30/09/2014 – 21h15
A Polícia Militar estimou em 300 o número de pessoas na caminhada que começou no Museu de Arte de São Paulo ( MASP) e seguiu rumo à rua Augusta. Os organizadores, informalmente, disseram que, desde o início do ato, cerca de mil pessoas passaram e engrossaram a voz do protesto. Muitas vozes que gritaram no meio da avenida. “ A Paulista é nossa”. “ Eu beijo homem, beijo mulher. Tenho direito de beijar quem eu quiser ”. “ A nossa luta, é todo dia. Contra o machismo, o racismo e a homofobia”. “ As bi, as gays, as trava e as sapatão, tá todo mundo pronto pra fazer revolução”.
Jovens, muitos jovens caminharam pela avenida. Como Júlia Gada que, mesmo se desculpando, “ não sei falar muito bem”, deixou seu recado. “ Ele (Fidelix) não tem desculpa… é um direito nosso”. Ou mesmo Thiago Amaral, um dos representantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). “ Vamos ocupar não só a Paulista, mas o Brasil com mobilizações sempre que nos sentirmos agredidos”.
“ As mulheres lésbicas devem fazer valer sua opinião”, assim começou a fala firme e clara Baby Borges. “ Temos que nos mobilizar até a criminalização da homofobia” . Pedro Santos, concordou com Baby.Ele disse que no Brasil muita gente sofre com homofobia e discriminação. “Precisamos com urgência de uma lei que puna e pare com isso”.
Os organizadores, com irreverência,determinação e bom humor , responderam à provocação grosseira feita pelo candidato Levy Fidelix (PRTB), durante debate na TV Record, na noite do domingo 28 de setembro.
“Dois iguais não fazem filho. Me desculpe, mas aparelho excretor não reproduz. Tem candidato que não assume isso com medo de perder voto. Prefiro não ter esses
votos, mas ser pai, avô que instrua seu neto. Não vou estimular a união homoafetiva. Se está na lei, que fique como está”, respondeu Fidelix a pergunta feito por Luciana Genro, do PSOL, que quis saber qual seriam suas propostas para a população LGBT.
Os muitos cartazes também retrataram a indignação dos que ocuparam o lado direito da avenida, sentido Paraíso, Consolação. “ Mais amor, menos aerotrem”. “O estado é laico, o meu …. também”. “ Homossexual é cidadão e todo cidadão tem direitos”.“ Fora Levy do debate da Globo”. “Discurso de ódio não é opinião”. “ Vem Levy, tomar no….. é bom”. “ Quem não faz neném não anda de aerotrem”.
Taynã, de 16 anos, que ano passado participou das passeatas e manifestações em junho, resumiu a emoção de todos que estiveram na avenida . “ Um sujeito assim, nem deveria ser candidato. Nunca nosso voto e jamais nosso respeito! ”
Roseli Tardelli (roseli@agenciaaids.com.br)
Notas de repúdio do ativista Américo Nunes Neto,do Instituto Vida Nova
Nessa terça-feira, muitas entidades e organizações Brasil afora seguiram emitindo notas de repúdio à fala de Levy Fidelix. Veja algumas:
Nota de repúdio à manifestação proferida pelo candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB), em debate da TV Record:
Eu, Américo Nunes Neto, ativista, fundador do Instituto Vida Nova, ONG/Aids e coordenador do MOPAIDS Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids, venho por meio desta nota, manifestar o meu repúdio ao discurso do candidato Sr. Levy Fidelix, pelo que passo a expor:
Na data do dia 28 de setembro em debate dos presidenciáveis transmitido pela TV Record, o nobre candidato, ao utilizar do questionamento da nobre candidata Sra. Luciana Genro (PSOL) sobre aos novos conceitos de família, assim como entre duas pessoas do mesmo sexo.
Em um tom preconceituoso, ofensivo, com palavras chulas “aparelho excretor não reproduz”, e ainda assim caracterizou a Av. Paulista como um trajeto de pessoas do mesmo sexo.
Mostrou ser que não é capaz de governar para um país para todas sem distinção de orientação sexual, contudo desqualificou e desprezou votos da população LGBT Gays, lésbicas, travestis e transexuais alegando ser minoria da sociedade. Essa minoria são milhões de pessoas que se amam, produz, e interfere nas políticas públicas e no PIB produto interno bruto.
O nobre candidato também deve desconhecer que o Brasil já contabiliza mais de 60 mil pessoas vivendo com parceiros do mesmo sexo, segundo dados do Censo 2010, IBGE. Percebe-se então que vossa senhoria está na contra mão de muitos países que lutam e defendem os direitos humanos.
Como bem disse “não serei eleito” ainda assim, tamanha foi à infelicidade do candidato, e digo felicidade para nós, pois em pleno século XXI continua com a mentalidade retrógrada, conservadora e fundamentalista que merece não só o meu repúdio como ativista, mas o repúdio de toda a população LGBT, do qual não podemos admitir tal conduta.
Ademais, volto a frisar que em pleno século XXI, onde a população LGBT ocupa o seu lugar ao sol, desempenhando funções das mais simples as altas categorias, inclusive no planalto.
Ainda somos menores na proporção populacional e não queremos ser mais, apenas sermos respeitados, mas essa é uma realidade que está mudando, e o candidato Sr. Levy Fidelix não faz parte dessa mudança e certamente não nos representa, pois com essa mentalidade, seguramente, ainda não entendeu que vivemos num país democrático onde temos assegurada a igualdade de direitos.
Externo meu repúdio aos comentários preconceituosos do candidato à Presidência da República Sr. Levy Fidelix, ante o desrespeito para com a população LGBT e com todos os casais do mesmo sexo que tem adotado crianças excluídas da sociedade e formado famílias felizes e respeitadas.
Nota de repúdio da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania/Coordenação de Políticas Para a Diversidade Sexual
A Coordenação de Políticas Para a Diversidade Sexual, órgão que integra a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, vem a público repudiar as declarações de cunho homofóbico feitas pelo candidado à Presidência da República, Sr. Levy Fidelix (PRTB) em debate presidencial realizado pela TV Record no dia 28 de setembro de 2014.
Informamos que estamos tomando as medidas cabíveis com base na Lei Estadual 10.948/01 que pune no âmbito administrativo a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero no Estado de São Paulo.
Aproveitamos para reafirmar o compromisso de atuarmos sempre em favor do respeito à dignidade da pessoa humana.
Heloisa Gama Alves
Coordenadora de Políticas Para a Diversidade Sexual
Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania


