Eleições 2026 no DF: Celina lidera com 33% e Grass tem 21%; saúde sexual aparece nos planos, HIV não é citado

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Enquanto os programas dos dois candidatos apresentam propostas para a saúde sexual e reprodutiva, mas não detalham ações específicas para prevenção e tratamento do HIV

Nessas eleições a Agência Aids tem trazido os programas de governo para a área de saúde, dos candidatos e candidatas a governador e governadora dos estados do Brasil.

A corrida pelo Governo do Distrito Federal tem Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) entre os nomes mais bem posicionados na pesquisa Quaest divulgada em 23 de setembro. Celina aparece com 33% das intenções de voto, seguida por Grass, com 21%, enquanto José Roberto Arruda (PSD) registra 17%. O levantamento ouviu 1.104 pessoas de 16 anos ou mais entre 19 e 22 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-02596/2026.

No campo da saúde, os dois programas apresentam propostas para ampliar a atenção primária, reduzir filas, modernizar a rede e melhorar o acesso a consultas e exames. Quando o foco é HIV, aids e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), porém, os documentos não apresentam medidas específicas para essas áreas. A diferença aparece principalmente na abordagem de saúde sexual e reprodutiva: o plano de Grass inclui planejamento familiar e educação sexual baseada em evidências, enquanto o programa de Celina concentra suas propostas em uma reorganização geral da rede e em ações de saúde da mulher.

Os dados do HIV e da aids no Distrito Federal

O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, mostra que o Distrito Federal registrou 684 casos de HIV em 2024, contra 666 em 2023. A taxa de detecção passou de 22,4 para 22,9 casos por 100 mil habitantes no período. Os números fazem parte da série do boletim elaborada a partir dos registros do Sinan e dos sistemas de controle laboratorial e de medicamentos.

Para aids, foram registrados 380 casos em 2024, ante 457 em 2023. A taxa de detecção caiu de 15,4 para 12,7 casos por 100 mil habitantes, uma redução de 17,5%, a maior queda registrada entre as unidades da Federação naquele período. O próprio boletim destaca que Brasília apresentou, em 2024, taxa de detecção de aids de 12,7 casos por 100 mil habitantes.

O boletim também registra 70 óbitos por aids no Distrito Federal em 2024. Naquele ano, Brasília apresentou taxa padronizada de mortalidade de 1,8 óbito por 100 mil habitantes, a menor entre as capitais brasileiras segundo o documento.

No componente materno-infantil, o DF registrou 62 crianças expostas ao HIV em 2024. O número consta na série do Ministério da Saúde, que contabilizou 61 casos em 2023 e 38 registros preliminares até 30 de setembro de 2025.

É nesse cenário que os programas dos dois candidatos colocam suas propostas para a próxima gestão.

Quem é Celina Leão

Celina Leão é a atual governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição pelo PP. A candidatura foi oficializada pelo partido em agosto, com Gustavo Rocha (Republicanos) como vice. Celina assumiu o governo em 30 de março de 2026, após a renúncia de Ibaneis Rocha.

Administradora, Celina foi duas vezes deputada distrital e exerceu mandato de deputada federal entre 2019 e 2023. Também foi eleita vice-governadora do DF em 2022.

O plano apresentado para o período de 2027 a 2030 está organizado em cinco grandes eixos. Na saúde, o documento apresenta 15 ações, com foco na ampliação da Atenção Primária, redução do tempo de espera, modernização da rede e utilização de tecnologia.

Celina propõe reorganização da rede e redução de filas

O programa de Celina prevê a implantação do Expresso da Saúde, com utilização de telemedicina e inteligência artificial para reduzir a espera por consultas, exames e procedimentos. Também propõe ampliar o Opera-DF, fortalecer as Unidades Básicas de Saúde, modernizar equipamentos e instalações e integrar diferentes níveis de atendimento.

Entre as medidas estão ainda a implantação do IntegraSaúde, com consultas especializadas, diagnóstico por imagem, reabilitação, saúde mental e atendimento multiprofissional; a criação de um Centro de Diagnóstico e Imagem; a construção de sete novas UPAs; além de medidas de reposição e formação de profissionais.

Na saúde da mulher, o documento prevê o fortalecimento da rede de atenção integral, com acesso à prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento especializado em todas as fases da vida, além da criação de um Centro de Referência da Saúde da Mulher.

