__ Arte: Rubens Dultra e Silva /Barong
24/06/2014 – 14h
atualizado às 19h05
Com 100% de aproveitamento, a Colômbia encerrou a primeira fase da Copa do Mundo nesta terça-feira (24). Em confronto realizado na Arena Pantanal, em Cuiabá, o time sul-americano segurou a pressão do Japão e teve eficiência ofensiva para vencer por 4 a 1 e se confirmar como adversário do Uruguai nas oitavas de final. O duelo será no sábado, às 17h, no Maracanã, no Rio de Janeiro. O vencedor dessa oitava de final pode entrar no caminho do Brasil, já que vai pegar quem passar entre a Seleção Brasileira e o Chile – essa partida também será disputada no sábado, mas às 13h. Já os japoneses encerram a primeira fase na lanterna do Grupo C, com apenas um ponto conquistado. Veja como os países dos dois times tratam a aids em seu território.
Japão
A cultura japonesa impõe uma abordagem mais contida com relação às campanhas de combate ao vírus HIV. O preconceito no país é grande e a doença ainda é vista como fruto de uma vida promíscua, vinda dos estrangeiros. Mas, de acordo com relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids), foram 1.075 novos casos de HIV reportados em 2010, sendo que 92,7% deles eram japoneses, enquanto 7,3% eram estrangeiros vivendo no país.
O diretor da Associação de Espaço e Prevenção Humanizada (Epah), José Araújo Lima, vai frequentemente ao país falar sobre prevenção com os chamados decasséguis, que são os imigrantes temporários, e todos os demais interessados.
Em 2012, a Embaixada Brasileira no Japão estimava que havia cerca de 300 mil decasséguis brasileiros no Japão e 1.200 poderiam ter HIV. O Unaids estima que cerca de 8 mil pessoas vivam com HIV hoje no Japão, o que representa uma incidência de cerca de 0,1% na população de mais de 127 milhões de pessoas.
Quanto às vias de transmissão, 69,2% tiveram relações homossexuais e 18,1%, heterossexuais. Ainda segundo o relatório, apenas três casos vinham do uso de drogas injetáveis e outros três, de transmissão vertical (TV). Outros 8,6% não souberam especificar como foram expostos ao vírus. A infecção por via sexual, ainda segundo o Unaids, vem crescendo constantemente no país.
Mais números
• Prevalência de HIV/aids entre 15 a 49 anos: 0,1%
• Mulheres vivendo com HIV: cerca de 1.500
Sobre o país
O Japão não fica fora de uma Copa do Mundo desde 1998, quando se classificou pela primeira vez. Em sua quinta participação consecutiva, a equipe vai tentar superar as campanhas de 2002 e de 2010, quando terminou na nona posição. Embora o Japão nunca tenha ido além das oitavas de final em uma Copa, incluindo a vez em que foi sede da competição ao lado da Coreia do Sul, o futebol do país vem melhorando a cada ano.
Colômbia
O Unaids estima que 150 mil pessoas vivem com HIV/aids na Colômbia. Na capital, Bogotá, os casos da doença aumentaram 23% em 2013, quase 300 casos a mais que em 2012. Segundo matéria do “Colombia Reports”, de abril desse ano, na cidade se concentram 40% dos casos.
Em entrevista ao jornal “El Espectador”, o secretário de Saúde de Bogotá, Aldo Enrique Cadena, disse que seu maior desafio é romper as barreiras do teste de HIV, pois ele ainda não é disponibilizado a toda a população, embora o governo tenha assumido, em 2005, o compromisso de oferecer tratamento a toda a população.
Cadena está certo de que a dificuldade da população em acessar os testes é fator determinante para o aumento da infecção. Se a situação é assim na capital, imagine no interior. O secretário citou, na matéria, duas cidades com maiores dificuldades no enfrentamento da aids: Barranquilla e Cartagena, destino turístico de belas praias.
Diante dos números assustadores, o Fundo Global de HIV promete investir cerca US$ 25 milhões, nos próximos três anos, no combate à epidemia em comunidades vulneráveis da Colômbia. O projeto vai priorizar as populações de homens que fazem sexo com homens (HSH), moradores de rua, transexuais, profissionais do sexo e mulheres.
Mais números
• Número de casos registrados em Bogotá em 2013: 1651
• Número de mortes por aids em Bogotá em 2013: 325
• Número de mortes por aids no país em 2012: 6.500
• Incidência na faixa entre 15 e 35 anos: 60%
• Proporção de infectados por gênero na década de 80: 55 homens para cada mulher
• Proporção de infectados por gênero na década de 90: 7 homens para cada mulher
• Proporção de infectados por gênero nos anos 2000: 2 homens para cada mulher
Sobre o país
Terceira economia sul-americana, a Colômbia é, ao lado do Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de café do mundo. Também é famosa pelo litoral de praias belíssimas, onde se concentram os maiores centros urbanos e a maioria de sua população. Sua economia está dividida em 13,9% para agricultura, 55,8% para serviços e 30,3% para indústria.
Com um rico patrimônio histórico, a Colômbia tem a segunda maior população da América do Sul, constituída a partir da mistura entre índios, africanos e europeus, sobretudo, espanhóis.
País do escritor Gabriel García Márquez, é palco de interminávies guerrilhas, tendo dois grandes grupos atuantes: as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).
Redação da Agência de Notícias da Aids



