Eleições 2026 em São Paulo: planos de Tarcísio e Haddad detalham propostas para o SUS; HIV aparece de forma pontual

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Estado concentra 433 mil pessoas vivendo com HIV ou aids e mantém meta de eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030; programas dos dois candidatos priorizam filas, regionalização e integração da rede

Com 46 milhões de habitantes, 645 municípios e o maior contingente de pessoas vivendo com HIV ou aids do Brasil, São Paulo chega às Eleições 2026 com dois conhecidos nomes da política nacional na dianteira da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro mostra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, com 49% das intenções de voto. Fernando Haddad (PT) aparece com 29%. O levantamento ouviu 1.610 eleitores em 65 municípios, entre os dias 8 e 10 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O tamanho de São Paulo se reflete também no Sistema Único de Saúde. O estado possui população estimada em 46.081.801 habitantes, o equivalente a 21,6% dos brasileiros.

No HIV/aids, São Paulo reúne 433.347 pessoas vivendo com HIV ou aids — 25,8% do total registrado no país. É o maior número absoluto entre as 27 unidades da Federação.

A resposta paulista à epidemia também tem uma estrutura própria: o estado mantém o Programa Estadual de IST/Aids, o Centro de Referência e Treinamento DST/Aids (CRT) e sistemas de vigilância para HIV, aids, sífilis, transmissão vertical e coinfecção tuberculose/HIV. A política estadual trabalha ainda com a perspectiva de eliminação da aids como problema de saúde pública até 2030.

É diante desse cenário que a Agência Aids consultou os programas de governo apresentados à Justiça Eleitoral pelos dois candidatos mais bem colocados, com atenção às propostas para saúde, SUS, HIV/aids, ISTs, PrEP, direitos humanos e população LGBT+.

Tarcísio propõe ampliar saúde digital e regionalização do SUS

Tarcísio de Freitas (Republicanos) é engenheiro civil e mestre em Engenharia de Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Serviu ao Exército Brasileiro por 17 anos e ocupou cargos na Controladoria-Geral da União (CGU), no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Foi ministro da Infraestrutura entre 2019 e 2022 e, em 2022, foi eleito governador de São Paulo, cargo que exerce atualmente.

O plano de Tarcísio de Freitas tem 68 páginas e organiza as propostas em dez objetivos estratégicos. A saúde ocupa um capítulo próprio, sob o título “Saúde na Trilha Certa”, e reúne iniciativas como SP Inova Saúde, SUS Paulista, vacinação e saúde mental.

A principal aposta tecnológica é o SP Inova Saúde. O candidato propõe aumentar em 40% os teleatendimentos e ampliar o uso da telemedicina para aproximar especialistas de regiões com menor oferta de serviços.

O programa prevê ainda integrar municípios, hospitais, ambulatórios e unidades de urgência por meio de um Histórico Clínico Digital Unificado, com compartilhamento de informações entre atenção básica e especializada.

Também é proposta a utilização de inteligência artificial para identificar precocemente sinais de surtos de doenças de notificação obrigatória e apoiar as ações de vigilância epidemiológica.

Antirretrovirais entram na política industrial da saúde

O HIV aparece no programa de Tarcísio em dois pontos. O primeiro está relacionado à produção de medicamentos. O plano prevê ampliar a capacidade do Complexo Econômico-Industrial da Saúde paulista na fabricação de medicamentos para câncer, doenças raras e negligenciadas, produtos biotecnológicos e antirretrovirais.

Também promete ampliar parcerias para transferência de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento e consolidar o Instituto Butantan Farma como estrutura de produção de imunobiológicos e medicamentos estratégicos para o SUS.

O plano prevê mais de R$ 4 bilhões em investimentos no Instituto Butantan nos quatro anos de governo, com novas estruturas para produção de vacinas, soros, anticorpos monoclonais e tecnologias baseadas em RNA.

Vacinação contra HPV inclui pessoas vivendo com HIV/aids

A segunda referência direta ao HIV aparece na vacinação. Tarcísio propõe manter e fortalecer a estratégia estadual de vacinação contra o HPV, incluindo pessoas entre 9 e 45 anos em condições clínicas especiais, entre elas pessoas vivendo com HIV/aids, transplantados e pacientes oncológicos imunossuprimidos.

A meta registrada no programa é que, até 2030, 80% dos municípios paulistas atinjam cobertura mínima de 95% nas vacinas monitoradas pelo IGM SUS Paulista.

O programa não apresenta, entretanto, uma política específica para HIV/aids ou outras ISTs e não estabelece metas próprias para testagem, diagnóstico, tratamento, supressão viral ou redução da mortalidade por aids. Também não foi localizada proposta específica para ampliação da PrEP.

Tabela SUS Paulista e atenção primária

Tarcísio também promete ampliar o SUS Paulista e aprofundar a regionalização da assistência. O plano prevê reorganizar a rede conforme as necessidades de cada região, a capacidade instalada e os vazios assistenciais, com o objetivo declarado de ampliar o acesso a consultas, exames, cirurgias e tratamentos.

A Tabela SUS Paulista, que complementa os valores federais pagos por procedimentos realizados por Santas Casas e instituições filantrópicas, deverá ser mantida e estendida aos hospitais públicos municipais e aos serviços municipais de terapia renal substitutiva.

