Organizações afirmam que a Spcine e a Rio Filme já adotam o uso do termo

Entidades ligadas ao movimento LGBTQIA+ vão enviar uma carta ao Ministério da Cultura (MinC) em que pedem a inclusão de todas as pessoas transexuais em editais da pasta que têm políticas afirmativas.
No documento, endereçado à Secretaria do Audiovisual, as organizações citam uma bolsa recém-lançada, destinada a financiar curta-metragens dirigidos por mulheres cis e mulheres trans.
Também mencionam um outro edital, que concede a mesma bolsa, mas para pessoas negras e indígenas. As organizações querem que o Minc use a terminologia “pessoas transexuais”.
Da maneira em que está, argumentam, o edital restringe a participação a mulheres trans, excluindo homens trans e pessoas não binárias.
O documento é assinado por 17 entidades como a Associação de Profissionais Trans do Audiovisual (Apta) e a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra).
Elas afirmam que os editais citados têm “ideias ultrapassadas e já superadas sobre as questões de gênero, já que desconsidera uma ampla gama de mulheridades existentes —como as travestis e pessoas não-binárias. E segue excluindo transmasculines”.
E seguem: “Instamos a inclusão de pessoas transmasculinas, não-binárias, travestis e outras identidades sub-representadas, a fim de abraçar a diversidade como um ativo enriquecedor para o setor”.
No texto, as organizações afirmam que a Spcine e a Rio Filme já adotam o uso do termo “pessoas trans” e citam um caso de 2020. Naquele ano, foi publicado um edital da Spcine para mulheres trans, mas o documento foi retificado para incluir pessoas trans como um todo.
Procurado, o Minc diz que o programa de curtas-metragens “faz parte das primeiras entregas de ações de fomento da Secretaria do Audiovisual”.
“Sendo a retomada de uma política anterior, os editais foram ampliados dentro das possibilidades existentes no momento, com base na instrução normativa de acessibilidade e políticas afirmativas do Minc, também publicada no mês de agosto. Com isso, foi ampliado o afirmativo para realizadores indígenas, anteriormente destinado somente a realizadores indígenas e o de mulheres para mulheres trans”, segue a nota.
“Acolhemos as críticas e demandas apresentadas pelo movimento LGBTQIA+. […] Os dados, relatos e proposições apresentados pela Associação de Profissionais Trans do Audiovisual – APTA, nos darão bases para as próximas proposições, não só de fomento, mas também no campo formativo”, diz ainda.


