Eleições 2026 no Amapá: terceiro maior índice de aids do país contrasta com ausência do tema nos planos

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Terceiro estado com maior taxa de detecção de aids do país, Amapá tem planos de governo voltados à regionalização, redução das filas e saúde digital; Clécio propõe política específica para população LGBTQIAPN+

O Amapá chega às Eleições 2026 com Dr. Furlan (PSD) e o atual governador Clécio Luís (União Brasil) ocupando as duas primeiras posições na disputa pelo governo estadual.

Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 8 de setembro mostra Dr. Furlan com 62% das intenções de voto, contra 31% de Clécio Luís. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 3 e 7 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95%.

Com 806.517 habitantes estimados em 2025, distribuídos por 16 municípios em um território de 142,2 mil quilômetros quadrados, o Amapá reúne características que interferem diretamente na organização da assistência: comunidades ribeirinhas, indígenas e localidades de difícil acesso, além da necessidade de deslocamentos para serviços especializados.

Na epidemia de HIV/aids, o estado aparece entre os mais afetados proporcionalmente do país. Em 2024, registrou 28,4 casos de aids por 100 mil habitantes, a terceira maior taxa entre as unidades da Federação, atrás apenas de Roraima e Amazonas. A média brasileira foi de 17,4.

A Agência Aids consultou os programas de governo dos dois candidatos para identificar as propostas relacionadas à saúde, ao Sistema Único de Saúde (SUS), aos direitos humanos, à população LGBTQIAPN+ e às políticas de prevenção e enfrentamento ao HIV/aids, ISTs e PrEP.

Quem é Dr. Furlan

Antônio Paulo de Oliveira Furlan é médico cirurgião cardiovascular e ex-prefeito de Macapá. Antes de chegar à prefeitura, exerceu dois mandatos como deputado estadual. Foi eleito prefeito da capital em 2020 e reeleito em 2024. Em 2026, disputa pela primeira vez o governo do Amapá, pelo PSD.

Em seu próprio plano de governo, Furlan destaca a formação médica e a experiência no Executivo municipal como parte de sua trajetória política.

Furlan propõe fila única, saúde digital e redução do TFD

O programa de Dr. Furlan dedica um eixo próprio à saúde e identifica entre os principais problemas estaduais as filas, a insuficiência de consultas e exames especializados, a dependência do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) e as dificuldades para integrar os serviços de saúde.

A proposta é organizar uma rede estadual regionalizada, ampliar média e alta complexidade, fortalecer a Atenção Primária, modernizar hospitais e expandir telemedicina e vigilância em saúde.

Entre as medidas estão a modernização da Central Estadual de Regulação e a criação de uma Fila Única Digital, por meio da qual os pacientes poderão acompanhar a posição na espera por consultas, exames, cirurgias e outros procedimentos.

O candidato também propõe prontuário eletrônico integrado, ampliação da telemedicina e telessaúde, atualização da lista estadual de medicamentos e fortalecimento da assistência farmacêutica.

Carreta da Saúde e transporte fluvial e aeromédico

Para levar atendimento especializado ao interior, Furlan pretende implantar uma Carreta Estadual da Saúde Especializada, com consultas, exames e procedimentos diagnósticos nos 16 municípios.

O programa prevê ainda uma Rede Estadual de Transporte Sanitário, com modalidades terrestre, fluvial e aeromédica, além de mutirões permanentes de cirurgias eletivas.

Na alta complexidade, aparecem propostas para hemodiálise em Laranjal do Jari, criação de um Centro Estadual de Referência em Doenças Raras, ampliação da Hemorrede, modernização do Laboratório Central e implantação de uma política estadual de transplantes.

O documento também prevê uma “Via Rápida do Câncer”, políticas para saúde materno-infantil, expansão da Rede de Atenção Psicossocial e telepsiquiatria.

Diversidade e direitos humanos

Furlan dedica parte de seu programa à Política Estadual de Diversidade, Direitos Humanos e Inclusão.

A proposta prevê atendimento nos serviços públicos sem discriminação, educação em direitos humanos e políticas voltadas a grupos historicamente vulnerabilizados, entre eles mulheres, população negra, povos originários e pessoas LGBTQIAPN+.

Também são previstos um Plano Estadual de Direitos Humanos e Diversidade e um observatório para produção de indicadores e acompanhamento das políticas.