Quando o recorte é saúde sexual, entretanto, o plano não apresenta ações específicas. Não foram localizadas no documento referências nominais a HIV, aids, ISTs, saúde sexual, saúde reprodutiva, planejamento familiar, contraceptivos ou PrEP.

Assim, embora o programa trate de prevenção, diagnóstico e tratamento de maneira ampla e tenha uma seção dedicada à saúde da mulher, essas propostas não são apresentadas no documento como políticas específicas para HIV, aids ou outras ISTs.

Quem é Leandro Grass

Leandro Grass é o candidato do PT ao Governo do Distrito Federal. Nascido em Brasília, ele é professor, sociólogo e servidor público. Foi deputado distrital entre 2019 e 2022 e presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entre 2023 e 2026. Esta é sua segunda candidatura ao governo do DF.

Seu programa de governo foi construído a partir da plataforma Decide DF, de escutas presenciais nas Regiões Administrativas e de contribuições de especialistas, movimentos sociais e partidos que integram a coligação. O documento informa que foram realizadas mais de 300 agendas presenciais e que a saúde foi o tema mais votado na plataforma, com 1.064 votos.

Grass coloca a redução das filas no centro da proposta de saúde

O programa de Grass apresenta a proposta Saúde Sem Espera, com a meta de reduzir o tempo de acesso a consultas e exames. Entre os compromissos para 2030 estão consulta com especialista e exame em até 30 dias, cobertura total da Atenção Primária, redução da espera por cirurgias eletivas e ampliação das equipes de Saúde da Família.

O diagnóstico apresentado pelo plano aponta que a Atenção Primária cobre 74,6% da população, mas há 22 Regiões Administrativas abaixo do percentual considerado adequado. O documento estima a necessidade de cerca de 1.100 equipes de Saúde da Família, diante de aproximadamente 600 existentes, e estabelece a ampliação da cobertura como uma das metas para o mandato.

O programa também prevê reforço do quadro de profissionais, convocação de aprovados em concursos, manutenção dos equipamentos da rede, expansão dos CAPS e reorganização da rede hospitalar. A proposta de saúde combina ainda regulação, digitalização, busca ativa e integração entre os diferentes serviços do SUS-DF.

Saúde sexual aparece no programa de Grass, mas HIV e ISTs não são citados

É na área de saúde sexual e reprodutiva que aparece uma diferença de conteúdo entre os dois programas. O plano de Grass propõe ampliar, na rede pública, o acesso à informação, serviços e métodos contraceptivos, além de um programa de fertilidade assistida, educação sexual baseada em evidências e atendimento humanizado.

O programa também prevê ações de saúde da mulher, incluindo mamografia e preventivo com meta de atendimento em 30 dias, pré-natal completo, busca ativa de gestantes e parto humanizado.

Apesar disso, o documento não apresenta propostas específicas para HIV, aids, ISTs, PrEP ou PEP. Há, portanto, uma previsão de políticas relacionadas à sexualidade e à autonomia reprodutiva, mas sem que o documento associe essas ações a uma estratégia específica de prevenção, diagnóstico, tratamento ou acompanhamento do HIV e das ISTs.

O que está nos dois programas

Os programas de Celina Leão e Leandro Grass apresentam propostas amplas para reorganizar a saúde pública do Distrito Federal. Nos dois documentos aparecem a valorização da Atenção Primária, a ampliação do acesso aos serviços e medidas para reduzir filas e melhorar a integração da rede.

A diferença está no detalhamento de algumas áreas. Celina concentra seu programa em infraestrutura, expansão de unidades, tecnologia, integração dos serviços e ampliação da capacidade assistencial. Grass apresenta metas temporais mais detalhadas para filas, cobertura da Atenção Primária, equipes de Saúde da Família e manutenção da rede, além de incluir planejamento familiar e educação sexual baseada em evidências.

Para HIV e aids, porém, os dois documentos não apresentam uma política específica. Isso ocorre em um Distrito Federal que registrou 684 novos diagnósticos de HIV e 380 casos de aids em 2024, além de 70 óbitos por aids no mesmo ano. O boletim do Ministério da Saúde mostra, ao mesmo tempo, uma queda importante na taxa de detecção de aids no período, de 15,4 para 12,7 casos por 100 mil habitantes.

Na pesquisa Quaest mais recente, Celina aparece com 33% das intenções de voto, Grass com 21% e Arruda com 17%. O levantamento retrata o cenário eleitoral de setembro, enquanto os planos de governo registram as propostas apresentadas para o período de 2027 a 2030.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Apoios