EM RESPOSTA A NOTA DA CNBB, ATIVISTAS DEFENDEM O ‘ESTADO LAICO’ BRASILEIRO; ROBERTO PEREIRA, DO FÓRUM DE ONG/AIDS DO RIO, CHAMA BISPOS DE ‘FUNDAMENTALISTAS’

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12/03/2007 – 13h10

Laico – Secular, por oposição a eclesiástico.
(Trecho retirado do Dicionário Online Michaelis)

A termo acima, de origem grega, foi bastante lembrado na manhã desta segunda-feira (12/03) por alguns dos ativistas que lutam contra a pandemia da Aids. Eles ressaltaram a laicidade ou secularidade do Estado brasileiro para defender o discurso pró camisinha do presidente Lula, realizado na última quarta-feira (07/03), e atacar a nota da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgada na sexta-feira (09/03), na qual a entidade crítica as declarações do líder do poder executivo (saiba mais). “O Brasil é um Estado laico”, disse Roberto Pereira, do Fórum ONG/Aids do Rio de Janeiro. Em seguida, ele atacou os integrantes da Igreja Católica que redigiram o texto chamando-os de “fundamentalistas”. “Um estado laico precisa fazer campanhas para garantir a vida das pessoas”, avaliou Liorcino Mendes, mais conhecido como Léo Mendes, do Fórum de ONG/Aids de Goiás. Por fim, Frederico Luz, do Fórum de ONG/Aids da Bahia, defendeu que os políticos “deveriam assumir uma postura laica”. Ele lembrou da atuação da bancada evangélica na Câmara dos Deputados como um exemplo negativo.

A nota da CNBB, que já havia sido duramente criticada por ativistas presentes ao I Encontro Estadual e Municipal de Cidadãs Posithivas de São Paulo (leia), voltou a ser recriminada por representantes do movimento de luta contra a Aids de várias partes do país.

Roberto Pereira, do Fórum ONG/Aids do Rio de Janeiro, foi bastante enfático na repreensão ao texto da entidade católica. “Essa posição [do Vaticano em relação ao uso da camisinha] não vai mudar nunca. Não dá mais pra se levar a sério essa posição”, avalia. Após revelar que enviou um e-mail para Mariangela Simão, diretora do Programa Nacional de DST/Aids, dando os “parabéns” pela posição do órgão e pelas palavras do presidente, o ativista ressaltou que a Pastoral de DST/Aids (que faz um trabalho de prevenção e assistência em relação ao HIV e é ligada a CNBB), já veria o preservativo de uma maneira “muito tranquila.”

Roberto Pereira, coordenador-geral do Centro de Educação Sexual (CEDUS), chamou os idealizadores da nota de “fundamentalistas”, mas ressaltou que “dentro do seu espaço”, um pastor ou padre pregar suas idéias ou dogmas é “coerente”.

“Avalio como positiva a fala do presidente da república. Avalio como hipocrisia a nota da CNBB porque ela não aponta para a garantia da vida das pessoas que estão vulneráveis ao HIV”, afirmou Léo Mendes, do Fórum de ONG/Aids de Goiás. Ele explicou que é um “direito do Estado laico” incentivar o uso de preservativos. “Um estado laico precisa fazer campanhas para garantir a vida das pessoas”, defendeu Mendes.

“O Programa Nacional (PN) precisa ressuscitar a campanha ‘pela camisinha não passa nada’, principalmente com vinda do papa”, disse o ativista goiano. A campanha intitulada “Pela camisinha não passa nada”, lembrada por Léo Mendes, foi elaborada pelo PN para o carnaval de 2004. O objetivo era, de acordo com o Programa Nacional de DST/Aids, “aumentar a credibilidade das pessoas com relação à eficácia do preservativo, fornecendo informação e orientação direta a respeito da segurança do preservativo e da maneira correta e consistente do uso da camisinha.”

Frederico Luz, que atualmente é representante do Fórum de ONG/Aids da Bahia na “Comissão Nacional de Articulação com movimentos sociais” (CAMS), refletiu que se trata de um tema “complexo”, mas que os políticos e/ou gestores públicos “deveriam assumir uma postura laica”. Ele lembrou da bancada evangélica no Congresso Nacional como o exemplo de uma atuação que não deve ser repetida. “É importante refletir sobre o uso do preservativo frente a essa epidemia”, avaliou.

Léo Nogueira

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