18/12/2006 –10h50
A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para População (UNFPA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Banco Mundial e o Secretariado do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) divulgaram pronunciamento a respeito dos resultados de estudos recentes sobre o impacto da circuncisão masculina no risco da transmissão do HIV. A OMS e o Secretariado do UNAIDS irão rapidamente convocar uma consulta para examinar os resultados dessas pesquisas até agora e suas implicações para os países, em particular aqueles na África subsaariana e nos outros lugares com alta prevalência de HIV e baixo nível de circuncisão masculina. Embora esses resultados demonstrem que a circuncisão reduz o risco do homem ser infectado pelo HIV, as Agências da ONU enfatizam que a circuncisão não oferece proteção total contra a infecção pelo HIV. Leia o pronunciamento na íntegra.
Genebra, 14 de dezembro– O Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids e seus co-financiadores, OMS, UNFPA, UNICEF e o Banco Mundial, observa com considerável interesse o anúncio de hoje feito pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América (sigla em inglês, NIH), o qual avalia duas pesquisas sobre o impacto da circuncisão masculina no risco de transmissão do HIV, por recomendação do Conselho de Segurança de Dados e Monitoramento do NIH (sigla em inglês, DSMB).
As duas pesquisas, financiadas pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América, foram realizadas em Kisumu, Quênia, entre homens em idades entre 18-24 anos e em Rakai, Uganda, entre homens de 15 a 49 anos. As pesquisas, as quais completaram o registro de pacientes em 2005, estão sendo concluídas pela avaliação dos resultados de análises interinas dos resultados pelo DSMB. O papel do DSMB é avaliar o progresso dos testes e recomendar se devem prosseguir, modificar ou terminar. Embora resultados detalhados não tenham sido divulgados até o momento, a declaração do Instituto Nacional de Saúde deixa claro que os estudos estão sendo suspensos por que eles revelaram uma taxa aproximada 50% de risco de infecção por HIV entre homens que foram circuncidados.
Os resultados apóiam as descobertas da South Africa Orange Farm Intervention Trial, custeada pela Agência Nacional Francesa de Pesquisas sobre a Aids (sigla em francês, ANRS) e publicada no fim de 2005, a qual demonstra que ao menos 60% de redução nas infecções por HIV entre homens circuncidados.
Uma pesquisa posterior para avaliar o impacto da circuncisão masculina no risco de transmissão do HIV para parceiras mulheres por homens infectados, liderada por pesquisadores na Johns Hopkins University, está sendo correntemente realizada em Uganda, com resultados esperados para 2008. O efeito da circuncisão masculina de reduzir o risco da transmissão do HIV entre homens que fazem sexo com homens não foi estudado testagem aleatória controlada.
A OMS e o Secretariado do UNAIDS irão rapidamente convocar uma consulta para examinar os resultados dessas pesquisas até agora e suas implicações para os países, em particular aqueles na África subsaariana e nos outros lugares com alta prevalência de HIV e baixo nível de circuncisão masculina.
Embora esses resultados demonstrem que a circuncisão reduz o risco do homem ser infectado pelo HIV, as Agências da ONU enfatizam que a circuncisão não oferece proteção total contra a infecção pelo HIV. Homens circuncidados ainda podem ser infectados com o vírus e, se soropositivos, podem infectar seus parceiros sexuais. Circuncisão masculina não deve nunca substituir outros métodos preventivos, cuja efetividade é conhecida, e deve ser considerado sempre como parte de um pacote abrangente de prevenção, o qual inclui uso correto e consistente de preservativo masculino ou feminino, redução no número de parceiros sexuais, postergação na iniciação das relações sexuais e testagem de HIV e aconselhamento.
Foi antecipado que notícias sobre esses resultados aumentariam o interesse por circuncisão masculina por parte de governos, instituições não-governamentais e público em geral em vários países, elevando a demanda por serviços de circuncisão. A OMS, o UNAIDS e os parceiros vão rever as descobertas detalhadas dos testes e vão definir recomendações políticas específicas para expandir e/ou promover a circuncisão masculina.
Essas recomendações de políticas precisarão levar em conta:
* considerações sobre direitos humanos e culturais associados à promoção da circuncisão;
* os riscos de complicações durante os procedimentos efetuados em vários lugares;
* o potencial para minar os comportamentos de proteção existentes e estratégias de prevenção para reduzir o risco de infecção por HIV;
* e, a observação que as condições ideais de uma pesquisa aleatória são comumente não replicadas em outras locais de prestação de serviços.
Países ou instituições de saúde que decidam oferecer circuncisão de forma mais abrangente como uma maneira adicional de proteção contra a infecção por HIV, devem assegurar que esta seja executada com segurança, por pessoas bem-treinadas em locais sanitários sob condições de informação consentida, confidencial, com aconselhamento para redução de risco e com segurança.
Esses países ou instituições devem assegurar também que a circuncisão masculina seja promovida e feita de forma culturalmente apropriada e que informação correta e suficiente sobre a necessidade contínua de outras medidas de prevenção ao HIV seja ofertada. Será necessário evitar que as pessoas desenvolvam um falso sentimento de segurança e, como resultado, engajem-se em comportamentos de alto risco, os quais negariam o efeito protetor da circuncisão masculina.
Para apoiar os países ou instituições que decidam aumentar os serviços de circuncisão masculina, a OMS, o Secretariado do UNAIDS e seus parceiros estão desenvolvendo:
1) Orientações técnicas sobre abordagem programática e clínica ética, baseadas em Direitos, para a circuncisão masculina.
2) Kits de instrumentos para avaliação rápida para a) determinar a prevalência da circuncisão, determinar a aceitabilidade, identificar provedores-chave, estimar custos e b) monitorar números de circuncisões realizadas, sua segurança, e seu impacto potencial no comportamento sexual.
3) Orientações sobre treinamento, padronização de locais, certificação e reconhecimento oficial.
A OMS, o UNFPA, o UNICEF, o Banco Mundial, o Secretariado do UNAIDS e seus parceiros continuarão a trabalhar juntos para apoiar os governos e outros parceiros do desenvolvimento e prover orientação coordenada, consistente e atualizada para prestar serviços, incluindo o monitoramento e a avaliação dos serviços e acompanhamento de homens que tenham sido circuncidados. Esse grupo também irá trabalhar em cooperação para identificar os melhores meios para aumentar a prestação segura de serviços de circuncisão em países que escolham fazê-lo.
Fonte: UNAIDS



