Eleições 2026: plano de Saúde de Renan Santos é analisado pela ativista Jenice Pizão, que aponta ausência de propostas para HIV, IST e prevenção

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Ativista do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas critica soluções apresentadas para o SUS e afirma que programa não explicita políticas para PrEP, PEP, antirretrovirais e saúde sexual

A Agência de Notícias da Aids dá continuidade à série de reportagens sobre as eleições de 2026, que terão o primeiro turno realizado no próximo dia 4 de outubro. Nesta etapa, ativistas de diferentes regiões do Brasil analisam as propostas para a Saúde apresentadas nos programas de governo dos candidatos mais bem colocados na disputa pela Presidência da República.

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 33%. Augusto Cury (Avante) registra 8%; Ronaldo Caiado (PSD), 4%; e Renan Santos (Missão), 3%. Romeu Zema (Novo) aparece na sequência, com 2%. O levantamento ouviu 2.002 eleitores, em 125 municípios, nos dias 1º e 2 de setembro.

Nesta reportagem, a Agência Aids apresenta a análise do programa de governo de Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão.

Conheça o candidato Renan Santos

Renan Antônio Ferreira dos Santos, 42 anos, nasceu em São Paulo e é empresário, escritor e ativista político. É um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que ganhou projeção nacional durante as mobilizações favoráveis ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Renan iniciou o curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação e passou a atuar no setor empresarial.

Ele também liderou a criação do Partido Missão, legenda originada do MBL e registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2025. Renan tornou-se o primeiro presidente nacional da sigla. Em 2026, foi oficializado candidato à Presidência da República, em sua primeira disputa por um cargo eletivo.

O partido se apresenta como uma legenda de direita e defende, entre seus princípios, liberalismo econômico e incentivo ao empreendedorismo.

Saúde no programa de Renan Santos

Para analisar as propostas do candidato na área da Saúde, a Agência Aids convidou Jenice Pizão, ativista, professora e integrante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas.

Em sua avaliação, Jenice questiona as propostas apresentadas para o Sistema Único de Saúde (SUS) e chama atenção especialmente para a ausência de referências explícitas às políticas de HIV/aids, outras infecções sexualmente transmissíveis, PrEP, PEP, antirretrovirais, testagem e demais estratégias de prevenção.

A seguir, a Agência Aids publica a análise de Jenice Pizão na íntegra:

“O surgimento do candidato Renan Santos como um dos fundadores do MBL – Movimento Brasileiro de Libertação – em fins de 2014, deu o “tom” de seu discurso elitista e conservador: defesa do impeachment contra a presidenta eleita Dilma Rousset em apoio aos lavajatistas. Após alguns anos, a sociedade entendeu que fazia parte de um golpe orquestrado pela extrema direita mundial contra o Estado Democrático em todo o mundo, não somente na América Latina, em apoio ao repertório ideológico da Direita mais conservadora. Aqui conseguiram emplacar um presidente perigosamente simpático às posições fascistas, defendendo políticas preconceituosas (racistas, misóginas, homofóbicas e sorofóbicas), contra povos originais, contra vacinas e que, durante a Pandemia da Covid-19, foi responsável pela morte de mais de 800 mil pessoas no país.

Entendendo esse contexto histórico, as posições desse candidato (nunca eleito nem para síndico de prédio), sinceramente, não me causa estranheza.

As soluções simplistas que o Sr. Renan Santos propõe para o nosso Sistema Único de Saúde – SUS – não resolvem os problemas do SUS, que são bem mais complexos, como o subfinanciamento das verbas da saúde, os parcos investimentos que a Saúde recebe comparando às Emendas Impositivas (O SUS recebe apenas 4% do PIB do país para atender a população, enquanto que a média mundial é quase 30% maior), os desvios de verbas, a desigual divisão dos profissionais de saúde entre as regiões do país, a gestão pública na saúde que usa o apadrinhamento político para os cargos até a falta de concurso públicos, justificando assim a terceirização da mão de obra na saúde e suas consequências para o atendimento da população para o acesso universal e equânime, para mais de 214 milhões de habitantes universal , segundo dados do IBGE de 28/08/26, são questões fundamentais para a melhora nos atendimentos do SUS e que precisam ser enfrentadas, não com projetos mirabolantes, mas com ações firmes. E quando o candidato afirma que a solução para melhorar o SUS é zerar as filas, me soa como “angariar votos dos incautos”, é não querer enfrentar a complexidade dos problemas, mesmo que, de fato, as filas dificultam o atendimento adequado devido a enormes demora, principalmente na Atenção Básica e sendo um dos problemas a serem solucionados.

A fato de não explicitar em seu plano de governo o enfrentamento das IST e toda política de prevenção e tratamento, como a PrEP, PEP, acesso aos ARV e demais insumos de prevenção, testagem e tratamento precoce, eliminação da TV das IST e outras ações, demonstra que não se importa, ou pior, não entende a necessidade do apoio à Saúde Sexual da população.

Essa postura conservadora é preocupante, pois vimos como isso impactou negativamente o trabalho de educação sexual baseada na prevenção, desenvolvido há décadas em nosso país, impactando em um número crescente da gravidez não planejada em adolescentes. Como sabemos, nosso país, desde o início da epidemia de AIDS, é referência no enfrentamento dessa epidemia, pois ainda podemos contar com gestores e profissionais de saúde envolvidos e competentes, com experiência da proteção à Saúde Sexual como única forma de evitar os agravamentos de doenças relacionadas ao tema.

Precisamos de propostas factíveis para cuidar da Saúde dos segmentos mais vulneráveis, como as mulheres, população LGBTQIAP+, pessoas negras, pessoas com deficiências, com o envelhecer da população, com a queda da taxas de vacinação e o reaparecimento de doenças antes erradicadas, enfim, propostas que tragam solução aos problemas que temos, esses candidatos não merecem o apoio e nem o voto da população brasileira.”

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dica de entrevista

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