20/11/2014 – 08h30
O Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais enviou na noite dessa quarta-feira (19) nota sobre a manifestação que ativistas de São Paulo fizeram na Paulista para chamar atenção contra as 12 mil mortes por ano em consequência da aids (Leia mais). Segundo o órgão do Ministério da Saúde, o Brasil reduziu em 13% o número de óbitos entre 2001 e 2012, ou seja, de 6,3 óbitos para 5,5 óbitos para cada 100 mil habitantes. "Se ainda comparados os casos de aids identificados, entre 2001 e 2012, com os óbitos registrados no mesmo período, o número de mortes por aids permaneceu constante enquanto houve um crescimento de 3,3 vezes no número de casos", diz o documento.
O Departamento destaca ainda que em algumas regiões do País existem características distintas em relação aos óbitos. As regiões Norte e Nordeste tiveram aumento de registros nos últimos anos. No entanto, o Sudeste teve uma diminuição e a Sul está estabilizada em patamares elevados. "Por índices preocupantes de detecção de caos de aids como do Rio Grande do Sul e do Amazonas, o Departamento e o Ministério da Saúde realizam cooperações interfederativa nesses estados. Dentro do conceito de "hot-spots", as cooperações tem o objetivo de responder a situação epidemiológica observada, com foco nas ações de prevenção para populações chave, aumento da capacidade e eficiência dos serviços de saúde, expansão da oportunidade de acesso ao diagnóstico rápido e aprimoramento da gestão. Nas duas cooperações interfederativas, a sociedade civil local está envolvida."
O documento destaca que neste ano a The Lancet, revista científica da área médica, publicou um estudo que corroborou com as informações do Ministério da Saúde. O estudo intitulado Global, regional, and national incidence and mortality for HIV, tuberculosis, and malaria during 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013, mostrou que as mortes por HIV/aids caiu no Brasil mais rapidamente que no resto do mundo; enquanto no Brasil a queda anual é de 2,3% entre 2000 e 2013, globalmente a taxa de queda estimada foi de 1,5%. Além disso, ainda segundo os autores, houve um aumento da sobrevida das pessoas vivendo com HIV/aids, como resultado do acesso universal ao tratamento antirretroviral e também às políticas de prevenção implantadas.
De acordo com o diretor do Departamento, Fábio Mesquita, o artigo é insuspeito por ter sido publicado na revista de maior prestígio da área médica do mundo e que não tem entre os seus autores nenhum brasileiro.
Segundo Mesquita, nunca se incluiu tantas pessoas novas em tratamento com antirretrovirais como no ano de 2014. "Até outubro de desse ano, aproximadamente 62 mil novos indivíduos infectados iniciaram o tratamento – somando quase 400 mil em TARV no país como um todo".
Efeitos da implantação do tratamento como prevenção, desde dezembro de 2013, no Brasil, podem ser observados por meio da proporção de pessoas vivendo com HIV/aids adultas em terapia antirretroviral com carga viral suprimida (inferior a 1000 cópias/ml) que se encontra em aproximadamente 88% das pessoas em tratamento.
Ainda segundo o diretor, o ano de 2014 consolidou o fim da dicotomia entre tratamento e prevenção no país, trazendo benefícios já para os novos pacientes em tratamento. "Quase 40% das pessoas soropositivas que estão entrando em tratamento têm a contagem de células CD4 acima de 500 cel./mm3, o que é um enorme ganho – já que uma das principais causas da mortalidade por aids é o diagnóstico tardio", afirmou o diretor.
Atualmente, um dos principais focos do Departamento é facilitar o acesso ao teste de HIV, sobretudo, para as populações chave, reconhecidamente mais afetadas pela epidemia. Nesse contexto, a estratégia "Viva Melhor Sabendo" já conta com 60 ONGs de todo o país levando o diagnóstico rápido por meio do fluído oral para quem precisa ser diagnosticado.
Mesquita ainda destaca que alguns municípios brasileiros tem buscado garantir um acesso facilitado e de melhor qualidade ao tratamento de aids por meio do estabelecimento de linhas de cuidado que incluem um papel destacado a Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes recém diagnosticados e estáveis. Experiências de sucesso nesse sentido acontecem nas cidades de Fortaleza, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Mesquita destaca que se formam apenas 150 médicos infectologistas por ano no Brasil e que a grande maioria deles não tem interesse em trabalhar no campo de aids. Portanto, a reorganização da atenção baseada exclusivamente em especialidades é inviável no caso brasileiro, e não vem sendo adotada em nenhum país do mundo.
Ainda assim – e apesar dos números brasileiros favoráveis –, Fábio Mesquita reitera que ainda há muito a fazer. "Estamos no caminho certo para o enfrentamento à epidemia de HIV/Aids, usando o que tem de mais inovador disponível para prevenir, diagnosticar e tratar. E não pretendemos parar por aí". Mesquita ainda finaliza lembrando que "curiosamente o presidente do Fórum de ONGs/Aids de São Paulo que fala em seu discurso em inovação, tem se manifestado publicamente contra todas as inovações propostas nos últimos 18 meses".


