Eleições 2026 no Piauí: 527 novos casos de HIV e 145 mortes por Aids em 2024; planos de Fonteles e Rodrigues não detalham ações

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Documentos dos dois candidatos apresentam propostas para regionalização, atenção à saúde e grupos vulnerabilizados, mas não trazem medidas específicas para HIV, Aids, ISTs ou saúde sexual

A disputa pelo Governo do Piauí chega à reta final com Rafael Fonteles (PT) à frente de Joel Rodrigues (PP). Segundo pesquisa AtlasIntel/Meio Norte divulgada em 29 de setembro, Fonteles aparece com 64,5% das intenções de voto, enquanto Rodrigues registra 24,4%. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o governador tem 70,1%, contra 26,5% do candidato do PP.

Entre os demais nomes na disputa, Elizeu Aguiar (Novo) registra 0,7%; Professor Gisvaldo (PSOL) e Gustavo pelo Piauí (Avante), 0,2% cada; e Geraldo Carvalho (PSTU) e Lourdes Melo (PCO), 0,1%. Professor Jurity (DC) e Santiago Belizário (UP) não pontuaram.

O levantamento ouviu 1.218 eleitores entre os dias 23 e 28 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

É nesse cenário eleitoral que a Agência Aids analisou os programas de governo apresentados por Rafael Fonteles e Joel Rodrigues, com atenção especial às propostas para saúde pública, prevenção e cuidado em HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Os documentos revelam um ponto em comum: nenhum dos dois planos apresenta proposta específica que mencione diretamente HIV, Aids, ISTs, saúde sexual, testagem para HIV ou estratégias de prevenção como a PrEP. Quando temas relacionados aparecem, estão inseridos de forma mais ampla em políticas de saúde, vigilância, atenção básica, direitos e atendimento a populações vulnerabilizadas.

Quem são os dois candidatos

Rafael Fonteles, do PT, é o atual governador do Piauí e disputa a reeleição. Economista, foi secretário da Fazenda do estado entre 2015 e 2022 e presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Foi eleito governador em 2022.

O plano apresentado para o período 2027-2030 afirma ser uma continuidade do programa de governo de 2022 e está organizado em oito eixos, sete deles estratégicos, com 53 programas e 200 metas específicas. O documento destaca a manutenção e ampliação de políticas já implantadas na atual gestão.

Joel Rodrigues, do Progressistas, é ex-prefeito de Floriano e presidente estadual do partido. Foi vereador, deputado estadual e comandou Floriano por quatro mandatos. Em 2022, disputou uma vaga ao Senado e ficou em segundo lugar. Em 2026, foi escolhido pelo Progressistas para disputar o Governo do Piauí e teve a candidatura homologada em agosto, com Jeová Alencar como candidato a vice-governador.

Seu plano de governo, intitulado “Devolver o Piauí aos piauienses”, é organizado em 11 eixos, entre eles “Saúde, Cuidado, Regionalização e Qualidade de Vida”. O documento apresenta a regionalização da rede, a atenção básica e a ampliação do acesso aos serviços como pontos centrais da proposta para a saúde.

O cenário epidemiológico do HIV no Piauí

Os dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, ajudam a dimensionar o contexto em que os próximos governos deverão atuar.

No Piauí, foram registrados 527 casos de HIV em 2024. Em 2025, até 30 de setembro, foram 394 registros, dado considerado preliminar pelo boletim. Desde 1991, o estado acumula 5.740 casos de HIV registrados nos sistemas considerados pelo Ministério da Saúde.

A taxa de detecção de HIV no Piauí passou de 5,5 casos por 100 mil habitantes em 2014 para 15,6 em 2024.

Em relação à Aids, o boletim registra 447 casos no Piauí em 2024 e outros 328 até setembro de 2025, também como dado preliminar. O estado soma 10.364 casos de Aids registrados entre 1980 e setembro de 2025.

A taxa de detecção de Aids no estado foi de 13,2 casos por 100 mil habitantes em 2024, abaixo da taxa nacional de 17,4 no mesmo ano.

