EM MISSÕES DA ONG MÉDICOS SEM FRONTEIRAS, BRASILEIROS RELATAM SUAS EXPERIÊNCIAS, COM AS VÍTIMAS DA AIDS NA ÁFRICA, POR MEIO DE DIÁRIOS VIRTUAIS

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21/02/2006 – 11h30

“Há menos de dois anos, não se acreditava que a Aids existia, era uma doença tida como lenda, anedota, invenção, mentira. Agora, temos o início da conscientização. Hoje, muitos falam: sim, existe a Aids, mas existe também uma esperança.”

A constatação acima é da médica brasileira Raquel Yokoda, que desde dezembro do ano passado participa de uma “missão” da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Moçambique, no leste da África. Desde o início da sua viagem, que vai durar um ano, a voluntária escreve uma espécie de diário sobre a sua experiência no país (leia mais).

A médica paulista Raquel Yokoda está atuando no interior de Moçambique e sua “base” fica na cidade de Tete (ao norte da capital Maputo). Para encarar a empreitada, ela precisou realizar dois “cursos preparatórios” na Europa (“o primeiro na Dinamarca e na Bélgica e o segundo na Alemanha”, explica). A preparação durou 42 dias e teve início em outubro de 2006.

“Sou responsável por coordenar um Hospital de Dia [distrito local] de HIV/Aids (30 mil pessoas na área de abrangência) e um centro de saúde em Zobué (80 mil pessoas). Nesta área, a prevalência de HIV é de 25% ou seja, uma em quatro pessoas está contaminada, e diferente de outras partes do mundo, aqui 65% são mulheres de até 28 anos”, relata a médica em seu diário online.

Ao longo do seu relato, Yokoda revela o choque provocado pela miséria e falta de infra-estrutura do país africano que, assim como o Brasil, é uma ex-colônia de Portugal. “Quando vi Zobwé [cidade moçambicana] pela primeira vez, estremeci. Uma mistura de sentimentos mesclou-se a rotina de trabalho, aqui tudo que disponho para tratar esses pacientes é a avaliação clínica, não posso contar com nenhum tipo de exame e muitas vezes tenho que lidar com a frustração da falta de remédios. Com isso, é necessário estar sempre um passo adiante, sempre tentando antecipar o que os pacientes poderão apresentar de complicações, já que temos cerca de 80 pessoas internadas nas enfermarias, em condições de calamidade”, denuncia.

Além da paulista Raquel Yokoda, outro médico brasileiro também participou de uma “missão” apoiada pela ONG Médicos Sem Fronteiras. Aliás, duas. O carioca Otávio Omati esteve no Sudão e na Somália. Os dois países têm um agravante pois, além das graves condições sócio-econômicas, ambos são palcos de conflitos internos. Omati retornou para o Brasil no final de janeiro, após cerca de um ano na Somália. Antes, ele havia trabalhado com as vítimas da Aids e de outras doenças no Sudão.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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