A Agência Aids iniciou esta semana uma série de reportagens sobre as eleições que acontecerão, em primeiro turno, no próximo dia 04/10. Nesta segunda reportagem, iniciaremos uma análise dos programas de governo, no tópico saúde, dos cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais para a Presidência da República.
Segundo pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (7), a menos de trinta dias da realização do primeiro turno, os resultados são os seguintes:
Lula (PT): 36% (eram 37% em 2 de setembro); Flávio Bolsonaro (PL): 29% (eram 29%); Augusto Cury (Avante): 8% (eram 10%); Renan Santos (Missão): 3% (eram 3%); Ronaldo Caiado (PSD): 3% (era 1%).
Em relação aos programas de saúde dos candidatos à Presidência, a Agência convidou ativistas de diferentes estados do Brasil para analisar as propostas. Iniciamos a série com os candidatos à Presidência com Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático. Fundado por Gilberto Kassab, o PSD é um partido de centro criado em 2011. Caiado ocupa o quinto lugar na última pesquisa eleitoral.
Conheça o candidato Ronaldo Caiado

Ronaldo Ramos Caiado é professor, médico, ortopedista e político brasileiro. Foi governador do estado de Goiás, cargo que exerceu por dois mandatos consecutivos, entre janeiro de 2019 e março de 2026. Anteriormente, pelo mesmo estado, foi deputado federal por cinco mandatos — sendo quatro consecutivos —, entre 1991 e 1995 e de 1999 até 2015, e senador, entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2019, tendo deixado a vaga parlamentar na metade do mandato de oito anos para assumir o Governo do Estado.
Saúde no plano de governo de Caiado e a lacuna do HIV/aids

O ativista Toni Reis é filósofo, professor, pesquisador e diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI. Ele analisou o programa de governo do candidato Caiado para o setor de saúde.
“O reconhecimento de um histórico. Ronaldo Caiado tem um capítulo que merece ser lembrado e valorizado: como médico e como parlamentar, foi um aliado consistente da comunidade LGBTI+ na derrota do projeto da chamada ‘cura gay’. Em um momento em que a ciência e os direitos humanos eram atacados, ele defendeu o que se sustenta em evidência: homossexualidade não é doença e, portanto, não há o que ‘curar’. Esse posicionamento, tomado com base na medicina e no respeito à dignidade humana, é um ativo político real e raro e deve ser lembrado.
O que o plano de governo acerta. O Tema 25 (Saúde) do plano é robusto em várias frentes: filas de espera, atenção primária, saúde da mulher, da criança e do idoso, saúde mental, saúde indígena, vigilância e preparo para emergências, SUS digital e soberania em saúde. É um plano que demonstra método e prioridade clínica, coerente com a trajetória de um médico gestor.
A lacuna que não pode ser ignorada. É exatamente por esse histórico e por essa qualidade que a ausência de especificidade em HIV/aids chama atenção. O plano trata de saúde de forma ampla, mas não nomeia a epidemia que ainda vive no Brasil e que tem contornos muito específicos. A HIV/aids hoje tem tratamento, mas não tem cura. Isso significa que não basta uma política genérica de atenção primária: é preciso assistência contínua, acesso garantido a antirretrovirais e a profilaxias (como a PrEP), combate ao estigma e, sobretudo, investimento em pesquisa para a busca da cura. A ausência desse recorte no plano deixa uma pergunta sem resposta: onde está o HIV/aids nas prioridades de um governo que se propõe a cuidar da saúde brasileira?
O que se espera. Não se trata de exigir um plano perfeito, mas de um compromisso explícito. Um governo que quer ser aliado da comunidade LGBTI+ e da saúde pública precisa transformar o reconhecimento histórico em política concreta. Nomear o HIV/aids no plano de saúde — com metas, financiamento e linha de pesquisa para a cura — é o passo que transforma o discurso em gestão e honra o legado de quem já defendeu a ciência contra o preconceito.”
Confira o programa de governo de Ronaldo Caiado
Redação da Agência de Notícias da Aids
Dica de entrevista
Toni Reis
E-mail: tonireisctba@gmail.com