A mortalidade também aparece como indicador importante. O Piauí registrou 145 óbitos por Aids em 2024, segundo a tabela do Ministério da Saúde. No acumulado desde 1980, são 2.830 mortes registradas no estado. O boletim também aponta que, entre 2014 e 2024, o Piauí esteve entre as quatro unidades federativas que apresentaram aumento da taxa padronizada de mortalidade por Aids no período, com crescimento de 2,9%.

Outro dado relevante está relacionado à transmissão vertical. O Piauí registrou 74 crianças expostas ao HIV em 2024 e outras 30 até setembro de 2025, segundo dados preliminares do boletim.

Rafael Fonteles: saúde digital, vigilância e regionalização

O plano de Rafael Fonteles apresenta a saúde como uma das áreas que deverão ter continuidade e ampliação no próximo ciclo. Entre as metas está a manutenção do Piauí Saúde Digital, com objetivo de garantir tempo médio de dez dias para consultas especializadas e consolidar as Centrais de Exames nas 28 microrregiões.

O documento também prevê a modernização e ampliação de hospitais estaduais, redução do tempo de espera por procedimentos regulados e consolidação da Macrorregião de Saúde do Extremo Sul.

Outro ponto é o Programa 14 – Vigilância e Resposta em Saúde. A proposta prevê fortalecer a vigilância para prevenir doenças, ampliar a capacidade de diagnóstico e resposta e apoiar os municípios. Entre as metas estão consolidar a Política Estadual de Vigilância em Saúde e modernizar o Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN), ampliando sua capacidade diagnóstica e reduzindo o tempo de resposta para exames prioritários.

Essas propostas podem ter relação indireta com a resposta às ISTs e ao HIV, especialmente no que diz respeito à vigilância, diagnóstico e descentralização dos serviços. O plano, entretanto, não especifica HIV, Aids, ISTs, saúde sexual, testagem para HIV ou prevenção combinada como metas próprias. A busca no documento não localizou menções a HIV, saúde sexual ou testagem.

Há ainda uma proposta direcionada à população LGBTQIAPN+. O Programa 36 – Piauí de Todas as Cores prevê descentralizar e qualificar o acesso dessa população a serviços de acolhimento, proteção social e promoção de direitos. Entre as metas estão capacitar profissionais de saúde, educação, assistência e segurança e estruturar centros de referência em cada macrorregião.

A medida amplia a abordagem de direitos e acesso aos serviços para uma população que pode estar entre os grupos prioritários das políticas de prevenção e cuidado em saúde sexual. O documento, contudo, não estabelece uma ligação explícita entre essa política e a prevenção, diagnóstico ou tratamento do HIV/Aids ou de outras ISTs.

Joel Rodrigues: atenção básica, regionalização e população LGBTQIA+

No plano de Joel Rodrigues, a saúde aparece como o Eixo 2 – Saúde, Cuidado, Regionalização e Qualidade de Vida. A proposta defende transformar as Regionais de Saúde em estruturas efetivas de coordenação territorial, apoiar os municípios e garantir continuidade das redes assistenciais.

A Atenção Básica também recebe destaque. O candidato propõe fortalecê-la como porta de entrada e coordenadora do cuidado, com apoio técnico e cofinanciamento aos municípios. O plano prevê ainda integração com atenção especializada, regulação, vigilância, assistência farmacêutica e rede hospitalar.

Para pessoas com doenças crônicas, o programa fala em acompanhamento contínuo, com objetivo de reduzir complicações, internações e mortes evitáveis. O plano também propõe transporte sanitário e logística do cuidado para pacientes que precisam se deslocar para tratamento, além da ampliação e fixação de equipes de saúde nos territórios.

No campo dos direitos, o documento dedica uma frente específica à população LGBTQIA+. A proposta prevê fortalecer e territorializar a política estadual de cidadania LGBTQIA+, articulando o Centro de Referência Raimundo Pereira, o Piauí Sem LGBTfobia, a rede de saúde, direitos humanos, segurança pública e outros serviços.

Apesar dessas propostas, não há no plano de Joel uma política específica para HIV, Aids ou ISTs. A busca no documento não encontrou ocorrência de “HIV”, nem das expressões “Infecções Sexualmente Transmissíveis” ou “saúde sexual”. Também não foi localizada uma meta específica de testagem.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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