Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos apresentam propostas para filas do SUS, atenção básica, vacinação, saúde mental, novas tecnologias e acesso a especialistas
Neste domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros vão às urnas para escolher o próximo presidente da República. Entre os desafios que estarão nas mãos de quem ocupar o Palácio do Planalto está a condução do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo atendimento de mais de 200 milhões de pessoas e por políticas que vão da vacinação e da atenção básica aos transplantes, tratamento do câncer, saúde mental e acesso a medicamentos.
Na véspera da eleição, Datafolha e Quaest colocam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da disputa presidencial. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) aparecem na sequência entre os candidatos mais bem posicionados.
Os cinco chegam à votação apresentando propostas que passam por redução das filas, digitalização do SUS, ampliação da atenção primária, vacinação, contratação e formação de profissionais, saúde mental, tratamento do câncer e maior utilização de tecnologias no atendimento.
As prioridades e os caminhos propostos, no entanto, são diferentes. A seguir, a Agência Aids reúne o que consta nos programas e propostas dos cinco primeiros colocados nas pesquisas sobre os principais desafios da saúde brasileira.
Lula: Mais Médicos, vacinação, especialistas e prontuário único

O programa de Luiz Inácio Lula da Silva propõe ampliar políticas que já integram o SUS e avançar na digitalização da rede.
Entre as medidas está a consolidação do prontuário único do cidadão pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), permitindo acesso pelo celular a marcação de consultas e resultados de exames. O programa também prevê inteligência artificial para triagem e organização das filas de acordo com o risco clínico.
Para enfrentar a espera por atendimento especializado, Lula propõe ampliar o programa Agora Tem Especialistas, com consultas, exames e cirurgias e participação de hospitais privados na redução das filas.
Também constam entre as propostas a expansão do Mais Médicos, com valorização da formação de especialistas em medicina de família; a universalização da saúde bucal pelo Brasil Sorridente; investimentos em telecirurgia e cirurgia robótica; e o fortalecimento da produção nacional de insumos farmacêuticos.
Na imunização, o programa prevê ampliar as coberturas vacinais, fortalecer a vacinação nas escolas e incorporar novas vacinas ao calendário do SUS, citando dengue, vírus sincicial respiratório (VSR) e HPV.
Na saúde mental, a proposta é ampliar a Rede de Atenção Psicossocial e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com atenção especial a crianças, adolescentes, transtorno do espectro autista e outras neurodivergências.
Também aparecem medidas para reduzir a mortalidade materna, com atenção específica às mulheres negras, ampliar a Rede Alyne, fortalecer o planejamento reprodutivo e o Programa Dignidade Menstrual.
Flávio Bolsonaro: tabela do SUS, rede privada, teleatendimento e saúde da mulher

Flávio Bolsonaro propõe corrigir a tabela do SUS para aumentar a remuneração paga a hospitais, santas casas e clínicas pelos procedimentos realizados.
Seu programa também prevê ampliar a Estratégia Saúde da Família e contratar serviços e exames da rede privada nos horários em que equipamentos e estruturas estejam ociosos.
A digitalização ocupa espaço importante entre as propostas. O candidato prevê um prontuário eletrônico único vinculado ao CPF e ao Gov.br, interoperável entre as redes pública e privada, além da expansão da telessaúde e do teleatendimento.
A inteligência artificial seria utilizada tanto na organização de consultas e exames quanto na identificação de pessoas com maior risco de desenvolver determinadas doenças.
Para idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas, a proposta inclui um sistema de entrega de medicamentos em domicílio.
Na saúde da mulher, Flávio Bolsonaro propõe unidades móveis — inclusive fluviais — para ampliar o acesso a exames relacionados a câncer, gravidez, menopausa e endometriose.
O programa prevê ainda a manutenção da imunização, incentivo à produção nacional de vacinas, fortalecimento da saúde mental e implantação de Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista.
Ronaldo Caiado: prioridade clínica nas filas e redes para câncer, infarto e AVC

