Eleições 2026 no Pará: Dr. Daniel e Hana Ghassan apresentam propostas para a saúde em estado com alta taxa de aids

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Estado tem a quarta maior taxa de detecção de aids do país e Belém lidera o indicador entre as capitais; candidatos tecnicamente empatados apresentam propostas para ampliar hospitais, atenção especializada e saúde digital

O Pará chega às Eleições 2026 com uma disputa apertada pelo governo estadual. Pesquisa Quaest divulgada em 29 de agosto mostra Dr. Daniel Santos (Podemos) com 28% das intenções de voto e Hana Ghassan (MDB) com 27%. Com margem de erro de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Encomendado pela TV Liberal, o levantamento ouviu presencialmente 804 eleitores entre os dias 25 e 28 de agosto, tem nível de confiança de 95%.

A disputa acontece em um estado de dimensões continentais. O Pará possui 1,24 milhão de quilômetros quadrados, 144 municípios e população estimada em 8,71 milhões de habitantes em 2025, segundo o IBGE. Rios, ilhas, comunidades ribeirinhas, territórios indígenas e grandes distâncias entre municípios interferem diretamente na organização e no acesso à rede de saúde.

Esse desafio territorial aparece nos planos dos dois candidatos. Tanto Dr. Daniel quanto Hana Ghassan colocam a regionalização do SUS e a ampliação do atendimento especializado entre suas propostas.

A Agência Aids consultou os documentos apresentados pelos candidatos, com atenção às propostas para saúde, Sistema Único de Saúde (SUS), HIV/aids, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), PrEP, direitos humanos e população LGBT+.

Quem é Dr. Daniel

Médico formado pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), Daniel Santos foi vereador de Ananindeua, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Pará. Em 2020, foi eleito prefeito de Ananindeua e conquistou a reeleição em 2024. Deixou a prefeitura em abril de 2026 para disputar o governo e, no mesmo ano, passou a integrar o Podemos. (Prefeitura de Ananindeua)

Seu programa possui 79 páginas e reserva um eixo específico à saúde, intitulado “Saúde: cuidar das pessoas, reduzir distâncias e garantir dignidade”.

O próprio documento identifica as dificuldades de acesso à saúde especializada em municípios do interior e coloca a regionalização entre as estratégias para aproximar os serviços das diferentes regiões do estado.

Daniel propõe rede integrada e expansão da telemedicina

Na saúde, Dr. Daniel propõe consolidar uma Rede Estadual Integrada de Saúde, com fortalecimento e modernização dos hospitais regionais, ampliação das policlínicas e implantação de novos centros de diagnóstico e tratamento conforme as necessidades de cada território.

O plano prevê um sistema estadual de regulação para consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas, além de reforço à Atenção Primária em parceria com os 144 municípios.

Também estão previstas expansão da telemedicina para conectar especialistas dos principais polos regionais aos municípios mais distantes e implantação de um prontuário eletrônico estadual integrado.

A saúde da mulher recebe propostas voltadas ao pré-natal, exames preventivos, câncer de mama e colo do útero, parto e redução da mortalidade materna e infantil.

Entre as doenças infecciosas citadas nominalmente pelo programa estão sífilis congênita, hepatites virais, malária, hanseníase, doença de Chagas, leishmanioses e tuberculose. O texto prevê ações de vigilância, diagnóstico precoce, tratamento e educação em saúde.

Nos capítulos consultados, não foram encontradas referências específicas a HIV/aids, PrEP ou políticas voltadas à população LGBT+.

Quem é Hana Ghassan

Hana Ghassan (MDB) é servidora pública de carreira do Pará há mais de três décadas e possui trajetória ligada à gestão e ao planejamento público. Eleita vice-governadora em 2022, assumiu o governo estadual em 2 de abril de 2026, após a saída de Helder Barbalho para disputar o Senado. Agora concorre à permanência no cargo. (Agência Pará)

Seu plano de governo tem 69 páginas e está estruturado em três pilares. A saúde integra o primeiro deles, denominado “Cuidar das Pessoas”, que também reúne segurança, educação, políticas para mulheres, desenvolvimento social e desenvolvimento urbano.

