28/06/2014 – 10h
O grande jogo das oitavas de final da Copa 2014 acontece nesse sábado, às 13 horas, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG). Brasil e Chile se enfrentam na primeira disputa dessa nova fase e só quem ganhar vai para as quartas de final. O clima é de “aguenta coração” . A Agência de Notícias da Aids segue com a série de matérias que pretende traçar o cenário da aids no país de cada uma das seleções que disputam o Mundial. Veja como é a situação no Brasil e no Chile.
Brasil
O Brasil é conhecido por ter um dos melhores programas de aids do mundo e é referência, contando com excelentes centros de tratamento, que sempre recebem equipes de médicos de outros países, para capacitá-los. Desde 1996, o acesso gratuito a tratamento para todas as pessoas infectadas é garantido por lei e está à disposição nos serviços públicos.
Esse ano o Brasil adotou algumas medidas inovadoras para combater a aids. Uma delas é o teste por meio da saliva, que está sendo feito por ONgs e alguns serviços públicos, inclusive nas Fans Fest, com resultados prontos em poucos minutos.
A intenção do governo é disponibilizar os testes nas farmácias, o que vem causando polêmica junto a alguns médicos e ativistas. Muitos temem que a medida desconsidere o impacto do diagnóstico positivo em quem o recebe. O certo é que a notícia de um resultado HIV positivo seja dado por profissionais treinados em fazer o acolhimento e o encaminhamento do paciente.
Outra medida é o tratamento antecipado, já adotado. Consiste em dar os antirretrovirais ao paciente assim que ele tem o diagnóstico positivo, independentemente de sua taxa de CD4 (células de defesa do organismo). Antes, os remédios só eram receitados quando o CD4 ficava abaixo de 500.
O Brasil é o terceiro país no mundo a adotar o tratamento antecipado, depois de Estados Unidos e França. Com ele, o governo espera diminuir a circulação do vírus – o medicamento diminui e até zera a carga viral. Ativistas e alguns médicos temem que haja, também, uma antecipação dos efeitos colaterais, como a lipodistrofia, que é a perda ou acúmulo de gordura corporal nas pessoas em tratamento. A lipodistrofia é, hoje, um dos enormes problemas da aids no Brasil (leia mais aqui https://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=22192).
Atualmente, no Brasil, há 718 mil pessoas vivendo com HIV/aids, segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Desses, 340 mil estão em tratamento e 150 mil desconhecem que têm o vírus. A população geral do Brasil está estimada em 200 milhões de habitantes e estima-se que, em 2013, 11 mil morreram em decorrência de complicações causadas pela aids.
Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2012, nosso país registrou 656.701 casos de aids, condição mais avançada da doença. Em 2011, foram notificados 38.776 casos e a taxa de incidência foi de 20,2 casos por 100 mil habitantes.
Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998.
Também em relação aos jovens, os dados apontam que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, há tendência de crescimento do HIV.
Quanto à forma de transmissão, entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV.
Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical, segundo os dados do boletim.
A epidemia no país é concentrada em grupos populacionais com comportamentos que os expõem a um risco maior de infecção, como homossexuais, prostitutas e usuários de drogas.
Em números absolutos, houve redução de casos em menores de cinco anos: passou de 846 casos, em 2001, para 745, em 2011, graças à política de redução da transmissão vertical (TV, da mãe para o bebê na gravidez, no parto ou na amamentação). Quando todas as medidas preventivas são adotadas, a chance de TV cai para menos de 1%.
O levantamento feito entre jovens, realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos de idade, indica que, em cinco anos, a prevalência do HIV nessa população aumentou de 0,09% para 0,12%. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade, maior o percentual de infectados.
Mais números do Brasil
• Mortes por aids entre homens até 2012: 190.215
• Mortes por aids entre mulheres até 2012: 75.371
• Faixa etária com maior incidência: 25 a 49 anos de idade
• Em 2002, a taxa de mortalidade era 6,3 por 100 mil habitantes
• Em 2011, a taxa de mortalidade foi de 5,6 em 100 mil habitantes
• Em 2012, o Brasil registrou 12 mil mortes por HIV/Aids
• 30% das mortes em 2012 se deram pela coinfecção por tuberculose
Chile
Para uma população de aproximadamente 18 milhões de pessoas, o Chile tem uma prevalência de HIV entre os adultos de 0,4%. Desde 1986, quando foi registrado o primeiro caso da doença no país, até hoje, notificou-se 39 mil pessoas portadoras HIV. Segundo o Unaids, a principal via de exposição ao vírus é sexual (99,2%), especialmente entre os homens que fazem sexo com homens (HSH).
Analisando os casos de HIV e aids por idade, as taxas mais elevadas estão na população de 20 a 29 anos com relação ao HIV e entre 30 a 39 anos entre os já doentes de aids.
Nos últimos cinco anos, as regiões de Arica e Parinacota, Tarapacá, Metropolitana e Antofagasta apresentaram as maiores taxas de casos de HIV (cerca de 44 por 100 mil habitantes). Nas regiões de Arica e Parinacota, Tarapacá, Valparaiso, Atacama e Metropolitana foram registradas as maiores taxas de aids (cerca de 28 por cem mil habitantes).
Entre 1990 e 2011, ainda segundo o Unaids, quase oito mil pessoas morreram em decorrência da aids no Chile. Em resumo, o HIV/aids no Chile é caracterizada como sexualmente transmissível, com predominância na população de adultos jovens e entre os homens, principalmente os gays. E, assim como no Brasil, o governo chileno oferece tratamento gratuito a todas as pessoas que vivem com HIV/aids.
Mais números
• Número de pessoas vivendo com HIV: 39 mil
• Índice de prevalência entre adultos de 15 a 49 anos: 0,4%
• Adultos com 15 anos ou mais vivendo com HIV: 39 mil
• Mulheres com 15 anos ou mais vivendo com HIV: 5.400
Sobre o país
O país está localizado ao longo da costa ocidental do cone sul da América do Sul, entre o segmento mais alto da Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. A língua oficial é o espanhol e a moeda, o peso chileno. A população é mestiça, mistura de europeus e indígenas, cujas tradições ainda são percebidas em algumas partes do país. O índice de alfabetismo é de 94%, sendo uma das mais altas taxas da América Latina. Aproximadamente 90% dos chilenos são católicos romanos.
Redação da Agência de Notícias da Aids


