10/10/2014 – 18h50
A sala estava cheia. Muitos integrantes de ONGs do interior vieram para o seminário Política de Adesão: Componente de Prevenção, que aconteceu quarta e quinta (8 e 9), e emendaram com a reunião mensal do Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp), nessa sexta-feira (10). Uma avaliação das eleições abriu o encontro. Também foi marcada para o dia 19 de novembro uma manifestação para abrir as comemorações do Dia Mundial de Combate à Aids, em 1º de Dezembro.
A manifestação, segundo ficou combinado, será na Avenida Paulista. A ideia é levar para a rua cruzes nas quais estarão gravados os desafios da luta contra a aids, como “lipodistrofia”, “prevenção”, entre outros. “Vamos chamar a atenção dos gestores para o fato de que eles não estão dando a atenção necessária às pessoas vivendo com HIV, que estão enterrando questões relevantes”, disse Rodrigo.
Os ativistas presentes na reunião se animaram em organizar a manifestação, especialmente porque já estarão mobilizados por conta de outro compromisso a ser promovido pelo Foaesp em São Paulo: um curso para aprenderem a lidar com as ferramentas de elaboração de projetos do SICONV – Convênios e Contratos de Repasse da Administração Pública Federal , do dia 20 ao dia 22.
Segundo turno
Alguns ativistas estavam interessados em ter uma indicação do Fórum para o voto em presidente no segundo turno. “Eu estou completamente perdida, desiludida, não sei que caminho sigo”, desabafou Lucila Magno (foto à direita) , da ONG Grupo de Educação à Prevenção contra Aids ( Gepaso), de Sorocaba.
Rodrigo disse que o Fórum não indica candidato, pois é apartidário. E deu algumas informações sobre os resultados dos políticos eleitos. “ Aumentou de três para cinco
o número de deputados federais comprometidos com a causa da aids”, disse. “Antes, tínhamos três: o Jean Wyllys (PSOL), a Erika Kokay (PT) e o Paulo Teixeira (PT). Agora, além desses , temos o Edmilson Rodrigues (PSOL, Pará) e o Bruno Covas (PSDB, São Paulo).”
Foram passadas muitas informações sobre a agenda do ativismo em 2015, um ano que será repleto de reuniões, como os Encontros Regionais das ONGs (Erongs ), seminários, congressos e outros. Levando isso em conta, Liandro Lindner, jornalista e ativista, sugeriu que as ONGs/aids busquem uma aproximação maior com outros movimentos , como os de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT), para afinarem as pautas comuns.
Prevenção nas escolas
Na segunda parte da reunião, a psicóloga Ivone de Paula, coordenadora da área de prevenção do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, comoveu os ativistas ao apresentar o projeto voltado para adolescentes que desenvolveu em Itaquaquecetuba (Grande São Paulo). Batizado de Juntos na Prevenção, o trabalho conseguiu levar para duas escolas estaduais, por meio do envolvimento de pais e alunos, a distribuição de camisinhas e a discussão de temas como homofobia.
Os ativistas, preocupados com a notícia da primeira suspeita de ebola no Brasil (leia), quiseram saber do médico Artur Kalichman, coordenador-adjunto do Programa Estadual de DST/Aids, se havia riscos maiores para a doença no país.
Artur explicou que todas as providências haviam sido tomadas no caso da suspeita e tranquilizou a todos, dizendo acreditar que não teremos uma situação dramática aqui. O médico também convocou o espírito da solidariedade para com os infectados na África e a torcida para que a ciência consiga deter urgentemente o vírus causador do ebola. “A situação é muito grave.”
Américo Nunes, do Instituto Vida Nova, chamou atenção para a necessidade de não se criar estigmas, como aconteceu com a aids. “Como aqui convivemos com populações de vários países, inclusive dos mais atingidos, temos de ter cuidado para não estigmatizá-las.”
A próxima reunião do Foaesp deve acontecer na manhã do dia 19 de novembro, antes da manifestação marcada para a Avenida Paulista.
Dica de entrevista:
Foaesp
Tel.: (11) 3334-0704
Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)



