Queda é atribuída principalmente a um programa que visa intensificar e promover o acompanhamento de gestantes no pré-natal e de bebês de até um ano. Redução ocorreu ao longo de 18 anos.

O índice de mortalidade infantil em Piracicaba (SP) caiu 36% entre 2004 e 2022, segundo dados da Secretaria de Saúde. Essa queda é atribuída principalmente a um programa que visa intensificar e promover o acompanhamento de gestantes no pré-natal e de bebês de até um ano – entenda abaixo
Em 2004 o índice de mortalidade infantil da cidade foi de 14,9 para mil crianças nascidas vivas. A partir de 2005, a Secretaria de Saúde criou o Pacto para Redução da Mortalidade Infantil, envolvendo várias áreas, e os indicadores começaram a cair. Em 2022, último dado disponível, o indicador foi de 9,6.
“A gente fez um projeto conjunto, intersetorial, para cuidar de gestantes e crianças menores de 1 ano, visando reduzir a mortalidade infantil”, explicou o médico pediatra Rogério Tuon, atual coordenador do pacto.
Segundo ele, um dos itens essenciais para essa redução foi a melhoria no pré-natal de gestantes. “É um trabalho focado no bom atendimento de grávidas e de bebês até um ano. É justamente esse grupo que impacta o coeficiente”, afirmou.
Segundo Tuon, o acompanhamento de gestantes é essencial também porque cerca de 70% das mortes de bebês ocorre no caso de prematuros e um acompanhamento bem-feito pode evitar que a criança nasça antes do tempo.
“O grande problema da morte no primeiro ano de vida é um pré-natal mal feito. Porque quando não é bem feito, pode propiciar os prematuros, eles nascem antes do tempo e têm uma chance maior de morrer. O grande trabalho do pacto foi um pré-natal bem adequado, assistido, com atendimentos, exames.”
Segundo ele, são fatores de risco para parto prematuro problemas de saúde da gestante, como pressão alta e diabetes ou gestante adolescente.
O pacto faz esse acompanhamento de gestantes por telefone mensalmente. O intuito é entender a situação da gestante, se ela está sendo atendida e fazendo exames necessários.
Tuon ressalta que há casos em que as mulheres não fazem o acompanhamento pré-natal por não conseguirem sair do trabalho para comparecer às consultas em dias úteis. Ele ressalta a importância dos empresários se engajarem nessa questão para reduzir a prematuridade.
Segundo ele, crianças que nascem com o tempo correto de gestação têm menores chances de ter complicações. E a partir disso também outros fatores podem influenciar, como aleitamento materno, vacinação e saneamento básico.
Evolução dos dados
Segundo Tuon, de 2016 a 2023 o ano com menor índice de mortalidade infantil foi 2016, quando o indicador ficou abaixo de 9. Nos anos seguintes, a taxa ficou entre 9 e 10, com exceção de 2022, que teve a pior situação. Veja no gráfico.

De acordo com o médico, essa situação em 2021 foi influenciada principalmente pela pandemia da Covid-19, em que gestantes ficaram doentes e muitas não tiveram o acompanhamento necessário por conta do distanciamento social.
“Quando você não consegue dar a assistência necessária para o grupo, influencia o índice”, afirmou Tuon.
Mais conhecimento
Outro fator que impactou positivamente nos dados foi a ampliação do conhecimento sobre cuidados com bebês, sobre posição para dormir, desengasgo, alimentação e a importância do aleitamento materno.
“O conhecimento vem evoluindo muito, inclusive de descobertas de vacinas, imunobiológicos, de maneiras de lidar com o bebê na UTI quando ele nasce prematuro. A tecnologia médica vem melhorando cada vez mais”, afirmou Tuon.
Mas o médico ressalta que a parte mais importante para reduzir a mortalidade infantil é a prevenção da prematuridade.