Outra proposta é dar continuidade ao Incentivo à Gestão Municipal do SUS Paulista, com recursos estaduais destinados à atenção primária e à vigilância epidemiológica nos 645 municípios.

Haddad coloca filas e coordenação do SUS no centro do programa de saúde

Fernando Haddad (PT) é advogado, mestre em Economia e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Foi subsecretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo, secretário-executivo e depois ministro da Educação, cargo que ocupou entre 2005 e 2012. Foi prefeito de São Paulo de 2013 a 2016 e ministro da Fazenda entre 2023 e março de 2026.

O plano apresentado por Fernando Haddad tem 15 páginas. Na saúde, as propostas estão reunidas sob o título “Saúde na Hora Certa” e têm como principais eixos a redução das filas, a integração da rede e a retomada da coordenação estadual do SUS.

Haddad propõe que, já no primeiro ano de governo, pacientes possam consultar pelo CPF sua posição e o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias.

O programa estabelece prioridade segundo critérios clínicos e prevê comunicação direta com os usuários por meio do Meu SUS Digital.

Para ampliar o atendimento especializado, estão previstas telessaúde, carretas da saúde e contratação complementar da rede privada, sem cobrança ao paciente.

O candidato também promete integrar as ambulâncias do Samu à rede hospitalar e às centrais de regulação de leitos, além de fortalecer no estado o Farmácia Popular.

Prontuário unificado e vigilância em saúde

Haddad propõe que postos de saúde, ambulatórios, hospitais e laboratórios funcionem dentro de uma rede integrada, com acesso compartilhado aos registros clínicos dos usuários.

O programa afirma que a Secretaria Estadual da Saúde deverá retomar a coordenação da regionalização, da atenção especializada e do financiamento estadual dos serviços.

Também prevê fortalecer o sistema de vigilância em saúde, realizar concursos públicos e ampliar a educação permanente dos profissionais.

O documento, porém, não cita nominalmente HIV, aids, ISTs ou PrEP nem apresenta metas específicas para essas áreas.

Haddad cita orientação sexual ao tratar de discriminação

A pauta relacionada à diversidade aparece fora do capítulo da saúde. No eixo “São Paulo por inteiro”, Haddad propõe políticas de enfrentamento ao racismo e a outras formas de discriminação, além de resposta aos crimes de ódio.

O texto afirma que o serviço público deverá tratar todos os paulistas com o mesmo respeito, independentemente de “cor, fé ou orientação”.

O documento não utiliza, nesse trecho, as expressões população LGBT+ ou identidade de gênero e não apresenta um capítulo específico para essa população.

E a população LGBT+ no plano de Tarcísio?

No capítulo de saúde de Tarcísio, não há proposta específica dirigida à população LGBT+.

O programa afirma, de maneira geral, que pretende dar atenção especial a grupos prioritários e populações em maior situação de vulnerabilidade, mas o recorte de orientação sexual e identidade de gênero não aparece individualizado nas propostas de saúde consultadas.

Raio-X da aids em São Paulo

São Paulo apresenta uma combinação particular: tem o maior número absoluto de pessoas vivendo com HIV ou aids do Brasil, mas uma taxa de detecção de aids inferior à média nacional.

Segundo o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids de 2025, do Ministério da Saúde, 433.347 pessoas vivendo com HIV ou aids estão no estado, correspondendo a 25,8% do total brasileiro.

Em 2024, São Paulo registrou 13,4 casos de aids por 100 mil habitantes, enquanto a taxa brasileira foi de 17,4.

Dez anos antes, em 2014, a taxa paulista era de 17,2 casos por 100 mil habitantes. No período, portanto, houve redução de aproximadamente 22%.

Os indicadores estaduais são acompanhados pelo CRT DST/Aids-SP. O Boletim Epidemiológico paulista reúne dados específicos de aids em adultos e crianças, diagnóstico do HIV em adultos, gestantes vivendo com HIV, crianças expostas à transmissão vertical, sífilis adquirida, sífilis em gestantes, sífilis congênita e coinfecção TB/HIV. Os dados mais recentes da edição de 2025 estão atualizados até 30 de junho daquele ano.

PrEP faz parte da resposta paulista

Embora a PrEP não apareça nominalmente nos programas dos dois candidatos, ela já integra a política pública de prevenção ao HIV no estado.

Em fevereiro de 2026, o CRT DST/Aids-SP promoveu, junto ao Ministério da Saúde, uma discussão específica sobre estratégias para ampliar e diversificar a oferta de PrEP em São Paulo, envolvendo gestores, coordenadores municipais de IST/aids e profissionais da rede pública.

A prevenção combinada oferecida pelo SUS inclui, além da PrEP, preservativos, testagem para HIV e outras ISTs, Profilaxia Pós-Exposição (PEP), diagnóstico e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis e terapia antirretroviral para pessoas vivendo com HIV.

Meta é eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030

São Paulo também mantém uma meta que ultrapassa a eleição de outubro.

O Programa Estadual de IST/Aids vem desenvolvendo ações com o objetivo de eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030, alinhado às metas internacionais de enfrentamento à epidemia. Entre as estratégias estaduais estão qualificação da prevenção, diagnóstico, cuidado e acompanhamento das pessoas vivendo com HIV.

É essa estrutura que estará sob responsabilidade do governo eleito para o período de 2027 a 2030.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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