Em Jacareí, parceria entre saúde e educação têm expandido a saúde sexual nas escolas e ampliado o debate sobre Prevenção Combinada

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Sem rodeios”: especialistas explicam caminho para compreensão e respeito à educação sexual - Agência de Notícias CEUB

Com o objetivo de promover mais saúde e formação integral em sexualidade aos educandos de Jacareí da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, o projeto “Juntos pela Prevenção” tem levado informações sobre sexo seguro e autocuidado às crianças, adolescentes e jovens, por meio de diálogos, fóruns educativos, facilitação a insumos de prevenção e serviços de saúde especializados.

A iniciativa, que consiste em uma estratégia conjunta da área da educação com a saúde, com envolvimento do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids de São Paulo, coloca em primeiro plano a prevenção e o compartilhamento democrático de informações relevantes, beneficiando os estudantes e toda a comunidade escolar.

Em entrevista à Agência Aids, a professora especialista em currículo (PEC) na cidade de Jacareí, no Vale do Paraíba, Marta Pierro, explicou que um dos fatores centrais que motivou maior articulação da temática no município interiorano e adjacências foi a observação, aos longos dos seus 23 anos de magistério na rede pública e privada, de que “a gravidez na adolescência é uma das grandes causas de evasão escolar e um dos fatores que aumentam a roda da pobreza”. Marta, que é bióloga e farmacêutica de formação, é a responsável pela formação de outros professores e coordenadores.

Além disso, pontuou que as atividades foram intensificadas em atenção aos indicadores que demonstram aumento exponencial do HIV/aids e demais Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) entre as juventudes.

A docente destaca que a Educação Sexual já era reconhecida e contemplada nas normas gerais da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e em documento oficial conjunto entre Secretaria de Estado da Saúde e Educação, mas entende que o comprometimento da Diretoria de Ensino de Jacareí em aprimorar as ações, eleva a qualidade do ensino integral em sexualidade a outro patamar.

A BNCC trata-se de um documento de caráter normativo, que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos das escolas brasileiras devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da educação.

O documento para orientar profissionais da área da educação e saúde, insere a promoção de educação em sexualidade e prevenção das IST, HIV/aids e Hepatites Virais.

“Vi que já havia um documento assinado entre Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e Secretaria da Educação, a: Estratégia Juntos na Prevenção […] então, oriento os professores e coordenadores [nas formações] que a temática é possível de ser abordada em qualquer ano escolar, mostrando a eles que isto é permitido e possível de ser trabalhado dentro das competências gerais da BNCC”, conta.

De acordo ela, no centro dessa iniciativa se busca capacitar os profissionais da educação para que eles possam não apenas orientar seus educandos como evitar uma gravidez não planejada, mas para que possam também prevenir as Infecções Sexualmente Transmissíveis, conhecer seus direitos, cuidar de si mesmo e de seus semelhantes.

“O foco é a formação de professores e coordenadores; os nossos professores das 59 unidades recebem informações que irão replicar dentro das escolas”, explica.

A educadora esclarece ainda que estes conhecimentos multiplicados em sala de aula contam com auxílio de material complementar de apoio formulado por ela, mas também com os próprios conteúdos já disponibilizados nos materiais dos alunos da rede estadual de ensino.

Nesse contexto, entende que os direitos sexuais e reprodutivos, bem como os princípios fundamentais dos Direitos Humanos são os pilares sobre os quais essa colaboração se sustenta; e o resultado é a expansão positiva da conscientização.

Segundo Marta, os meninos tendem a perguntar menos do que as meninas, e em geral, as dúvidas são relacionadas à gravidez.

Prevenção combinada

Um dos pontos focais do trabalho é a prevenção combinada, o que inclui o preservativo comum, mas também outros métodos, como as profilaxias pré e pós exposição do HIV (PEP e PrEP), enfatizando a importância de se abordar a prevenção desde cedo na vida dos jovens. “Antes das atividades, apenas uma pequena parcela dos alunos tinha algum nível de conhecimento sobre as profilaxias”.

Prevenção, amor-próprio e autocuidado lado a lado

A bióloga e farmacêutica acredita que o desenvolvimento do amor-próprio e autocuidado são questões intrínsecas à educação sexual e cruciais de serem trabalhadas na adolescência. Nesse sentido, o trabalho já gerou resultados significativos. A criação do “Cantinho da Prevenção”, com totens que contém camisinhas internas e externas é outro recurso, reservado nos espaços escolares, onde quem passa pode retirar os insumos à vontade.

“Começamos montando na Diretoria de Ensino, e 29 escolas se disponibilizaram a montar também o cantinho da prevenção […] escolas com ensino médio, tende a ir um totem por semana”.

Direito ao sigilo

Marta Pierro reconhece os desafios enfrentados, dentre eles, o constrangimento que muitos jovens têm de se testar, buscar estes insumos e orientações adequadas nos serviços de saúde, por isso, disponibilizar tais informações e insumos nas escolas, faz toda a diferença.

“A ideia não é constranger a pessoa que vai pegar, o local não é monitorado, pois muitos já deixam de pegar nos serviços de saúde muitas vezes por vergonha”.

Agenda 2030

Marta destaca ainda que a medida que as ações acontecem vão contribuindo diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Ao propagar o uso da camisinha, a gente contribui para a ODS 3 [saúde e bem-estar para todas as pessoas] e para a ODS 16 [Paz, Justiça e Instituições Fortes], com redução das violências”, exemplifica.

A transformação destes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para ela, são um símbolo visível do compromisso com a educação e a prevenção.

Em última análise, a bióloga encerra sua fala com otimismo. Marta Pierro acredita que mesmo que as ações desenvolvidas possam não atingir 100% dos jovens, cada passo dado é um importante progresso em direção a um futuro mais saudável e consciente para as diferentes juventudes.

“Existem sim diretores que chegam a tecer críticas, mas eles precisam entender os indicadores de HIV/aids; de violência; e que a prevenção em tempo oportuno é fundamental. Diferente do que muitos acreditam, pesquisas têm mostrado que quanto mais [os jovens] munidos de boas informações, experienciam o sexo com responsabilidade.”

Otimismo para o futuro

“Eu sou otimista! Mesmo quando não temos 100%, questiono, qual o 100% daquele lugar que conseguimos atingir? […] Dentro da educação a gente precisa pensar a resolução, porque problemas a gente vai ter sempre para resolver. Mesmo que as condições ainda não sejam as ideais, vamos começar com o mínimo, mas não deixar de começar.”

Dica de entrevista

Marta Pierro

E-mail: martapierro@prof.educacao.sp.gov.br

Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

E-mail:  infoeducacao@educacao.sp.gov.br

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