os ricos pagam para os cuidados de acordo com uma escala móvel. O acesso aos cuidados de saúde é reforçado pela exigência de que os médicos e dentistas trabalhem na saúde pública, pelo menos, cinco anos. No entanto, os médicos são mais facilmente encontrados nas cidades do norte do que no sul, a região do deserto.

Na ponta norte do mapa da África e livre do status de colônia francesa desde 1962, a Argélia é um país montanhoso e seco, com parte sujeita a terremotos, onde sopra um vento quente e carregado de pó e areia, especialmente comum no verão, chamado siroco.

A Argélia obteve a independência do governo francês em 1962. Desde então, o principal partido político do país, a Frente Nacional de Libertação (FLN), dominou a política apesar de alguma dissidência. Isso levou à intensa guerra civil, de 1992 a 1998. Em 1999, Abdelaziz Bouteflika se tornou presidente e foi reeleito em 2004 e continua até os dias atuais.

Dos milhões de colonos franceses que viviam na Argélia antes da independência, há agora 576 mil. A adição de todos os europeus e seus descendentes é estimada por formar 18% da população da Argélia.

Em muitos lares argelinos, há pelo menos duas televisões, uma para mulheres e menores (com canais que transmitem a sua produção em árabe), e um para os homens adultos (com canais em francês). A língua dentro do governo argelino e na política é o árabe. A maioria que usa a linguagem para o comércio e a cultura usa o francês.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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