Nos trechos e buscas realizados no programa, porém, não foram localizadas propostas específicas que mencionem nominalmente HIV/aids, ISTs ou PrEP.

Quem é Clécio Luís

Clécio Luís Vilhena Vieira é geógrafo, professor e ex-policial civil. Foi vereador de Macapá e prefeito da capital por dois mandatos, entre 2013 e 2020. Em 2022, foi eleito governador do Amapá no primeiro turno. Atualmente filiado ao União Brasil, disputa a reeleição.

Seu programa para 2027-2030 organiza as propostas em seis grandes eixos e reserva um capítulo específico à saúde, denominado “Saúde da Gente: a primeira de todas as prioridades”.

Clécio propõe ampliar telessaúde e rede hospitalar

Na saúde, Clécio propõe integrar planejamento, regionalização, regulação e gestão da rede hospitalar, com redução dos tempos de espera e fortalecimento da Atenção Primária e das UPAs.

O plano prevê expandir a saúde digital e a telessaúde nos 16 municípios, reunindo regulação, cadastro e prontuário eletrônico em uma única plataforma.

Também aparecem a ampliação de programas como Zera Filas, Mais Saúde Vascular, Mais Visão e Mais Sorriso, com prioridade para áreas remotas.

Na infraestrutura, o candidato promete concluir obras hospitalares em andamento, implantar um novo Hospital de Especialidades e criar um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon).

População LGBTQIAPN+ aparece nominalmente

Diferentemente do capítulo específico da saúde, em que HIV/aids e PrEP não são mencionados, o plano de Clécio possui uma seção própria de direitos humanos e inclui propostas direcionadas à população LGBTQIAPN+.

O programa prevê implantar o Amapá Mais Diversidade, com ampliação dos serviços de saúde, assistência e cidadania, interiorização das ações, combate à discriminação e promoção da igualdade de oportunidades.

O documento também apresenta propostas específicas para mulheres, população negra, quilombolas, ribeirinhos, povos indígenas, pessoas com deficiência e idosos.

HIV/aids, ISTs e PrEP, entretanto, não aparecem nominalmente entre as propostas específicas de saúde consultadas.

Raio-X da aids no Amapá

Os indicadores do Ministério da Saúde colocam o Amapá entre os estados brasileiros com maior taxa de detecção de aids.

Em 2024, foram 28,4 casos por 100 mil habitantes, atrás apenas de Roraima, com 41,3, e Amazonas, com 35,2. A taxa amapaense ficou mais de 60% acima da média brasileira, de 17,4 casos por 100 mil habitantes.

Entre 2023 e 2024, o Amapá apresentou ainda aumento de 9,2% na taxa de detecção, uma das maiores elevações registradas entre as unidades da Federação naquele intervalo.

No índice composto utilizado pelo Ministério da Saúde para acompanhar a situação da epidemia — que considera indicadores como detecção de aids, mortalidade e diagnóstico —, o Amapá também aparece entre os estados com resultados mais elevados no período analisado.

Macapá: jovens concentram notificações

Na capital, dados da Vigilância em Saúde mostram que foram registrados 1.654 casos de aids em adultos entre 2022 e 2025.

A maioria das notificações ocorreu entre pessoas de 20 a 39 anos, que representaram aproximadamente 65% dos registros. O levantamento municipal também chamou atenção para o acompanhamento das gestantes vivendo com HIV.

A prevenção combinada oferecida pelo SUS inclui testagem, preservativos, PEP, PrEP e tratamento antirretroviral, estratégias fundamentais para impedir novas infecções e evitar a progressão do HIV para a aids.

HIV e PrEP não aparecem como propostas específicas

Os dois programas apresentam medidas detalhadas para reorganização da saúde pública no Amapá.

Dr. Furlan concentra propostas em regionalização, regulação, filas, saúde digital, transporte sanitário e ampliação do atendimento especializado. Seu plano também inclui políticas de direitos humanos e cita nominalmente pessoas LGBTQIAPN+.

Clécio Luís propõe ampliar a infraestrutura hospitalar, telessaúde, prontuário eletrônico e programas para reduzir filas, além de apresentar uma política própria para a população LGBTQIAPN+, inclusive com ampliação de serviços de saúde.

O governo eleito assumirá um estado que registrou em 2024 a terceira maior taxa de detecção de aids do Brasil, o que mantém prevenção, diagnóstico, tratamento e ampliação das estratégias de prevenção combinada entre os temas da saúde pública amapaense.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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