Datafolha mostra Ciro Gomes com 46% e Elmano de Freitas com 37%; programas apostam em redução de filas, atenção primária e tecnologia, sem propostas nominais para HIV, ISTs, PrEP ou PEP
Ciro Gomes (PSDB) e o governador Elmano de Freitas (PT) aparecem nas duas primeiras posições da disputa pelo Governo do Ceará, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro.
No cenário estimulado de primeiro turno, Ciro registra 46% das intenções de voto, enquanto Elmano aparece com 37%. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 31 de agosto e 3 de setembro, de forma presencial. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pelo jornal O POVO e registrada na Justiça Eleitoral.
Na saúde, os programas apresentados pelos dois candidatos colocam a regionalização do Sistema Único de Saúde (SUS), a redução das filas, o fortalecimento da Atenção Primária e o uso de tecnologias entre as propostas para o período de 2027 a 2030.
Nos documentos consultados, entretanto, não aparecem propostas específicas para HIV/aids, outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), PrEP ou PEP.
Quem é Ciro Gomes

Ciro Gomes é advogado e já exerceu os cargos de deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, deputado federal e ministro da Fazenda e da Integração Nacional.
Em 2026, disputa novamente o Governo do Ceará pelo PSDB, em candidatura apresentada pela Federação PSDB-Cidadania. Seu programa registrado na Justiça Eleitoral é identificado como uma versão preliminar e organiza as propostas em diferentes eixos estratégicos.
Ciro propõe integrar atenção primária, policlínicas e hospitais
Na saúde, o programa de Ciro coloca o fortalecimento do SUS dentro do eixo “Promover o Desenvolvimento Humano e a Qualidade de Vida”.
Uma das diretrizes é ampliar a regionalização da assistência, integrando Atenção Primária, policlínicas, hospitais regionais e unidades de alta complexidade. O objetivo declarado é reduzir filas de consultas, exames e cirurgias e ampliar a oferta de atendimento.
O programa também prevê sistemas integrados de regulação, telemedicina, prontuário eletrônico, utilização de dados e outras ferramentas digitais na gestão dos serviços.
A proposta relaciona a modernização tecnológica à organização da rede e ao acompanhamento dos resultados da assistência.
População LGBTQIA+ aparece entre os grupos citados
Na área social, o programa inclui a população LGBTQIA+ entre os grupos contemplados por políticas de proteção, combate à discriminação e igualdade de oportunidades.
Apesar dessa referência e das propostas gerais para o SUS, não foram localizadas medidas nominais para HIV/aids, ISTs, saúde sexual, PrEP ou PEP no documento consultado.
Quem é Elmano de Freitas

Elmano de Freitas é advogado, ex-secretário de Educação de Fortaleza e ex-deputado estadual. Foi eleito governador do Ceará em 2022 e disputa um segundo mandato pelo PT.
O programa registrado para 2027 a 2030 estabelece sete grandes objetivos de desenvolvimento. Um deles é dedicado à promoção da saúde, bem-estar e envelhecimento saudável.
Elmano propõe ampliar Atenção Primária e redes regionais
Na saúde, o plano prevê aprofundar a regionalização do SUS e ampliar a cooperação entre o governo estadual e os municípios.
Entre as propostas estão o fortalecimento da Estratégia Saúde da Família, das equipes multiprofissionais, da assistência farmacêutica, da vacinação e das Unidades Básicas de Saúde.
O programa também prevê ampliar a capacidade das redes regionais, fortalecer policlínicas e outros serviços especializados e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.
Na transformação digital, estão previstas universalização do prontuário eletrônico, expansão da telessaúde, telemedicina e telemonitoramento e utilização de inteligência artificial na organização dos serviços.
Vigilância epidemiológica e saúde materno-infantil
Outra frente apresentada pelo programa é a vigilância em saúde.
A proposta de uma Política Estadual de Saúde Única inclui fortalecimento das vigilâncias epidemiológica, laboratorial, ambiental e genômica, além da imunização e do acompanhamento de doenças emergentes e reemergentes.
O documento também prevê fortalecimento da Rede Materno-Infantil, com qualificação do pré-natal e atenção à saúde de mulheres, crianças e adolescentes.
Nas políticas de equidade, são citadas mulheres, população negra, povos indígenas, comunidades quilombolas, população LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência.
Mesmo com essas referências, o documento não apresenta propostas nominais para HIV/aids, ISTs, PrEP ou PEP.
Raio-X do HIV/aids no Ceará
O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, registrou 1.555 casos de HIV no Ceará em 2024, com taxa de detecção de 16,8 casos por 100 mil habitantes.
No mesmo ano, foram registrados 1.704 casos de aids, com taxa de detecção de 18,5 por 100 mil habitantes.
O número de casos de aids aumentou em relação aos dois anos anteriores: foram 1.297 registros em 2022 e 1.517 em 2023.
Na vigilância da transmissão vertical, o Ceará registrou 276 gestantes, parturientes ou puérperas com HIV em 2024, além de 236 crianças expostas ao vírus.
Em 2025, até 30 de setembro, foram contabilizados 147 registros de gestantes, parturientes ou puérperas com HIV e 141 crianças expostas. Os dados daquele ano ainda eram preliminares.
Redação da Agência de Notícias da Aids