Ronaldo Caiado propõe criar um Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente para organizar as filas de acordo com a necessidade clínica dos pacientes, em vez de considerar apenas a ordem de chegada.
Na atenção primária, o candidato prevê equipes fixas de referência, identificação do risco dos pacientes e busca ativa de pessoas com doenças crônicas.
Entre as propostas está a estruturação de uma rede nacional para tratamento de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), com serviços de hemodinâmica funcionando 24 horas, TeleAVC e trombectomia mecânica organizada regionalmente.
Para o câncer, Caiado propõe uma via rápida, com acompanhamento dos prazos entre diagnóstico e início do tratamento.
O plano também prevê ampliar o cuidado à saúde da mulher em áreas como maternidade segura, endometriose, climatério e prevenção cardiovascular feminina.
Para crianças, a proposta é criar um Passaporte Digital da Criança, reunindo informações sobre pré-natal, vacinação, desenvolvimento infantil e saúde bucal.
Entre os idosos, o programa prevê ações de prevenção de fragilidade e quedas e uma linha de cuidado para demência.
Caiado também propõe fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial, ampliar a cobertura do SAMU, recuperar os índices de vacinação, fortalecer a saúde indígena e incentivar a produção nacional de vacinas, medicamentos de alto custo, biossimilares e terapias celulares e gênicas.
Augusto Cury: saúde mental no centro das propostas

Augusto Cury coloca a saúde mental entre os principais eixos de seu programa.
O candidato propõe criar um Programa Nacional de Saúde Mental envolvendo unidades de saúde, escolas, universidades e empresas e desenvolver ações permanentes de prevenção da ansiedade, automutilação e suicídio.
O programa também prevê acolhimento de pessoas neurodivergentes no sistema público.
Na organização do SUS, Cury propõe fortalecer a atenção primária e ampliar as equipes multiprofissionais para evitar internações que poderiam ser prevenidas com acompanhamento adequado.
Outra medida é a criação de uma plataforma nacional de telemedicina, acompanhada de pontos públicos de acesso digital em UBS, escolas e centros comunitários para pessoas sem equipamentos ou conexão à internet.
A inteligência artificial seria utilizada na triagem clínica inicial, na classificação do risco e na identificação dos casos que precisam de atendimento prioritário.
O câncer é outro destaque do programa. Cury propõe uma estratégia nacional de prevenção e rastreamento para câncer de mama, próstata, colo do útero, colorretal, pulmão e pele, além de unidades móveis de prevenção e diagnóstico em regiões distantes dos grandes centros.
Renan Santos: filas por gravidade, prontuário nacional e inteligência artificial

Renan Santos propõe reorganizar as filas da saúde a partir de uma Escala Nacional de Estratificação de Risco.
Pelo modelo apresentado, a posição do paciente consideraria gravidade clínica, possibilidade de progressão da doença, impacto funcional, vulnerabilidade social e tempo de espera.
O programa prevê ainda um Prontuário Eletrônico Nacional Interoperável, conectando atenção primária, especialistas, hospitais públicos e privados, laboratórios e farmácias.
Renan Santos também propõe um sistema digital que reúna telemedicina, diagnóstico auxiliado por inteligência artificial, monitoramento clínico e histórico permanente do paciente.
Outra proposta é integrar o Programa Genomas Brasil ao prontuário eletrônico do SUS, formando um grande banco de informações genômicas.
Na vigilância em saúde, o programa prevê sistemas capazes de identificar tendências epidemiológicas em tempo real e uma plataforma baseada em RNA mensageiro para o desenvolvimento de vacinas e terapias.
O candidato também propõe centros regionais de referência para concentrar procedimentos e atendimentos de maior complexidade.
O que aparece nos cinco programas
Apesar das diferenças entre as candidaturas, alguns temas se repetem.
A redução das filas aparece, de maneiras diferentes, nas propostas de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Digitalização de prontuários, telemedicina e utilização de inteligência artificial também ganham espaço importante.
A atenção primária está presente nos programas de Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Augusto Cury, enquanto vacinação aparece de maneira mais explícita nas propostas de Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado.
Saúde mental recebe atenção nos programas dos cinco candidatos, embora com pesos e estratégias diferentes.
Já no campo específico do HIV/aids e das infecções sexualmente transmissíveis, os resumos das propostas dos cinco candidatos não apresentam medidas nominais sobre PrEP, prevenção combinada, ampliação da testagem ou políticas específicas para pessoas vivendo com HIV.
O tema é especialmente relevante porque caberá ao próximo governo conduzir, pelos próximos quatro anos, decisões sobre financiamento do SUS, acesso a medicamentos, incorporação de novas tecnologias e políticas nacionais de prevenção e assistência.
Com propostas distintas para organizar o sistema de saúde, os cinco candidatos chegam às urnas apresentando diferentes caminhos para um mesmo desafio: garantir acesso ao SUS em um país continental, desigual e com demandas que vão da atenção básica às tecnologias de alta complexidade.
Redação da Agência de Notícias da Aids



