Pesquisa Séculus/CBN Salvador mostra ACM Neto com 47,23% e Jerônimo Rodrigues com 35,44%; planos priorizam regionalização, filas e ampliação da rede, sem ações nominais para HIV, ISTs, PrEP ou PEP
A disputa pelo Governo da Bahia tem ACM Neto (União Brasil) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas duas primeiras posições da pesquisa Séculus/CBN Salvador divulgada nesta quarta-feira (16).
No cenário estimulado de primeiro turno, ACM Neto registra 47,23% das intenções de voto, enquanto Jerônimo Rodrigues aparece com 35,44%. Na sequência estão Ronaldo Mansur (PSOL), com 0,59%, Aroldo Félix (UP), com 0,26%, Maria Bona (PCO), com 0,13%, e Ariel Capistrano (DC), com 0,07%.
O levantamento ouviu 1.535 eleitores em 72 municípios baianos entre os dias 10 e 15 de setembro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral.
Na saúde, os programas dos dois candidatos apresentam propostas para regionalização, ampliação da capacidade hospitalar, Atenção Primária, regulação e redução das filas.
Nos documentos consultados pela Agência Aids, entretanto, não foram localizadas propostas que mencionem nominalmente HIV/aids, ISTs, PrEP ou PEP.
Quem é ACM Neto

Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, o ACM Neto, é advogado e ex-prefeito de Salvador. Antes de chegar ao Executivo municipal, exerceu três mandatos de deputado federal. Em 2026, disputa novamente o Governo da Bahia pelo União Brasil.
Seu programa para 2027 a 2030, “Mudança com Segurança – A Bahia de volta ao seu sonho de grandeza”, inclui saúde, segurança pública e educação entre os principais eixos de atuação.
ACM Neto propõe fila única e ampliação da assistência no interior
Na saúde, uma das principais propostas é a reorganização da regulação estadual.
O programa prevê uma Nova Central de Regulação, com fila única e acompanhamento dos pacientes, além de regionalização da assistência, ampliação da média e alta complexidade e expansão da Estratégia Saúde da Família.
Também estão previstas unidades móveis para realização de exames e procedimentos em municípios menores, distritos e áreas rurais, além da ampliação da telessaúde e de ferramentas digitais para a gestão.
Outra proposta é o PIX Saúde, mecanismo pelo qual o governo estadual poderia contratar hospitais privados e filantrópicos quando a rede pública não conseguisse realizar determinados atendimentos dentro dos prazos estabelecidos.
Segundo o programa, os contratos teriam procedimentos, valores e prazos definidos, com divulgação dos resultados no Portal da Transparência.
Atenção Primária, vacinação e vigilância
O candidato também propõe ampliar as equipes de Saúde da Família, priorizando localidades de menor cobertura e maior vulnerabilidade social.
Na prevenção, o plano prevê recuperação das coberturas vacinais, fortalecimento da vigilância sanitária e apoio técnico aos municípios.
Apesar do conjunto de propostas, não foram encontradas no documento referências nominais a HIV, aids, ISTs, saúde sexual, PrEP ou PEP.
O programa aborda saúde materno-infantil, doenças crônicas, saúde mental, vacinação e atenção a diferentes grupos da população, mas não estabelece um eixo específico para HIV/aids.
Quem é Jerônimo Rodrigues

Jerônimo Rodrigues Souza é engenheiro agrônomo, professor licenciado da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e atual governador da Bahia.
Antes de assumir o Executivo estadual, foi secretário de Desenvolvimento Rural e secretário da Educação da Bahia, além de ter ocupado funções no governo federal. Foi eleito governador em 2022 e disputa a reeleição pelo PT.
Seu programa para 2027 a 2030, denominado “A Bahia que avança, cuida e transforma”, coloca a saúde dentro do eixo de Desenvolvimento Social e Garantias de Direitos.
Jerônimo propõe 450 novas UBSs e seis policlínicas
Na saúde, Jerônimo Rodrigues propõe revisar o modelo de regionalização e fortalecer a regulação estadual, além de ampliar o apoio aos municípios.
O programa prevê a construção de 450 novas Unidades Básicas de Saúde, sendo 39 destinadas a territórios indígenas, e o fortalecimento da Estratégia Saúde da Família.
Também propõe ampliar a atuação dos agentes comunitários de saúde em comunidades quilombolas e regiões rurais.
Outro compromisso é a implantação de seis novas Policlínicas Regionais de Saúde, previstas para Remanso, Seabra, Ipirá, Itapetinga, Barra e Ibotirama.
Na rede hospitalar, o documento prevê cinco novos hospitais e maternidades estaduais e uma unidade federal em Paulo Afonso, além da ampliação dos serviços de média e alta complexidade.
A saúde mental também aparece entre as propostas, com previsão de 38 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O programa inclui ainda saúde digital, teleconsultas, vacinação, vigilância laboratorial e assistência materno-infantil.
População LGBTQIAPN+ e redução de danos aparecem no programa
O plano de Jerônimo reserva propostas específicas para a população LGBTQIAPN+.
Entre as medidas estão o fortalecimento do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos, regionalização do atendimento e ampliação das equipes multiprofissionais, com articulação entre as redes de saúde e assistência social.
O documento também prevê ações de prevenção e enfrentamento à violência contra pessoas LGBTQIAPN+.
Outra proposta é a criação de uma Política Estadual de Cuidado e Redução de Danos, voltada a pessoas que usam álcool e outras drogas, com ações territoriais, unidades móveis e ampliação do programa Corra pro Abraço.
Na saúde da mulher, o plano cita planejamento e direitos reprodutivos e prevenção da violência sexual.
Raio-X do HIV/aids na Bahia
Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, a Bahia registrou 2.222 casos de HIV em 2024, com taxa de detecção de 15 casos por 100 mil habitantes. No mesmo ano, foram contabilizados 2.148 casos de aids, com taxa de 14,5 por 100 mil.
Em 2025, considerando os dados preliminares disponíveis até 30 de setembro, foram registrados 1.696 casos de HIV e 1.425 casos de aids.
A transmissão vertical também aparece entre os indicadores acompanhados no estado. Em 2024, foram notificadas 436 gestantes, parturientes e puérperas com HIV e 340 crianças expostas ao vírus. O boletim nacional teve suas tabelas relativas a gestantes, parturientes e puérperas atualizadas em 2026.
Redação da Agência de Notícias da Aids



