Encontro Nacional de Redução de Danos: especialistas sugerem medidas para combate de DST/aids e hepatites entre usuários de drogas

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

12/11/2014 – 17h

Cerca de 40 profissionais de diversas áreas debateram em Aracaju (SE), nessa terça-feira (11), ações voltadas para usuários abusivos de drogas, especialmente os de populações vulneráveis. A atividade faz parte do 11º Encontro Nacional de Redução de Danos, que termina na sexta-feira (14).

Organizada pelo Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, o debate se dividiu em dois momentos: no primeiro, foram apresentadas experiências de gestão relacionadas com o tema no estado do Rio Grande do Sul (criação de normativas sobre RD com negociações na comissão bipartite), testagem de HIV e fluido oral (Projeto Viva Melhor Sabendo) e Projeto Braços Abertos , da Prefeitura de São Paulo.

A segunda metade da reunião foi dedicada à identificação de pontos a serem trabalhados para a construção de uma agenda básica de enfrentamento desta realidade. Entre os pontos apresentados pelos participantes se destacam a necessidade de aproximação entra as áreas de atenção básica (AB), saúde mental e DST/aids e a reativação do Comitê de Redução de Danos no Ministério da Saúde. A questão de formação sobre redução de danos (RD) foi um dos tópicos debatidos com análise de pontos de vista diversos sobre projetos como Caminhos do Cuidado e outros, além da ampliação de diálogo com Judiciário, Ministério Público e profissionais de Segurança Pública.

O diretor do Departamento, Fábio Mesquita, reconheceu a necessidade de implementar ações de modo a garantir os avanços conquistados, principalmente diante de quadros adversos. “Tenho expectativa de que o segundo mandato da presidenta Dilma vai permitir a retomada de alguns pontos que necessitam de um olhar diferente” , disse.

A representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Nara Santos, sugeriu uma ampliação da articulação com o Congresso Nacional, visando a criação de espaços de discussão sobre direitos humanos e uso de drogas. Já Vera da Ross, presidente da Rede de Redução de Danos e DH (Reduc) enfatizou a necessidade de ampliar a discussão no nível internacional participando dos eventos das Nações Unidas e outros, principalmente os fóruns UNGASS e outras discussões.

Cristiane Moema, da Associação Brasileira de Redução de Danos (Aborda), defendeu a lógica da ética na RD mas chamou a atenção para a necessidade de novas práticas a serem apontadas como forma de fortalecimento das estratégias.

Monica Malta, da Fiocruz, sugeriu a criação de um grupo de trabalho para discutir a criação de linhas de financiamento e pesquisa em RD, além de identificar boas práticas que podem ser replicadas em outras regiões.

Ao final do encontro se decidiu pela continuidade dos debates, em torno dos pontos , principalmente na busca de interface nas agendas das diversas áreas de gestão e a participação efetiva da sociedade civil.

Liandro Lindner, colaborador da Agencia Aids, de Aracaju (SE)

Apoios