Em visita à Agência Aids, diretor do Dathi, Draurio Barreira, diz que o financiamento é o maior desafio na meta de eliminar doenças determinadas socialmente

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“Passamos muito tempo comprometidos com o controle de doenças de forma ampla, hoje, a gente quer ir muito além, estamos falando de eliminação, que não é uma quimera.” A afirmação é do diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), o dr. Draurio Barreira. Em visita a sede da Agência Aids, em São Paulo, na tarde dessa terça-feira (15), o gestor garantiu que o Governo Federal tem trabalhado incansavelmente para ampliar a política nacional de aids de forma interministerial e, visando as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), quer eliminar “o HIV, a tuberculose, as hepatites virais, como problema de saúde pública, e todas as transmissões de mãe para filho, como doença de chagas, HTLV, sífilis congênita, que é a mais difícil…”

Acompanhado da médica sanitarista Maria Clara Gianna, coordenadora de HIV/Aids no Dathi, dr. Draurio disse que o Brasil sempre teve um papel importante globalmente. “Agora, a gente retoma um compromisso que vem de oito anos, que é a questão da eliminação de doenças. Queremos a reafirmação do nosso compromisso com a Agenda 2030, óbvio que trabalhando na perspectiva da gestão até 2027, mas alinhados a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis.”

O gestor, que assumiu a direção do Dathi em janeiro, contou que está em São Paulo para uma agenda extensão de articulação, inclusive com a sociedade civil. Ele citou São Paulo como um exemplo a ser seguido na busca pela eliminação das doenças. A cidade, por exemplo, recebeu a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV em 2019. “A perspectiva de eliminar a transmissão vertical do no estado de São Paulo é uma realidade. Infelizmente não muito disseminada no país. Então, esse é o tipo de compromisso e competição que queremos estimular, e eu diria que uma meta a curto prazo.”

Articulação

Questionado sobre o empenho de diferentes setores na luta pela eliminação de doenças, o médico garantiu que tem visto a sensibilização de ambos setores, dentro e fora do governo, nas sociedades profissionais… “Na última semana, foi relançada no Congresso Nacional a Frente Parlamentar Mista de Enfrentamento ao HIV, IST e Hepatites Virais. Vimos deputados super engajados, pensando em como viabilizar a questão de financiamento, pleiteando recursos.”

“A luta contra aids precisa sempre estar alinhada a uma resposta multisetorial. Desde o lançamento do Comitê Interministerial das Doenças Determinadas Socialmente, que envolve o Ministério do Desenvolvimento Social, Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Igualdade Racial, dos Povos Indígenas, Ciência e Tecnologia, temos pensando em diferentes estratégias. Queremos ampliar mais, vamos procurar ainda os ministérios da Mulher, Meio Ambiente… Não temos tido nenhum tipo de oposição, mesmo no Congresso os setores mais conservadores não são contrários a eliminação da transmissão vertical de doenças. Estamos trabalhando para um legado na saúde, coisa que tivemos em poucos momentos na história: eliminar doenças. O sarampo é um exemplo.”

Ampliação da PrEP

Sobre inovação e prevenção combinada, dr. Draurio disse que tem muita clareza da necessidade de inovação e o Brasil é muito aberto a incorporar inovações. “Tivemos um período adverso, mas a gente sempre incorporou! O que estamos tentando fazer agora é radicalizar isso e expandir de forma exponencial. A PrEP é um dos melhores exemplos que a gente pode dar; a ideia é também eliminar todas as barreiras de acesso, inclusive compreendendo as dificuldades que essas populações vulneráveis têm. Uma pessoa trans, um jovem gay, uma pessoa preta, pobre, moradora da periferia tem muita dificuldade de chegar ao serviço de saúde para aderir a alguma tecnologia que ela própria desconhece. Visitando organizações da sociedade civil aqui em São Paulo, discutimos a possibilidade de usar estes espaços como locais de dispensação de PrEP. Quem melhor do que as organizações que trabalham com cidadania e que recebem a população trans para fornecer esses insumos?”

Financiamento

A gente não quer reinventar nada, mas expandir. Hoje, o nosso maior desafio é, sem dúvidas, financiamento. Ideias e tecnologia temos, métodos profiláticos, prevenção combinada… Vamos atrás do banco mundial, do BNDS… de quem for parceiro em potencial que possa financiar.”

A entrevista, transmitida ao vivo no Instagram da Agência Aids, chegou ao fim com as observações do gestor sobre comunicação e aids. “O papel da comunicação na luta contra a aids é fundamental, isso a gente tem sentido muita necessidade de ampliar!”

Confira na íntegra:

 

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Uma publicação compartilhada por Agência de Notícias da Aids (@agenciaaids)

Redação da Agência de Notícias da Aids

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