Hana propõe novos hospitais e expansão da saúde digital

O programa afirma que o objetivo é fortalecer o SUS, ampliar o acesso e reduzir desigualdades regionais, integrando Atenção Primária aos serviços de média e alta complexidade.

Entre as propostas estão a construção do Hospital Estadual dos Olhos, dois novos Hospitais da Mulher, Hospital Regional do Nordeste do Pará, em Capitão Poço, Hospital Regional de Parauapebas e Hospital Regional do Baixo Tocantins, em Igarapé-Miri. O plano também prevê concluir o Hospital do Leste, em Paragominas, e reformar 20 hospitais e unidades municipais.

Hana propõe ainda implantar o Programa Saúde Digital, com marcação de consultas e exames pela internet, videochamadas e expansão da telessaúde e da telemedicina.

O programa prevê mutirões cirúrgicos permanentes, ampliação das UTIs e da hemodiálise, expansão do diagnóstico e tratamento oncológico no interior e implantação de um prontuário digital integrado.

Há também propostas para ampliar ações destinadas às populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas, aumentar os serviços de transplantes e fortalecer a Atenção Básica e a regionalização do SUS.

Assim como no documento de Dr. Daniel, não foram localizadas propostas específicas para HIV/aids, ISTs ou PrEP nem referência nominal à população LGBT+ no plano consultado.

Raio-X da aids no Pará

O cenário epidemiológico dá um peso particular à discussão sobre HIV/aids no estado.

Em 2024, o Pará registrou 27,4 casos de aids por 100 mil habitantes, a quarta maior taxa entre todas as unidades da Federação, atrás apenas de Roraima, Amazonas e Amapá. A média brasileira foi de 17,4 casos por 100 mil habitantes.

A série histórica também chama atenção. Em 2014, o indicador paraense era de 23 casos por 100 mil habitantes. Dez anos depois chegou a 27,4, aumento de 19,1%.

O Ministério da Saúde utiliza ainda um índice composto que considera taxa de detecção de aids, casos em crianças menores de 5 anos, mortalidade e indicadores relacionados ao momento do diagnóstico. Nesse levantamento, referente ao período de 2020 a 2024, o Pará ocupa a terceira posição entre os estados, atrás apenas de Roraima e Amazonas.

Belém tem a maior taxa entre as capitais

Na capital, o cenário é ainda mais expressivo. Belém registrou em 2024 57,5 casos de aids por 100 mil habitantes, a maior taxa entre todas as capitais brasileiras. Manaus aparece em seguida, com 53,4, e Porto Alegre, com 52,6.

No índice composto do Ministério da Saúde, Belém também aparece entre as capitais com indicadores mais elevados, na segunda posição nacional no período de 2020 a 2024.

Dados mais recentes da prefeitura apontam uma redução nos registros de HIV/aids na capital em 2025: foram 1.671 casos, ante 1.803 em 2024. Os serviços municipais disponibilizam gratuitamente testagem rápida, preservativos, PEP e PrEP, além de acompanhamento especializado para pessoas vivendo com HIV e outras ISTs.

HIV e PrEP ficam fora das propostas específicas

Os dois programas dedicam espaço considerável à saúde e apresentam medidas voltadas à realidade territorial paraense.

Dr. Daniel concentra suas propostas na regionalização, atenção primária, telemedicina, regulação e enfrentamento de doenças endêmicas e infecciosas presentes na Amazônia. Hana Ghassan detalha expansão hospitalar, saúde digital, atendimento especializado, mutirões cirúrgicos e fortalecimento dos serviços no interior.

Nos dois documentos consultados, porém, não há proposta específica para HIV/aids ou PrEP, apesar de o Pará apresentar a quarta maior taxa de detecção de aids entre os estados e de Belém ocupar a primeira posição entre as capitais nesse indicador.

Para mim, esse fechamento funciona melhor do que repetir várias vezes a ausência do HIV ao longo da reportagem: registramos uma vez na parte de cada candidato e reunimos o contexto epidemiológico no final. O texto fica mais limpo, mais jornalístico e mantém exatamente o padrão da série.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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