Empresas apresentam, em Brasília, boas experiência na luta contra o vírus HIV no ambiente de trabalho

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

18/03/2014 – 19h

As experiências nacionais e internacionais de grandes empresas na prevenção ao HIV e aids no ambiente de trabalho são apresentadas em seminário realizado nesta terça-feira (17) em Brasília. As ações são desenvolvidas pelo Conselho Empresarial Nacional de Prevenção ao HIV/Aids (CEN AIDS), que tem como objetivo promover e ampliar a participação da iniciativa privada no combate e prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e aids no ambiente de trabalho.

Fundado em 1998, o CEN AIDS é uma parceria do Ministério da Saúde com grandes empresas brasileiras para a sensibilização, mobilização e incentivo do setor empresarial na realização integrada de ações de redução da incidência do HIV no ambiente de trabalho.

Durante a abertura do evento, o secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, destacou a importância desta parceria. “Este seminário é uma excelente oportunidade para debater um plano de trabalho com novas estratégias, que englobe, além da prevenção, a utilização das novas mídias para o combate da epidemia de aids”, afirmou o secretário. Ele citou três pontos importantes para ser desenvolvidos pela parceria: Enfrentamento da questão da discriminação – não só com relação a pessoas vivendo com HIV e aids, mas também contra gays e lésbicas –; disseminação do uso de preservativos; e a divulgação de mensagens de prevenção, não apenas aos funcionários como também aos clientes e consumidores.

O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, disse que a atuação do conselho tem sido fundamental na luta contra a aids no Brasil. “A forma como o Brasil vem enfrentando a epidemia tem sido um exemplo para outros países do mundo”, observou o diretor. Segundo ele, um exemplo deste sucesso é o envolvimento de todos os segmentos da sociedade (governo federal, governos estaduais e gestores municipais, além de empresas privadas, universidades, pesquisadores e ONGs).

Cabe ao conselho ampliar a participação das empresas privadas na elaboração, implantação e divulgação de políticas e programas de prevenção à aids. As Empresas Membros do CEN AIDS passam a ser instituídas por portaria do Ministério da Saúde.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou, em junho de 2010, uma série de recomendações para promover ações de proteção à saúde do trabalhador. O documento foi aprovado na 99ª sessão da Conferência da OIT em Genebra. São princípios para orientar políticas e programas de responsabilidade social na gestão empresarial, voltados à prevenção das DST e aids no mundo do trabalho.

Aids no Mundo

Segundo dados da OIT, a infecção pelo HIV afeta, sobretudo, pessoas em idade produtiva. Estima-se que nove em cada 10 pessoas vivendo com HIV sejam jovens adultos. De toda a população soropositiva, a maioria tem entre 15 e 49 anos, faixa etária que inclui a maior parte da mão de obra em atividade. Do surgimento da epidemia até 2005, um estudo da OIT aponta que 28 milhões de trabalhadores podem ter perdido suas vidas em consequência da aids.

Pesquisa

Estudo lançado em 2012 pelo Conselho Empresarial Nacional para a Prevenção ao HIV/Aids (CEN Aids), em parceria com o Ministério da Saúde e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), entrevistou 2.486 empresas de todas as regiões do país. O estudo teve como objetivo conhecer e avaliar ações direcionadas aos funcionários e mobilizações voltadas para a comunidade local.

De acordo com o levantamento, embora 68% das empresas pesquisadas reconheceram a importância de discutir o tema “doenças sexualmente transmissíveis (DST) e aids no ambiente de trabalho”, apenas 14% realizaram ações e programas sobre essas doenças nos últimos 12 meses de 2012. Levando em conta a projeção nacional da pesquisa, os 14% – que significam 82 mil empresas, com mais de 100 empregados – representam mais de seis vezes o percentual daquelas de menor porte (6,4%) e, além disso, têm um alcance de, aproximadamente, 11 milhões de empregados. Além do Ministério da Saúde, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) são parceiros estratégicos da iniciativa.

Ao apresentar o panorama da epidemia no país, na manhã desta terça-feira (18), o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, destacou o fato da epidemia de aids estar estabilizada. Alertou, no entanto, que isso “não significa que temos a epidemia controlada em todo o país, pois temos vários Brasis. Cada região tem sua característica e seus problemas específicos”. Em relação à evolução do tratamento e dos medicamentos para a aids desde meados da década de 80, o diretor ressaltou a necessidade de “acompanhar o desenvolvimento da tecnologia, para não ficarmos velhos quanto às novas alternativas no tratamento da Aids”.

Também nesta terça-feira, foi lançada a proposta de um Fundo de Sustentabilidade Financeira às Organizações da Sociedade Civil que trabalham no campo do HIV, aids e Hepatites Virais (Fundo Posithivo). A proposta surgiu da necessidade de diversificar e ampliar a cultura de doação, com a alocação de recursos para causas sociais de forma flexível e eficaz. A ideia é criar o primeiro Fundo Social privado fomentado pelo Governo Federal, com o objetivo de mobilizar recursos financeiros e serviços de diferentes fontes financiadoras do cenário da filantropia social do país. “É a garantia da resposta social à epidemia de Aids”, afirmou o consultor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Harley Henrique. “O objetivo é que o fundo se torne privado. Assim, vai mobilizar recursos financeiros e serviços de diferentes fontes”. O consultor disse que a proposta do Fundo foi anunciada pela primeira vez durante o evento. “A semente deste fundo está sendo compartilhada com vocês. É um projeto que visa a necessidade de ampliar a atuação física e financeira para além da fronteira da empresa”.

Também participaram desse segundo dia de seminário, a presidente do Conselho Empresarial Nacional para a Prevenção ao HIV/Aids (DEN/AIDS), Cristiane José; o assessor da presidência da Abril Comunicações, João Abrahão; a coordenadora do UNAIDS no Brasil, Georgina Braga; a gerente nacional de treinamento da MAC Aids Fund, Maria Antonieta Lemos.

O representante da Editora Abril expôs o projeto da editora de usar em suas publicações reportagens com temas voltados para a aids, sempre de acordo com o perfil do leitor de cada revista. Cristiane José mostrou as ações do CEN Aids no Brasil. Georgiana Braga apresentou as campanhas e ações da Unaids. Já Maria Antonieta Lemos falou sobre os produtos de uma linha de batom cujo valor arrecadado com a sua comercialização é repassado para o tratamento e combate à aids.

Apoios