Pesquisa Quaest mostra Eduardo Braide com 46% e Orleans Brandão com 27%; programas apresentam propostas para ampliar a rede de saúde, mas não estabelecem metas específicas para HIV, ISTs, PrEP ou PEP
A disputa pelo Governo do Maranhão chega à reta final com Eduardo Braide (PSD) na primeira posição e Orleans Brandão (MDB) em segundo lugar. Segundo pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro, Braide aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Orleans registra 27%. Felipe Camarão (PT) tem 10%, Roberto Rocha (PRTB), 3%, e André Luis (Missão) e Reginaldo Lima (PCB), 1% cada. Dimas Cassimiro (PCO) e Saulo Arcangeli (PSTU) não pontuaram.
O levantamento ouviu 900 eleitores entre os dias 21 e 24 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa, encomendada pela TV Mirante, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
É nesse cenário eleitoral que a Agência Aids analisou os programas de governo dos dois candidatos mais bem posicionados na pesquisa, com atenção especial às propostas para saúde pública e às políticas relacionadas ao HIV, às infecções sexualmente transmissíveis e à prevenção.
Os dois documentos apresentam medidas para ampliar e reorganizar a assistência em saúde, incluindo propostas relacionadas à rede hospitalar, regionalização do atendimento, acesso a medicamentos e uso de tecnologias como a telessaúde. Nenhum dos programas consultados, entretanto, estabelece propostas específicas que mencionem nominalmente HIV/Aids, ISTs, PrEP ou PEP.
As questões relacionadas à prevenção e ao cuidado aparecem, quando presentes, inseridas em políticas mais amplas de atenção à saúde, sem metas, ações ou estratégias próprias direcionadas à resposta ao HIV e às demais ISTs.
Quem é Eduardo Braide

Eduardo Salim Braide é advogado, formado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e construiu sua trajetória política em São Luís.
Foi deputado estadual por dois mandatos, deputado federal e prefeito da capital maranhense. Em 2024, foi reeleito para a Prefeitura de São Luís com 70,12% dos votos válidos.
Em 2026, disputa o governo estadual pelo PSD.
Braide propõe novos hospitais regionais
Na saúde, uma das principais propostas de Eduardo Braide é o Programa Hospital Novo, que prevê a construção de hospitais regionais ou macrorregionais.
A medida busca ampliar a oferta de serviços de média e alta complexidade em diferentes regiões do Maranhão e reduzir a necessidade de deslocamento dos pacientes.
O programa também prevê a implantação de Espaços TEA regionais, destinados ao atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
Outra proposta é ampliar a estrutura destinada à prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, inclusive por meio de parceria com o Hospital Aldenora Bello.
Medicamentos e agentes comunitários
Braide também propõe facilitar o acesso a medicamentos especializados fornecidos pela rede estadual.
O plano prevê ainda mudanças no cofinanciamento estadual para permitir o pagamento de gratificação aos Agentes Comunitários de Saúde e aos Agentes de Combate às Endemias.
Na área social, o programa inclui ações afirmativas destinadas à promoção da igualdade racial e ao enfrentamento da discriminação e da violência, além de medidas voltadas à proteção das mulheres.
As propostas de saúde se concentram na infraestrutura hospitalar, assistência especializada, medicamentos e organização regional dos serviços.
Quem é Orleans Brandão

Carlos Orleans Braide Brandão nasceu em São Luís, em 8 de dezembro de 1994. É administrador e empresário e exerceu o cargo de secretário de Estado Extraordinário de Assuntos Municipalistas a partir de 2023.
Em 2026, disputa o Governo do Maranhão pelo MDB.
Seu programa para 2027 a 2030 inclui propostas para saúde, desenvolvimento social, direitos humanos e atendimento a diferentes grupos da população, entre eles mulheres, jovens, povos indígenas, comunidades quilombolas, população negra e população LGBTQIAPN+.
Orleans propõe plano integrado para a saúde
Na saúde, uma das propostas é a criação de um Plano Integrado de Assistência à Saúde do Maranhão, desenvolvido em parceria com os municípios.
O documento também prevê um Portal de Integração da Rede Estadual de Dados em Saúde, com prontuário eletrônico e conexão digital entre unidades.
Outra frente é a expansão da telessaúde, destinada a aproximar especialistas de municípios com menor oferta de atendimento.
Regulação e assistência farmacêutica regionalizadas
O programa de Orleans prevê ainda centrais macrorregionais de regulação e ampliação da Assistência Farmacêutica Especializada por meio de unidades regionais.
Também estão previstos centros regionalizados de diagnóstico por imagem, novas bases do Samu e expansão da rede de policlínicas.
O plano inclui expansão do atendimento oncológico, fortalecimento da hemoterapia, implantação de macrolaboratórios para vigilância e controle de surtos, ampliação da Rede de Atenção Psicossocial e fortalecimento da Atenção Primária em parceria com os municípios.
Há ainda previsão de financiamento estadual para exames laboratoriais realizados na Atenção Primária.
População LGBTQIAPN+ aparece no programa
Na área de direitos humanos, o programa de Orleans prevê o “Maranhão contra a LGBTfobia”.
A proposta inclui ações de prevenção e enfrentamento à violência e discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+, além de atendimento jurídico e psicológico e apoio às vítimas.
Esse conjunto de medidas aparece, porém, no eixo de direitos humanos e não está associado no documento a uma política própria para HIV ou outras ISTs.
O documento apresenta medidas para Atenção Primária, assistência farmacêutica, exames, regulação, telessaúde e regionalização, mas não individualiza uma política estadual para prevenção, diagnóstico ou tratamento do HIV.
Raio-X do HIV/aids no Maranhão
Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, o Maranhão registrou 1.406 casos de HIV em 2024. Em 2025, até o período considerado pela publicação, foram contabilizados 1.034 casos.
Em relação à aids, foram 1.280 casos em 2024, com taxa de detecção de 18,3 por 100 mil habitantes.
Dez anos antes, em 2014, a taxa era de 18,7 casos por 100 mil habitantes. Entre 2014 e 2024, portanto, houve redução de 2,1% nesse indicador.
A taxa de detecção de HIV em 2024 foi de 20,1 casos por 100 mil habitantes.
Redação da Agência de Notícias da Aids


